O último debate

O Globo Sem ataques, Dilma e Serra discutem, na Rede Globo, problemas levados por eleitores indecisos. Finalmente, um debate de propostas sobre problemas concretos. Numa clara tentativa de evitar o …

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Sem ataques, Dilma e Serra discutem, na Rede Globo, problemas levados por eleitores indecisos. Finalmente, um debate de propostas sobre problemas concretos.

Numa clara tentativa de evitar o clima de guerra que adotaram nos outros debates no segundo turno, os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) se concentraram em responder aos temas propostos pelos eleitores indecisos, que relataram seus problemas reais e pediam soluções, no último debate da eleição, realizado ontem à noite pela Rede Globo. Serra provocou sutilmente Dilma ao falar de corrupção e de inflação.

Mas, na maior parte do tempo, listaram propostas para temas como funcionalismo, agricultura, segurança, saúde e saneamento.

Ao responder à pergunta do advogado Lucas Andrade, do Distrito Federal, sobre a sucessão de escândalos envolvendo políticos no país, Serra afirmou que a corrupção no país “chegou a níveis insuportáveis”. Na réplica sobre o tema, ele citou o caso dos aloprados, petistas envolvidos na compra de dossiê contra a campanha dele ao governo de São Paulo, em 2006. O tucano falou sobre escândalos que atingiram a política “nos últimos 20 anos”. Serra fez uma referência indireta a denúncias na Casa Civil, mas, diferentemente de outros embates, sem citar o nome do PT, da adversária Dilma ou da ex-ministra Erenice Guerra: — O exemplo tem de vir de cima.

Tem de ser implacável, não passar a mão na cabeça. Quando o chefe passa a mão na cabeça, é terrível, pois isso vai acabar se repetindo porque pessoas vão achar que estão protegidas.

Há casos até hoje insepultos. Lembra do dossiê dos aloprados? Tinha R$ 1,7 milhão que a polícia apreendeu, ninguém foi condenado, não tem processo. Esse é um péssimo exemplo — disse Serra.

Consenso sobre concursos públicos. O tucano defendeu a liberdade de imprensa ao dizer que é a mídia que “descobre grande parte das irregularidades e não pode ser inibida, pressionada”.

Dilma, na réplica da pergunta sobre corrupção, elogiou a atuação da Polícia Federal: — Nos últimos anos, reforçamos e profissionalizamos a Polícia Federal.

Começamos a ver uma série de casos de corrupção sendo apurados. E vimos pessoas de gradação mais elevada sendo presas. Mal feito, pode ter certeza, que em qualquer lugar que não houver investigação, vai acontecer. Tem que investigar e punir. E a PF é um dos maiores instrumentos de apuração.

A pergunta sobre agricultura familiar, feita a Dilma pelo funcionário público Robinson Luís, de Porto Alegre, foi usada como recurso para uma outra discussão: o risco da volta da inflação ao país. A questão apareceu na réplica de Serra: — O que precisa a agricultura? Precisa de renda. Para renda, precisa de crédito. Às vezes, ele não tem condição de pegar. Será necessário fazer uma reorganização ampla.

Com política de juro alto e moeda valorizada, o agricultor (gaúcho) perde competitividade para a Argentina e o Uruguai. E infraestrutura.

Ele precisa de estrada, e 40% da armazenagem são considerados ruins e falta estrada, isso encarece o preço do milho, etc. Estamos tendo aumentos imensos no preço do feijão, do arroz, leite, açúcar, carne.

Não são aumentos sazonais. A inflação de alimentos está o dobro da inflação do consumidor médio.

Dilma defendeu a política de agricultura familiar implementada na gestão Lula. E também reagiu a Serra: — Nós aumentamos o crédito, que era de R$ 4,2 bilhões, para R$ 16 bilhões, e o crédito da agricultura, principalmente a familiar, é feito com juros subsidiados, porque tem sentido social. Criamos o seguro agrícola e isso tem sido responsável pela diminuição da pobreza e o aumento da renda. Eu vou ampliar o programa de compra direta de alimentos do agricultor familiar.Vou ampliar de 700 mil (agricultores) para mais 500 mil.

Esse momento de aumento de preços de alguns alimentos é sazonal, isso aconteceu em outros momentos.

Por isso a inflação está em torno de 5,1% — defendeu Dilma, A valorização do funcionalismo público uniu Dilma e Serra. O tucano voltou a defender a concessão de benefícios por mérito e a aposentadoria integral para os funcionários públicos, “porque eles têm dedicação integral”. Já a petista disse que era uma tradição tratar mal o funcionário público. A partir daí, fez um balanço da gestão Lula, lembrando dos concursos públicos. E falou de educação, dizendo que o governo tem valorizado os professores: — Sou contra serviços terceirizados e precários na função pública — afirmou a petista.

Um outro tema que preocupou os indecisos foi a segurança. À pergunta feita pela costureira de Fortaleza Vera Lúcia Bezerra, Dilma reconheceu as limitações da União: — É uma situação tão grave que a União é obrigada a fazer cooperação entre estados e municípios, por exemplo, pagando bolsa aos policiais. Eu proponho a criação de políticas comunitárias.

Serra defendeu uma ação mais enérgica do governo federal: — Pela constituição cabe aos estados, mas o governo federal deve se jogar nessa luta, principalmente combatendo contrabando de drogas e armas.

A droga entrando, ela gera o crack e fomenta o crime — disse Serra, que defendeu a criação de um cadastro nacional de criminosos.

Dilma afirmou que o cadastro já existe e que o governo Lula policia fronteiras.

O debate, realizado no estúdio da Central Globo de Produção, contou com a participação de 80 eleitores indecisos, que foram selecionados pelo Ibope em todas as regiões do país. Esses eleitores redigiram perguntas importantes para o futuro na nação, escolhendo temas definidos pela produção.

Seguindo as normas acertadas com os candidatos, o debate teve três blocos. Em cada um deles, quatro eleitores fizeram perguntas. O primeiro candidato a responder em cada bloco foi definido por sorteio. As respostas, as réplicas e tréplicas tiveram duração de dois minutos.

Após o fim do terceiro bloco, Dilma e Serra fizeram suas considerações finais, encerrando o último debate da campanha

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