TRE faz parceria inédita com órgãos ambientais para diminuir impactos do El Niño nas eleições 2026 no Pará

Acordo reúne Censipam, Semas, Inmet e Defesa Civil para monitorar riscos climáticos. TRE-Pará também usará satélites de baixa órbita para transmitir resultados em 65 municípios
Coletiva de Imprensa TRE-Pará sobre as Eleições 2026 (Foto: Thaís Neves/g1)

O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-Pará) anunciou, na manhã desta quinta-feira (1º), durante coletiva sobre as eleições de 2026, uma parceria inédita com órgãos de monitoramento climático e defesa civil para acompanhar os impactos do fenômeno El Niño no estado durante o período eleitoral.

A iniciativa reúne o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Defesa Civil.

A parceria tem como objetivo acompanhar as condições climáticas durante o pleito e antecipar possíveis impactos provocados por eventos extremos, que podem ser agravados pela atuação do fenômeno El Niño.

O El Niño é um fenômeno climático natural causado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera os padrões de chuva, temperatura e ventos e pode provocar mudanças no clima de várias regiões do mundo.

Segundo Bruno Giorgi Almeida, diretor-geral do TRE-Pará, a parceria foi criada diante da preocupação com os possíveis impactos, principalmente por causa da seca e das queimadas que ocorrem no estado.

“Os órgãos parceiros conseguem indicar, por exemplo, a localização de focos de queimadas, informação que pode ajudar o tribunal a planejar o transporte das urnas eletrônicas. Como por exemplo as queimadas no entorno do município de Jacareacanga, no sudoeste do Pará. Isso deixa a gente nervoso por causa dos transportes aéreos que estão indo para lá e também dos carros que vão passar com as urnas, de uma localidade para outra”, afirmou.

O monitoramento também deve permitir que o TRE-Pará tenha informações antecipadas sobre possíveis riscos. Segundo Almeida, os órgãos conseguem fornecer boletins com previsão para até três dias. Depois desse período, a margem de certeza das previsões diminui.

As informações meteorológicas e de monitoramento serão utilizadas pelo TRE-Pará para auxiliar no planejamento da logística das eleições, especialmente na distribuição e no deslocamento das urnas eletrônicas para os locais de votação.

No Pará, a dimensão territorial e as dificuldades de acesso a comunidades rurais, ribeirinhas e regiões mais isoladas tornam o planejamento logístico uma etapa importante da organização das eleições.

Satélites de baixa órbita serão usados para transmitir resultados

Outra novidade do TRE-Pará será o uso de terminais de satélite de baixa órbita, conhecidos como LEO, para a transmissão de dados.

A tecnologia vai substituir os terminais BGAN (Broadband Global Area Network) uma rede global de comunicação via satélite que fornece acesso simultâneo à internet banda larga e telefonia por meio de terminais portáteis compactos, utilizados anteriormente.

Os novos equipamentos, segundo o órgão, serão utilizados em 65 municípios paraenses, principalmente em locais com limitações de infraestrutura de comunicação.

Os terminais serão instalados em diferentes regiões do estado, incluindo o Marajó, Nordeste Paraense, Sudoeste, Baixo Amazonas e Sudeste do Pará. Belém e municípios da Região Metropolitana também estão entre as áreas que receberão a estrutura.

A tecnologia será usada para ampliar a conectividade necessária à transmissão dos resultados, especialmente em áreas remotas. De acordo com a Justiça Eleitoral, os terminais de baixa órbita oferecem conexão de alta velocidade e baixa latência.

Segundo o TRE, no Pará, 6.267.107 eleitores estão aptos a votar nas eleições deste ano O estado terá 22.072 seções eleitorais distribuídas em 5.919 locais de votação nos 144 municípios.

A estrutura inclui locais de votação em áreas de diferentes características. São 58 em aldeias indígenas, 95 em quilombos, 944 em localidades ribeirinhas e 2.480 em áreas rurais.

Os eleitores vão escolher seis cargos: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República. Segundo o TRE-PA, o tempo médio estimado de votação é de 94 segundos por eleitor.

A realização do pleito envolve mais de 100 mil pessoas em todo o estado. São cerca de 80 mil mesários nos 144 municípios, além de aproximadamente 17 mil pessoas entre magistrados, servidores, requisitados e terceirizados.

Operação e segurança

O órgão também informou que a dimensão territorial do Pará exige uma operação logística que utiliza diferentes meios de transporte.

Para levar urnas e materiais eleitorais aos locais de votação, o TRE-Pará prevê o uso de 7.786 veículos terrestres, 1.203 embarcações, sete aviões e seis helicópteros.

A estrutura também conta com 1.854 pontos de transmissão. São 476 em locais de difícil acesso, 1.277 em locais de votação na área urbana e 101 nos cartórios eleitorais.

De acordo com o TRE os 144 municípios do estado terão cobertura das forças de segurança durante as eleições.

Ainda de acordo com o órgão, 57 municípios terão reforço do Governo do Estado, por meio da Polícia Militar, enquanto 87 municípios contarão com apoio das Forças Federais.

Serviços ao eleitor

A Justiça Eleitoral disponibiliza aplicativos e canais de atendimento para os eleitores. Entre eles estão o e-Título, o aplicativo Resultados, que permite acompanhar a apuração em tempo real, e o Pardal, usado para comunicar irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral.

O eleitor também poderá tirar dúvidas pelo Disque Eleitor 148. O atendimento será das 8h às 19h no sábado (3) e das 7h às 17h no dia da eleição (4). Outra opção é a assistente virtual Bertha, que atende pelo WhatsApp no número (91) 3346-8000.

(g1 Pará)