Gaeco cumpre mandados em endereços ligados à Prefeitura de Marabá e mira contratos públicos

Ação alcança residência do prefeito Toni Cunha, endereço ligado ao secretário de Obras e dependências da Sevop e do SSAM; investigação apura suspeitas envolvendo contratações da administração municipal

A sexta-feira, 2 de outubro, começou sob forte movimentação policial em Marabá, no sudeste do Pará. Desde as primeiras horas da manhã, uma operação conduzida no âmbito do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), com atuação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e apoio policial, cumpre mandados de busca e apreensão em diferentes pontos da cidade.

Entre os endereços alcançados pela operação estão, segundo informações obtidas até o momento, a residência do prefeito Toni Cunha (PL) e endereço ligado a Ítalo Ipojucan de Araújo Costa, secretário municipal de Viação e Obras Públicas e sogro do chefe do Executivo municipal.

A operação também chegou a órgãos da administração pública. Equipes cumprem diligências na Secretaria Municipal de Viação e Obras Públicas (Sevop) e no Serviço de Saneamento Ambiental de Marabá (SSAM).

A presença simultânea dos agentes em residências e repartições públicas indica que os investigadores buscam documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam subsidiar a investigação. Até a publicação desta reportagem, porém, o MPPA ainda não havia divulgado oficialmente o balanço das diligências, a quantidade total de mandados expedidos, nem informado se houve apreensão de dinheiro, documentos ou equipamentos.

Operação cercada de sigilo até mesmo na Polícia Federal de Marabá

Segundo informações obtidas pela Reportagem, a operação desta sexta-feira foi cercada por um rigoroso esquema de sigilo. Delegados e demais integrantes da unidade da PF em Marabá não teriam sido previamente informados sobre as diligências e, conforme a apuração realizada até o momento, não participam da operação.

Ainda de acordo com fontes ouvidas pela Reportagem, os policiais federais que acompanham a operação do Gaeco vieram de Belém, sem participação da equipe lotada na delegacia da Polícia Federal em Marabá. A estratégia teria permitido que a mobilização permanecesse sob absoluta reserva até o início do cumprimento dos mandados, restringindo ao máximo o número de pessoas com conhecimento prévio das buscas.

A informação ganha relevância justamente pelo histórico profissional do prefeito. Antes de chegar ao comando do Executivo municipal, Toni Cunha construiu carreira como delegado da Polícia Federal de classe especial e chegou a chefiar a instituição em Marabá. Nesse contexto, o fato da unidade local da PF não ter sido previamente envolvida nas diligências evidencia o elevado grau de compartimentação de informações adotado na preparação da operação.

Até o momento, entretanto, não houve manifestação oficial da Polícia Federal ou do Ministério Público detalhando os protocolos utilizados para preservar o sigilo da ação nem confirmando as razões pelas quais a equipe local da PF não teria sido mobilizada. Essas informações são apresentadas com base na apuração da Reportagem e aguardam confirmação oficial das instituições envolvidas.

Contratos na mira

As informações preliminares apontam que uma das linhas de investigação envolve contratações realizadas pela administração municipal, incluindo adesões a atas de registro de preços.

Entre os negócios públicos que vêm despertando questionamentos políticos no município estão contratos relacionados à prestação de serviços, locação de equipamentos e veículos e iluminação pública. A investigação deverá esclarecer se houve irregularidades e, em caso positivo, identificar eventuais responsáveis, além da dimensão de possíveis prejuízos aos cofres públicos.

As suspeitas envolvendo contratações municipais já haviam provocado debates e questionamentos no cenário político de Marabá. Vereadores, empresários e representantes da sociedade local vinham cobrando esclarecimentos sobre procedimentos adotados pela administração.

A Câmara Municipal também registrou anteriormente discussões sobre possíveis irregularidades na administração do prefeito Toni Cunha. Isso, contudo, não significa que as suspeitas debatidas politicamente sejam necessariamente as mesmas investigadas na operação desta sexta.

Operação em andamento

A movimentação desta manhã coloca a administração municipal no centro de uma investigação que ainda está em curso. A extensão das diligências e o conteúdo do material eventualmente apreendido deverão ser conhecidos após manifestação oficial do Ministério Público.

É importante destacar que mandados de busca e apreensão não significam condenação nem comprovam, por si só, a prática de crimes. Cabe à investigação determinar se houve irregularidades, quem eventualmente participou delas e quais responsabilidades poderão ser atribuídas.

A Reportagem acompanha a operação e atualizará as informações assim que o Ministério Público do Estado do Pará divulgar o nome oficial da operação, o número de mandados, os crimes investigados, os contratos especificamente examinados e o resultado das buscas.

Confira nota emitida pela prefeitura de Marabá sobre o caso:

A Prefeitura de Marabá esclarece, em relação às diligências realizadas nesta sexta-feira, 2 de outubro, em setores da gestão municipal, que os processos licitatórios mencionados nas investigações foram feitos dentro da legalidade, sendo inclusive analisados pelos órgãos de controle competentes.

O Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Pará (TCM-PA), após análise dos referidos processos, não identificou irregularidades, conforme consta nas manifestações jurídicas nº 124/2025, referente ao Processo nº 1.042001.2025.2.0027, e nº 120/2025, referente ao Processo nº 1.042001.2025.2.0026, nas quais é destacada a conformidade dos procedimentos com a legislação.

A Prefeitura de Marabá ressalta que atua com transparência e a legalidade em seus processos de contratação e permanece à disposição para colaborar com quaisquer investigações, prestando as informações e o suporte necessários aos órgãos de controle e fiscalização.

O espaço permanece aberto para manifestação dos demais citados.

Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA 2627