Mais uma fez Parauapebas é mencionada em rede nacional de televisão. Os programas Fantástico e Bom Dia Brasil retrataram a corrupção que tomou conta da Câmara Municipal de Parauapebas durante a administração Josineto Feitosa. De quebra, ainda repercutiu a imbecil declaração do vereador Major da Mactra (PSDB) desdenhando da população.
O ruim de tudo isso, se já não fosse ruim ver um município rico e pujante como Parauapebas servir de chacota Brasil a fora, é que tudo o que até agora foi publicado parece ser apenas a ponta de um enorme iceberg, e que muito ainda há por vir. Certamente, novas prisões devem estar sendo pedidas e tão logo a justiça receba esses pedidos eles serão autorizados.
Para alguns que moram há anos em Parauapebas, e conhecem a realidade daqui, tudo isso que vem sendo mostrado em rede nacional parece não causar nenhum tipo de surpresa. Um município onde um candidato a vereador chega a gastar um milhão de reais para se eleger e depois receber pouco mais de R$500 mil durante o mandato não podia ser diferente. A matemática explicaria esse fato facilmente, salvo não fosse a maioria anjos que nasceram para ajudar os pobres munícipes deste rico município.
“Rasga a boca ai, pode rasgar quem quiser que eu estou cagando e andando”, disse o vereador tucano a uma galeria que o vaiava durante uma sessão da Câmara Municipal de Parauapebas. Josineto Feitosa (SDD), o pouco investigado que era presidente da Câmara quando todos esses fatos de corrupção aconteceram disse, também usando a tribuna, que “se eu cair não caio sozinho, derrubo todo mundo”. Irmã Luzinete (PV), a que já não bastasse alegar ser uma enviada de Deus, disse ter recebido proposta de R$1 milhão por seu voto em um candidato a sucessão de Josineto. Ou seja, a tribuna da Câmara Municipal de Parauapebas virou bancada de boteco. Ali se pode dizer tudo sem receio algum de ser admoestado por falta de decoro.
O vereador Braz, atual presidente, até onde se sabe, não renovou o contrato com o Supermercado e com a locadora de Edmar Boi de Ouro; não renovou o contrato com o Lava Jato Pit Stop, da família do vereador Odilon. Ponto para o atual presidente!
Agora, sem medo de errar, sem medo de retaliações políticas, sem temer por nada, o presidente deve imediatamente, sob forma de moralizar aquela Câmara, usar o Regimento, o Código de Postura, usar o que for necessário e afastar preventivamente todos os vereadores envolvidos nesse processo. Para isso, Braz vai precisar de apoio. Apoio de alguns de seus pares e da população. Não se pode, sob pena de que todos os edis sejam jogados vala comum, deixar passar um fato tão relevante como esses denunciados em rede nacional.
O prefeito Valmir Mariano, também para mostrar que corrupção não é permitida em seu governo, deve afastar imediatamente o secretário Judson (Semas), a quem tenho o maior apreço e confiança e cujo o trabalho a frente da secretaria já foi por mim elogiado. Todavia, a política não permite erros. Judson errou ao confiar no vereador Odilon, mesmo devendo a ele obrigações que não cabem a mim relatar.
Parauapebas é o que é politicamente, e agora tudo está vindo à baila, porque nossos políticos confiam na impunidade. Culpa da justiça? Não! A justiça local é uma das mais eficientes do Estado. Nossos magistrados estão lotados de processos. Trabalham diuturnamente para melhorar a eficiência das Varas. Ela, a justiça, vem fazendo sua parte. Vereadores e empresário foram presos e responderão por seus erros, e receberão, certamente a companhia de outros, tudo a seu tempo.
A população, esperançosa de que a corrupção será erradicada de Parauapebas, deve fazer sua parte no ano que vem, quando serão escolhidos os vereadores e o prefeito. Essa sim é a hora de se dizer não à corrupção.
Confesso que fiquei meio que decepcionado com a matéria de ontem reproduzida pelo Fantástico. Para mim o foco da matéria, a corrupção generalizada na gestão Josineto Feitosa, foi subtraída pela infeliz declaração do vereador Major da Mactra. Ao final da matéria, sem dizer que os vereadores corruptos deveriam estar preocupados com a educação, a reportagem mostra a situação precária de uma escola infantil e de um ônibus transportando alunos além de sua capacidade. Não ouviram o outro lado, cláusula pétrea do jornalismo. Mas isso fica pra outra oportunidade.





