Uma viagem em um ônibus da Transbrasiliana com origem em Belém e tendo como destino o município de São Félix do Xingu realizada no início da semana durou nada mais nada menos que 36 horas para chegar ao destino final. Além das péssimas condições das estradas, o veículo, em péssimo estado de conservação, pifou cinco vezes durante o percurso de 1.100 quilômetros.
Confira aqui o vídeo com a reportagem exibida no SBT Brasil que mostra o descaso do governo do Estado com o sul do Pará e quão sucateados estão os ônibus intermunicipais da Transbrasiliana, empresa que detém, há quase meio século, a concessão para atender os paraenses no transporte intermunicipal.
Se acrescentarmos o estado da frota que atende o sul do Pará pela empresa Transbrasiliana ao péssimo estado das estradas e finalizarmos com a falta de segurança que existe para quem usa o transporte intermunicipal no Pará, poderíamos dizer que esse usuário é um vencedor, um sobrevivente.
Enquanto isso, na sala de justiça, políticos são cortejados pela empresa com vultosas doações para campanhas eleitorais. Em troca, recebem o alvará para nos presentear com esse serviço meia boca e o silêncio de quem foi eleito para denunciar os desmandos e irregularidades nos serviços e preços.
Em 2009, a deputada estadual Bernadete Ten Caten (PT) fez reiteradas denúncias quanto ao serviço prestado pela Transbrasiliana, cobrou que uma nova licitação para o setor fosse feita ( a última e que está em uso foi feita há 30 anos), todavia, até o momento nada mudou.
Em maio de 2012, durante sessão de arguição da ex-deputada Suzana Carvalho Lobão para diretora de Normatização e Fiscalização, e da administradora Waldineise Souza de Alencar para a diretoria de Controle Financeiro e Tarifário, indicadas pelo governador Jatene para assumir a direção da Arcon ( órgão que tem como objetivo estabelecer normas e fiscalizar a execução dos serviços públicos de competência do Estado, ou que lhe tenham sido delegados, e que são operados pelo setor privado através de concessão, permissão, ou autorização ), a deputada petista reiterou as denúncias e recebeu das novas diretoras a garantia de que os problemas do transporte intermunicipal no Pará relatados por ela iriam ser resolvidos.
Até agora nada foi feito. Não houve nova licitação, não houve a melhoria nos serviços, não houve a melhoria na frota. Sei lá se houve, pelo menos, uma admoestação da nova diretoria da Arcon em relação a Transbrasiliana. Enquanto isso, o que se vê são casos como o relatado pelo SBT, que mostram o descaso de quem teria a incumbência de cobrar e a vadiagem da concessionária que faz o que quer em virtude da falta de cobrança.
