Parauapebas vira assunto internacional em estudo sobre expectativa de vida

Capital do minério tem dois lados de mesma moeda: é a cidade com proporcionalmente menos mortes por câncer e doenças do coração, mas é a mais mortal para acidentes não intencionais.
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Continua depois da publicidade

Entre as grandes e médias cidades com mais de 100 mil habitantes dos países mais ricos da América Latina, Parauapebas tem a menor taxa de mortalidade por câncer no Brasil e, em contrapartida, o maior índice de letalidade por acidentes não intencionais. É o que divulga a nova rodada do projeto Saúde Urbana na América Latina (Salurbal), que estuda como as políticas e o ambiente urbano afetam a saúde dos moradores das cidades latino-americanas. A publicação saiu na revista científica Nature (veja a integra do estudo aqui: https://www.nature.com/articles/s41591-020-01214-4).

O projeto, que pesquisa e acompanha 363 cidades em países como Brasil, México, Argentina, Colômbia, Peru e Chile, mostra também que Parauapebas está entre as 15 cidades com a pior expectativa de vida do continente e na 3ª pior posição do Brasil. A expectativa de vida é o indicador calculado a partir de diversos fatores sociodemográficos e por meio do qual se deduz os anos de uma pessoa, do nascimento até a morte.

Em Parauapebas, a expectativa de vida média é de 75,9 anos — só não mais baixa que a de Guarapuava (PR), com 75,6 anos, e Caxias (MA), com 75,8 anos, e cidades localizadas no México, na Colômbia e no Peru. De acordo com o Salurbal, vive-se menos no maior produtor de minério de ferro de alto teor do mundo que em Marabá, que também aparece no estudo e cuja expectativa de vida média é de 76,4 anos. As cidades paraenses de Santarém (77,1 anos), Castanhal (77,3 anos) e Belém (77,9 anos) também são listadas.

No Brasil, as 10 cidades com maior expectativa de vida estão nas regiões Sul e Sudeste e as 10 com menor expectativa de vida estão no Norte e Nordeste. Dentro do país, há um recorte norte-sul muito importante, com desigualdades regionais marcantes, como se dividissem a qualidade de vida dos brasileiros em padrões similares ao europeu (no Sul) e ao africano (no Norte).

Parauapebas retratada com destaque

No site da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um dos parceiros do projeto Salurbal, Parauapebas é retratado com extremos (confira a reportagem aqui). A mais rica cidade do interior da Região Norte é onde menos se morre por câncer e por doenças cardiovasculares entre as pesquisadas, em compensação é a campeã em óbitos decorrentes de acidentes não intencionais.

O Blog do Zé Dudu observa, contudo, que os dados da pesquisa do projeto Salurbal são diferentes dos estabelecidos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que faz o recorte oficial da expectativa de vida com base em dados do censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o Pnud, a expectativa de vida em Parauapebas subiu de 65,69 anos em 1991 para 68,57  anos em 2000 e alcançou 73,55 anos em 2010.

Pelo censo, Belém saltou de 67,62 anos em 1991 para 74,33 anos em 2010; Santarém, de 63,58 anos para 73,44 no mesmo período; Castanhal, de 64,1 anos para 72,97 anos; e Marabá, que teve o maior avanço, de 61,8 anos em 1991 para 72,09 anos em 2010.