Prefeitura de Parauapebas vai receber ‘horror’ de dinheiro já já: R$ 132 milhões

Rico financeiramente, município tem acumulado várias misérias, como esgoto a céu aberto, violência, desemprego e pobreza, e segue despreparado para enfrentar o futuro
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É terrivelmente positiva a quantia que, de uma só vez, vai cair na conta do Banco do Brasil administrada por Darci Lermen em nome da Prefeitura de Parauapebas: R$ 132.291.402,80. Isso mesmo, nas próximas horas, os cofres do município serão abarrotados com mais de R$ 130 milhões para o governo municipal usar e abusar. As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu.

Na manhã desta quinta-feira (6), a Agência Nacional de Mineração (ANM) liberou as cotas da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) a que as localidades com indústria mineral fazem jus, e a parte de Parauapebas ficou nesse valor extraordinário por causa dos R$ 105.089.438,78 que a Câmara de Vereadores conseguiu resgatar junto à mineradora multinacional Vale, que reconheceu repasses a menor ao município. Outros R$ 27 milhões são referentes aos royalties “normais” e frutos da atividade mineradora da multinacional no mês de abril.

Esta é a terceira vez na história em que a Prefeitura de Parauapebas pega mais de R$ 100 milhões de uma vez em royalties. Os registros multimilionários anteriores ocorreram em 2013, quando em fevereiro (R$ 128.023.565,36) e março (R$ 117.796.386,60) a então gestão de Valmir Mariano abocanhou valores grandiosos, também oriundos de royalties questionados à Vale.

Dinheiro é problema?

Hoje, dinheiro não é o problema em Parauapebas. Mas também não é a solução. E seu excesso é, comprovadamente, mais problema que solução. Para se ter ideia, tudo o que a prefeitura local vai receber, de uma vez e em apenas um clique, é muito maior que a arrecadação inteira da Prefeitura de Xinguara (R$ 120,65 milhões) e Conceição do Araguaia (R$ 88,33 milhões). No entanto, se não investir em educação, saúde, saneamento básico e medidas de geração de emprego e renda, potencializando o desenvolvimento local, a dinheirama vai desaparecer nos gastos sempre muito excessivos da rica administração.

Parauapebas apresenta muito pouco resultado prático para o que arrecada. A população sente na pele, por exemplo, o drama do esgoto a céu aberto, o fantasma do desemprego e a violência galopante. Na periferia, o número de pessoas pobres totaliza 64 mil, quase 22 mil das quais em situação de extrema pobreza, de acordo com o Ministério da Cidadania. É um verdadeiro paradoxo: muitos milhões para uma só gestão morder enquanto milhares de pessoas passam fome em algum lugar das esquecidas periferias da capital do minério.

Ricaço, o município é desigual, injusto e desfila sem cerimônia no topo do ranking de violência faz tempo. Para piorar, o grosso recurso — que deveria ser utilizado para erradicar as mazelas e resolver os intermináveis problemas sociais por que passa — vai começar a ficar escasso num futuro não muito distante, à medida que as reservas minerais da Serra Norte de Carajás forem se esgotando na década que vem e as reservas da Serra Sul, em Canaã dos Carajás, forem priorizadas.

Sem que a população saiba o destino de tanto dinheiro e não perceba uma sensação de qualidade de vida que deveria ser, no mínimo, compatível com a da Europa, os recursos vão entrando e saindo da mesma maneira: incólumes. E o futuro, despreparado no presente, segue sombrio em meio ao misterioso submundo de cifrões.

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