Nota pública do MST sobre a Fazendinha, em Curionópolis

O Blog recebeu nota da Coordenação do MST no Pará sobre a situação na área denominada Fazendiha, na PA-275, entre os municípios de Curionópolis e Parauapebas. Leia a nota na íntegra:

Enquanto o latifúndio quer guerra, nós queremos terra para trabalhar!

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem a público para mais uma vez se manifestar por meio de nota.

Somente neste ano de 2017, em três meses, nós do MST estamos denunciando publicamente a Violência no Campo no Pará com ações em Memória aos 21 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás e declarações diárias sobre o acirramento dos conflitos no campo.

No mesmo dia em que realizávamos em Belém, junto com outras organizações do campo, o Seminário e Ato Nacional Contra a Violência no Campo. Em uma ação de desespero e cansados de tanto esperar, as famílias do acampamento Frei Henri, localizado na Fazenda Fazendinha, município de Curionópolis, PA 275 reocuparam a sede da fazenda em que estão acampados há mais de sete anos. Uma terra comprovadamente pública, da União que pela morosidade da justiça, não avança para que possa cumprir sua função social.

A terra é de quem trabalha! As famílias do acampamento Frei Henri produzem alimentos saudáveis e estão entre os principais fornecedores para os municípios próximos. O acampamento também serve de referência na saúde e educação, atendendo famílias que moram no entorno. Desde 2010, o INCRA de Marabá conclui através de laudos que a área é improdutiva e grilada. Legitimamente comprovados! Perguntamos: até quando as famílias camponesas irão esperar?

Até quando os fazendeiros da região que ameaçam, intimidam as famílias vão continuar agindo com a conveniência das autoridades? Quando as autoridades tomarão atitudes enérgicas diante da iminência de mais violência em relação aos trabalhadores e trabalhadoras rurais?

O acirramento do conflito aumenta e o discurso permanece o mesmo contra os trabalhadores e trabalhadoras: destroem a propriedade, matam e roubam gado. Obviamente os fazendeiros não dizem dos ataques e intimidação às famílias acampadas COM TIROS E BOMBAS EM DIREÇÃO AO ACAMPAMENTO E PISTOLEIROS ARMADOS CIRCULANDO DENTRO DA FAZENDA.

Rafael Saldanha, Dão Baiano, Joaquim Roriz, Eudério Coelho, Marcelo Catalão, Darlon Lopes e tantos outros fazendeiros que se manifestam publicamente contra os trabalhadores e trabalhadoras rurais anunciam claramente suas ameaças e criminalização do MST e nenhuma providência será tomada pelas autoridades?

Omissão, Inoperância e morosidade é o que define os órgão públicos responsáveis para solucionar o conflito agrário na região. Foram 18 mortos no campo este ano no Pará e a violência só aumenta. Queremos ações efetivas do INCRA Marabá e Polícia Federal no Estado a presença da Delegacia Conflitos Agrários (DECA) e demais órgãos de segurança pública, pois reafirmamos que estamos diante de iminente conflito.

As Famílias do Acampamento Frei Henri permanecerá na área, resistindo para que se faça valer a Apelação Cível do Desembargador Federal Souza Prudente de retirada do Fazendeiro Darlon Lopes. Esperamos que haja celeridade ao processo para efetivação da execução da liminar de despejo e imediata criação do Assentamento das famílias Sem Terra.

Coordenação Estadual do MST Pará

LUTAR, CONSTRUIR REFORMA AGRÁRIA POPULAR!

Posts relacionados

Prefeitura de Parauapebas é interditada pelo MST

Cerca de cento e cinquenta pessoas ligadas ao  Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outra organizações do campo ocupam nesse momento a sede prefeitura de Parauapebas. Segundo o MST, a ação faz parte da Mobilização dos Trabalhadores para que o “governo tome medidas distributivas da Compensação Financeira pela Exploração

17 de abril: MST prepara evento na Curva do S para lembrar a morte de 19 sem-terra

Para lembrar os 22 anos do episódio que ficou conhecido como “Massacre da Curva do S”, ocorrido em 17 de abril de 1996, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) realiza nesta terça-feira (17), das 9h às 13h, Ato Ecumênico seguido de Ato Político. Para Tito Moura, um dos líderes do movimento, é uma forma de não deixar a luta morrer, embora a Reforma Agrária não tenha avançado, apesar do sacrifício das 19 vidas. Durante a manifestação, o tráfego deve ficar lento na Rodovia BR-155, por conta

Prefeitura de Parauapebas é interditada pelo MST

Cerca de cento e cinquenta pessoas ligadas ao  Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outra organizações do campo ocupam nesse momento a sede prefeitura de Parauapebas. Segundo o MST, a ação faz parte da Mobilização dos Trabalhadores para que o “governo tome medidas distributivas da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) no município e nas políticas públicas efetivas de distribuição de renda para os trabalhadores”. A ação também denuncia “a paralisação e abandono da Reforma Agrária pelos

Vigia da Fazenda Cedro é baleado em ataque três meses após a propriedade ter sido desocupada

Por Eleutério Gomes – Correspondente em Marabá A Fazenda Cedro, localizada na Rodovia BR-155, a 30 quilômetros de Marabá, foi alvo de um ataque na noite de ontem, sexta-feira (23), por volta das 22h45. A propriedade, que pertence à Agro Santa Bárbara (AgroSB), ficou ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) durante oito anos. Em novembro do ano passado, foi desocupada por força de Ação de Reintegração de Posse, mas ali não havia mais gado, máquinas, casas, tratores nem implementos: tudo foi destruído