Produção da Vale encolhe quase 7% em Parauapebas

Resultado é entre 1º trimestre deste ano e mesmo período do ano passado. Frente aos últimos três meses de 2019, declínio da Serra Norte de Carajás ultrapassa 30%, um desastre histórico.
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Pior que o esperado. Esse é o resultado da produção física de minério de ferro da multinacional Vale no complexo de Carajás, conhecido na cartografia de negócios da empresa como Sistema Norte. Nos primeiros três meses consolidados deste ano, a mineradora lavrou 39,9 milhões de toneladas (Mt) no complexo, 2,7% a menos que as 41,02 Mt do mesmo período do ano passado. Se comparados os três primeiros meses deste ano com os três últimos de 2019, quando foram lavrados 50,73 Mt, a queda de produção é chocante: 21,3%.

As informações foram levantadas pelo Blog do Zé Dudu, que analisou o “Relatório de Produção e Vendas da Vale no 1º Trimestre” divulgado ontem, sexta-feira (17), aos mercados. Para além da queda na produção de minério de ferro paraense, a baixa por unidade de produção foi mais acentuada na Serra Norte de Carajás, onde ficam as minas de Parauapebas. Lá houve um recuo superior, inclusive, à média de Carajás. No primeiro trimestre deste ano, foram lavrados 21,48 Mt ante 23,03 Mt no mesmo período de 2019, baixa de 6,7%

Porém, a queda de Parauapebas é ainda mais brusca quando pareada com a produção efetiva do último trimestre do ano passado, de 31,44 Mt, o que eleva a taxa de queda a 31,7%, algo pouco comum no histórico da Serra Norte. O complexo de Carajás como um todo só não teve desempenho ainda pior porque a produção de 18,42 Mt na mina de S11D, município de Canaã dos Carajás, salvou o trimestre, avançando 2,4% frente à produção de 17,99 Mt registrada ano passado, embora tenha caído 4,5% no comparativo com o final de 2019, quando foram produzidos 19,29 Mt.

Três fatores

De acordo com a Vale, as principais causas para um resultado tão ruim em Carajás foram: manutenção no transportador de correia de longa distância, condições climáticas mais severas que o habitual e restrições operacionais em Serra Norte, relacionadas à postergação no start-up em Morro 1. Esses fatores acarretaram perdas na produção da ordem de 4,5 Mt.

Segundo a multinacional, um acidente com correia transportadora em Moçambique levou à revisão de todas as correias e à manutenção não programada no transportador de correia de longa distância em S11D. Já as “águas de março” aumentaram os níveis de umidade do minério, exigindo período mais longo de secagem em pátios de estocagem, o que prejudicou a capacidade de armazenamento no porto e forçou a desaceleração na atividade de lavra.

Além disso, restrições operacionais em Serra Norte, relacionadas à postergação da nova frente de lavra de Morro 1, cuja licença ambiental só saiu em dezembro de 2019, contribuiu para o trimestre fraco. E ainda tem a paralisação das atividades na mina de Serra Leste, no município de Curionópolis — o que não foi reportado pela Vale em seu relatório.

Novo Coronavírus

A multinacional projeta um 2020 com 90 Mt de minério de ferro em Canaã dos Carajás e 113 Mt em Parauapebas. Mas para alcançar a meta terá de vencer, entre outros fatores, a pandemia do novo coronavírus, que trouxe transtornos desde a China, maior consumidora global do minério de Carajás e onde o vírus surgiu, até as frentes operacionais no Brasil, que no momento luta contra o avanço da pandemia em todos os estados.

A Vale informou ao mercado que “as incertezas decorrentes da pandemia da Covid-19 podem afetar as expectativas de produção” e que “vem adotando medidas conservadoras”, como operar com contingente mínimo de trabalhadores em frentes de produção, remover grupos de risco e trabalhadores que potencialmente tiveram contato com casos suspeitos de infecção.

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