Seminário na Casa da Cultura propõe reflexão sobre identidade negra, ancestralidade e resistência

Encontro gratuito será realizado no dia 7 de novembro e discutirá o corpo como território de memória, expressão cultural e afirmação da identidade

O corpo carrega histórias que atravessam gerações. Nos traços, nos cabelos, nas escolhas estéticas e nas expressões culturais, também se manifestam identidades, memórias e formas de resistência. É a partir dessa perspectiva que a Casa da Cultura de Canaã dos Carajás realiza, no dia 7 de novembro, o Seminário de Letramento Racial: Estética e Identidade – O Corpo como Território de Resistência e Ancestralidade.

Com programação das 8h às 12h, o encontro propõe um espaço de diálogo e reflexão sobre a relação entre estética, pertencimento e identidade racial. A atividade abordará temas como representatividade, autoestima, ancestralidade e enfrentamento ao racismo, convidando o público a reconhecer como características físicas e manifestações estéticas também expressam histórias, saberes e referências culturais.

A professora Flor Pinto lembra que discutir a estética e a identidade colocando o corpo como território de resistência e ancestralidade é uma forma de nos ajudar a pensar fora dos padrões superficiais de beleza. “Isso constitui um espaço para vermos além, vermos o corpo como profundo ato de linguagem, de memória e afirmação política”, afirma.

Pesquisadora de Relações Étnico-Raciais e Educação, Flor ressalta a importância de considerar que, ao longo da história, corpos racializados, periféricos e marginalizados tiveram suas linguagens visuais – das curvaturas dos cabelos crespos às pigmentações da pele, dos traçados das tatuagens sagradas às vestimentas e adornos – subjugadas por narrativas hegemônicas. Logo, compreender o corpo sob a perspectiva da ancestralidade e da identidade é reconhecer que cada marca, textura e escolha estética carrega consigo a herança dos que vieram antes e a força dos que lutam no presente.

“Sendo assim, o diálogo trata de descolonizar o olhar e transformar a própria imagem em um ato de retomar a posse de si, onde reafirmar a própria identidade não é apenas um gesto individual, mas uma celebração coletiva da memória, da dignidade e do direito de existir plenamente. Esperamos que  a sociedade participe, se permita a olhar o outro na sua subjetividade”, finaliza

Para Cleidiane Santos, da Sala de Leitura da Casa da Cultura, participar do seminário representa uma oportunidade de ampliar conhecimentos e levar novas reflexões para as atividades de incentivo à leitura e formação de leitores. Ela destaca que a valorização da identidade e da ancestralidade também passa pelo reconhecimento das diferentes narrativas e vozes presentes na sociedade.

“Espero que esse encontro seja uma oportunidade de refletir sobre como a estética também comunica histórias, pertencimentos, resistências e afirmações de identidade. Quero levar essas reflexões para minha atuação cultural, especialmente nas ações de incentivo à leitura, formação de leitores e valorização das diferentes vozes e narrativas”, afirma.

O seminário também busca fortalecer o letramento racial como ferramenta de conscientização e enfrentamento ao racismo, contribuindo para a desconstrução de preconceitos e a valorização da história e da cultura negra. A proposta é ampliar o debate para além do reconhecimento das diferenças, estimulando uma compreensão mais profunda sobre como o racismo se manifesta no cotidiano e como a educação pode contribuir para transformar essas relações. A participação é gratuita e aberta ao público.

SERVIÇO

Seminário de Letramento Racial: Estética e Identidade – O Corpo como Território de Resistência e Ancestralidade

Data: 7 de novembro de 2026

Horário: 8h às 12h

Local: Casa da Cultura de Canaã dos Carajás – Rua das Esmeraldas, 143, Nova Canaã II

Público: Livre

Informações: (94) 99160-8186

(Texto: Natália Mello)

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