Pará

Romeiros se reúnem na 36ª Romaria da Libertação de Goianésia

Mais de 10 mil romeiros participaram da 36ª Romaria da Libertação no município de Goianésia do Pará, sudeste do Estado, nesta segunda-feira, 17. A peregrinação reverencia duas crianças mortas por um ex-policial militar na década de 1980. O crime bárbaro transformou as irmãs Elieneuza e Elizabeth em seres adorados por uma multidão de fiéis. À época da tragédia que vitimou as duas crianças, seus pais eram vendedores em feiras agropecuárias. Ao saírem da cidade de Rondon do Pará, pela rodovia BR 222 (então PA-70), num trecho da estrada encontraram um veículo estacionado com duas pessoas. “A intenção era ajudar aquelas pessoas à beira da rodovia”, lembrou o pároco Dalvan, da igreja São João Batista.

A ajuda se transformou em tragédia, quando o temido policial militar Aragão assassinou o pai das meninas e ainda um amigo que o acompanhava. Em seguida, conduziu a mãe em companhia das crianças até a comunidade de Goianésia. Distante dali 8 quilômetros cometeu o assassinato das crianças. A barbárie cometida pelo soldado ficou conhecida em todo o Estado. Era uma noite de 17 de setembro. O local se transformou em centro de encontro da fé, onde oi construída uma capela e estrutura para receber os romeiros de várias cidades da região.

São crianças, jovens e adultos que caminham uma distância de 8 quilômetros pela rodovia estadual PA-263, saindo da paróquia. Durante quase três horas de caminhada, o trânsito é organizado pela Polícia Militar.

Eva Maria dos Santos, 55 anos, caminha com muita fé e disse à Reportagem que participa da romaria há 15 anos. “Sempre venho aqui para agradecer bênçãos alcançadas. Elas são santas”.

O bispo diocesano Dom Vital Corbellini celebrou a missa na manhã desta segunda-feira em homenagem à 36ª Romaria da Libertação. Em seu discurso, emocionado, ele citou a violência contra as crianças e mulheres. “Queremos menos violência no Brasil, pois diariamente crianças e mulheres são vítimas”.

Em suas palavras à multidão, o bispo lembrou o valor da família para uma sociedade preocupada com o futuro. “A família é o berço de tudo. E neste momento oportuno chamo a atenção de todos para o caminhar de nossas famílias”.

Por Antonio Barroso – de Jacundá

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