Nem pandemia impede aumento de produção da Vale

Impacto sobre produção foi maior no segundo semestre, mesmo assim houve aumento de quase 6% ante o mesmo período do ano passado
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Complexo S11D, mina de minério de ferro explorada pela Vale no Pará

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Brasília – Os efeitos econômicos na produção das empresas foram devastadores após os da pandemia mundial ocasionada pela disseminação do novo coronavírus, exceto em algumas áreas, a mineração, por exemplo; principalmente se a empresa for a Vale que conseguiu aumento de 5,5% na produção, mesmo diante das dificuldades causadas pela covid-19. As operações da empresa cresceram no segundo trimestre do ano, ante o mesmo período em comparação com o ano passado.

A mineradora produziu 67,59 milhões de toneladas de minério de ferro ante 64 milhões de toneladas em abril-junho de 2019. E continua confiante que vai cumprir a meta de produção para o ano, mas assumiu que o cenário mais provável é atingir o piso de 310 milhões de toneladas de minério de ferro em 2020. A meta considera uma banda cujo teto é de 330 milhões de toneladas de produção este ano, que parece mais distante de ser alcançado.

No relatório de produção do segundo trimestre, divulgado na noite de ontem (20), a Vale estimou uma perda de produção de 9,8 milhões de toneladas de minério de ferro pelos efeitos da covid-19, sendo 3,5 milhões de toneladas referentes ao período abril-junho e 6,3 milhões de toneladas previstas para o segundo semestre do ano. 

Afetaram a produção de minério de ferro: a suspensão temporária do Complexo de Itabira, que ficou parado por 12 dias, e o aumento do absenteísmo (ausência de trabalhadores) por força da quarentena no sistema Norte (Pará-Maranhão), a partir da adoção de um protocolo de testes, rastreamento e tratamento dos trabalhadores. Outra efeito da pandemia que afetou a produção de minério de ferro foi o adiamento de manutenções e a retomada de algumas operações previstas – caso das minas de Timbopeba, Fábrica e Complexo de Vargem Grande, todas em Minas Gerais –, o que terá impactos negativos na produção de 2020.

A companhia informou ainda que perdas de volumes adicionais relacionadas ao absenteísmo pelos efeitos da covid-19 não podem ser completamente descartadas para os próximos trimestres. Afirmou, no entanto, que os níveis de absenteísmo estão em dois terços do pico de abril, e acrescentou: “Existe um buffer [colchão] importante para ajudar a mitigar esse risco”.

Conta a favor da Vale, a partir de agora, a questão sazonal: o fato de o segundo semestre do ano ser sempre mais forte em termos de produção do que o primeiro trimestre, sujeito a chuvas que reduzem os volumes produzidos. A mineradora disse que o S11D, localizado no complexo Carajás, em Parauapebas e Canaã dos Carajás, no Pará, e o maior empreendimento de minério de ferro da empresa, deve terminar o ano produzindo um volume acima de 85 milhões de toneladas. 

A empresa informou ainda que recebeu autorização para retomar as operações em Serra Leste, em Carajás (PA), que possui 6 milhões de toneladas por ano de capacidade de produção, e informou que manutenções estão em andamento para que haja uma retomada segura da produção no local, prevista para o último trimestre do ano.

A Vale também informou ter vendido 54,6 milhões de toneladas de minério de ferro no segundo trimestre, com queda de quase 12% sobre igual período do ano passado. Em relação ao primeiro trimestre do ano, houve um aumento de 5,7% em volume de vendas. Considerando vendas de minério de ferro e pelotas, o total chegou a 61,5 milhões no segundo trimestre do ano, com queda de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. A Vale disse ainda que revisou a meta de produção de pelotas para 30 milhões a 35 milhões de toneladas ante um número anterior de 35 milhões a 40 milhões.

Por Val-André Mutran – de Brasília