Marabá: Operação do MP cerca prefeitura e chega à casa do prefeito

Agentes passaram cerca de cinco horas na residência de Toni Cunha; documentos, computadores e outros materiais foram recolhidos em vários endereços
Casa do prefeito (Foto: Redes Sociais)

Uma operação do Ministério Público do Pará (MPPA) atingiu em cheio a administração municipal de Marabá nesta sexta-feira (2), como já informado pelo Blog do Zé Dudu. Equipes do órgão cumpriram mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados à prefeitura e passaram cerca de cinco horas dentro da residência do prefeito Toni Cunha (PL), em um condomínio de luxo da cidade.

A movimentação chamou a atenção no condomínio. Pelo menos oito integrantes da equipe do Ministério Público, além do promotor de Justiça Arnaldo Azevedo, participaram das diligências na residência do prefeito. Os agentes chegaram em três veículos descaracterizados e deixaram o local levando malotes com documentos e outros materiais, cujo conteúdo ainda não foi divulgado.

A operação foi coordenada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do MPPA, com apoio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Polícia Judiciária.

Antes de chegar à residência do prefeito, equipes já haviam passado por outros pontos da administração municipal. Entre os locais vistoriados estão a Secretaria Municipal de Viação e Obras Públicas (Sevop), onde funciona também o gabinete de Toni Cunha, o Centro Administrativo da Prefeitura, na Folha 26, e o Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM).

Endereços ligados ao chefe de gabinete da Prefeitura, Ítalo Ipojucan, também foram incluídos nas buscas. Ipojucan é sogro do prefeito e já ocupou o cargo de secretário municipal de Obras.

Na residência de Cunha, funcionários da casa permaneceram do lado de fora durante a ação. Ipojucan também ficou na área externa enquanto os agentes realizavam as buscas no imóvel. Durante a operação, permaneceu boa parte do tempo ao telefone.

Contratos na mira

Embora o Ministério Público mantenha a investigação sob sigilo, informações relacionadas à operação apontam que as diligências apuram suspeitas de irregularidades em contratos e procedimentos administrativos da prefeitura.

Entre os pontos investigados estão supostos desvios de recursos públicos, problemas em contratações, adesões suspeitas a atas de registro de preços e eventual superfaturamento.

Os investigadores estariam concentrando atenção especialmente em contratos relacionados à iluminação pública e à locação de caminhões utilizados na coleta de lixo.

Computadores, documentos, mídias digitais e outros materiais foram recolhidos para posterior análise. O exame do material deverá ajudar o Ministério Público a identificar se houve irregularidades e, eventualmente, dimensionar valores e responsabilidades.

MP mantém silêncio

Em nota, o Ministério Público confirmou a realização da operação em Marabá, mas informou que o procedimento investigatório criminal tramita sob sigilo judicial.

Segundo o órgão, por essa razão não podem ser divulgadas informações adicionais sobre os alvos, valores eventualmente envolvidos ou a dinâmica dos fatos investigados.

O MPPA afirmou ainda que a operação observa as determinações judiciais e o sigilo legal dos atos investigatórios.

PL assume defesa do prefeito

“O Partido Liberal – Diretório Estadual do Pará manifesta solidariedade irrestrita ao Prefeito de Marabá, Delegado de Polícia Federal Toni Cunha, diante da operação deflagrada nesta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, da qual tomou conhecimento com surpresa e que reputa indevida e desproporcional.

Os fatos que, segundo as informações até aqui divulgadas, motivaram a medida não são novos e já foram submetidos ao exame dos órgãos de controle competentes. A Câmara Municipal de Marabá os apreciou em agosto de 2025 e deliberou pelo arquivamento de todas as denúncias, por ampla maioria de seus vereadores.

O Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Pará, por sua vez, analisou tecnicamente os mesmos atos de gestão e concluiu pela inexistência de irregularidade, registrando que foram praticados em conformidade com a lei.

Diante desse histórico, causa estranheza que providência de tamanha gravidade seja executada às vésperas das eleições, quando seus efeitos sobre o debate público são imediatos e de difícil reparação. O Partido não formula juízo sobre as razões que a determinaram, mas entende que a coincidência de datas merece ser esclarecida à sociedade.

O Partido Liberal reafirma seu respeito às instituições e sua confiança de que a apuração, conduzida com isenção e observância do devido processo legal, confirmará a regularidade dos atos examinados. Reafirma, igualmente, sua convicção na probidade e na retidão da conduta do Prefeito Toni Cunha, cuja trajetória na Polícia Federal e na vida pública sempre se pautou pelo cumprimento da lei.

Dep. Joaquim Passarinho Presidente Estadual do PL – Pará”

Prefeitura também emite nota

“A Prefeitura de Marabá esclarece, em relação às diligências realizadas nesta sexta-feira, 2 de outubro, em setores da gestão municipal, que os processos licitatórios mencionados nas investigações foram feitos dentro da legalidade, sendo inclusive analisados pelos órgãos de controle competentes.

O Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Pará (TCM-PA), após análise dos referidos processos, não identificou irregularidades, conforme consta nas manifestações jurídicas nº 124/2025, referente ao Processo nº 1.042001.2025.2.0027, e nº 120/2025, referente ao Processo nº 1.042001.2025.2.0026, nas quais é destacada a conformidade dos procedimentos com a legislação.

A Prefeitura de Marabá ressalta que atua com transparência e a legalidade em seus processos de contratação e permanece à disposição para colaborar com quaisquer investigações, prestando as informações e o suporte necessários aos órgãos de controle e fiscalização.”

(Eleutério Gomes, de Marabá)