No Dia da Abolição da Escravatura, servidores de Canaã falam de avanços e desafios do negro

Carlos Magno, Rolsema Milani e Talita Ferreira ressaltam a importância da data na luta por espaços e voz.
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“É uma data marcante e importante. Tivemos avanços, mas sabemos que continuamos tendo problemas na nossa sociedade, e é preciso continuar avançando”. Assim, o assessor da Secretaria de Governo, Carlos Magno, resume a data de hoje, 13 de maio, em que se relembra os 132 anos da assinatura da Lei Áurea, que pôs fim aos 388 anos de escravidão no Brasil. Nosso, país portanto, foi o último da América latina a abolir a escravidão.

Carlos Magno, hoje servidor público, tem uma história de sucesso, que demonstra que, com oportunidades, o negro pode ocupar todos os espaços na sociedade. Comunicador, ele é bastante conhecido no município pelos seus programas de rádio. Por meio deles, realizou muitos sonhos de infância, como o de cobrir jogos da Seleção Brasileira, agendas presidenciais, e até a visita ao Brasil do ex-presidente norte-americano Barack Obama, único negro a comandar a Casa Branca e um dos homens mais influentes e admirados do mundo. Magno também já ocupou a titularidade da Assessoria de Comunicação do município.

Roselma Milani, professora formada pela Universidade Vale do Acaraú e mestranda em Educação, é hoje Secretária Municipal de Educação de Canaã. Ela endossa a afirmação de Carlos Magno. “Essa data é importante, pois representa a consolidação da luta ancestral do povo negro no Brasil pela sua libertação”, disse. “Mas ainda enfrentamos muitos desafios enquanto pessoa negra”, complementou.

Na opinião dela, nas últimas décadas, o empoderamento da pessoa negra e a valorização da sua cultura, do seu biotipo, suas características e sua luta ancestral “tem elevado os negros, cada vez mais aos lugares que eles merecem”. Ex-aluna de escola rural multiseriada, Roselma é, ela própria, um exemplo de que homens e mulheres negras podem ocupar espaços de comando.

Juventude e consciência

A jovem Talita da Costa Ferreira, de 20 anos, já tem um largo currículo de ativismo, apesar da pouca idade. Nascida em Tucuruí e criada em Canaã, ela já morou em Moçambique, na África, onde o pai trabalhou, e acompanhava a mãe em atividades missionárias no país. Foi vivendo na África que ela percebeu o vácuo de políticas públicas voltadas para a população negra lá, e retornou ao Brasil disposta a participar mais ativamente da luta por igualdade.

“Penso muito na política pública, pois ela vai ajudar muito mais que o assistencialismo”, disse. Talita hoje é assessora especial na Diretoria da Mulher do município. No dia a dia, auxilia mulheres a acessar as ações que a prefeitura disponibiliza.

Talita já conviveu com o racismo velado no cotidiano e destaca: “Precisa melhorar muita coisa. O Brasil é um país que tem um racismo velado. A gente evoluiu, mas é uma evolução gradual”. Para isso, ela reforça, que conscientizar a juventude é essencial. “Quando você une um grupo de pessoas e reúne ideias é possível levá-las adiante”, decreta.

Valorização

Roselma destaca que a valorização do negro e o combate ao racismo também estão presentes no dia a dia das escolas. “Valorizamos a cultura afrobrasileira, a cultura negra e a contribuição dessa cultura, da nossa língua, da nossa gastronomia, em todas as áreas do nosso país”, afirmou.

“Celebramos o dia 13 de maio, o dia 20 de novembro, esse tema é abordado em nossas escolas de forma integral, transversal e interdiscipilinar”, concluiu.

Com informações da prefeitura

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