Militantes do Movimento dos Sem Terras interditam desde as primeiras horas desta terça-feira (10) a PA-275, no trecho compreendido entre os municípios de Parauapebas e Curionópolis, no local conhecido como acampamento Frei Henri.
Segundo as primeiras informações, a interdição se dá em virtude de não terem sido atendidas algumas reivindicações do movimento no tocante à desapropriação da área conhecida como Fazenda Marambaia, cujo o proprietário é o pecuarista Ulisses Guimarães.
Mais cedo uma van com destino a Marabá tentou furar o bloqueio feito por cerca de 120 pessoas ligadas ao MST. Houve um disparo de arma de fogo e Guilherme Dias Oliveira, residente em Goiânia, e Robson Barros Cruz, residente em Parauapebas , se feriram.
Uma guarnição da Polícia Militar seguiu agora ha pouco para o local para verificar a ocorrência e tentar liberar a PA.
A estrada continua interditada por tempo indeterminado.
Atualização
Segundo informações que chegam do local da interdição, seguranças da Fazenda Marambaia efetuaram disparos de arma de fogo contra os sem terras. Um avião, segundo um militante dos sem terras, está sobrevoando o local em voos baixos, supostamente na tentativa de intimidar os sem terras. O Movimento informou que a barricada com pneus e paus só será retirada do local quando os seguranças forem retirados de lá.
No sítio do MST na internet está postada a informação de que durante a noite desta terça-feira (9), dezenas de fazendeiros e pistoleiros, fortemente armados, atacaram o acampamento do MST Frei Henri, no município de Curionópolis, no Pará. Segundo o site, muitos tiros de armas de fogo foram disparados na direção do acampamento e alguns barracos construídos no meio das roças, próximos ao acampamento, foram incendiados. A ação violenta dos fazendeiros e pistoleiros causou pânico entre as famílias no meio da noite.
Em nota, os Sem Terra do acampamento exigem que os policiais da Delegacia de Conflitos Agrários investigue a ação violenta dos fazendeiros e pistoleiros, apreendam as armas em poder do grupo criminoso e efetue a prisão dos responsáveis. Também pedem que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ingresse urgentemente com ação de retomada da terra pública e libere a área para que as famílias possam morar e produzir em paz, além da investigação por parte do Ministério Público Federal sobre prática do crime de ocupação ilegal de terra pública pelo fazendeiro.
Atualização às 12 horas
A PA-275 acaba de ser desobstruída após acordo entre a direção do Movimento e a PM.