Marabá: Crise faz crescer o movimento nas oficinas de sapateiros

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Por Eleutério Gomes – de Marabá

E a crise, quem diria? Chegou também aos pés dos brasileiros. Com pouco dinheiro em circulação, para muitos, na hora de vestir e calçar, é melhor reformar. E é o que vem acontecendo em grandes centros consumidores, onde até shoppings já abrigam oficinas de calçados, para as quais, discretamente, em sacolas, damas e cavalheiros levam sapatos e sandálias a fim de trocar salto ou solado, em vez de comprar outros; e bolsas para trocar o zíper. Pois, em tempos de vacas magras, mais vale pagar R$ 80,00 por um conserto que desembolsar R$ 200,00, R$ 300, R$ 400,00 por um novo.

Em Marabá não é diferente, segundo o sapateiro Francisco Vieira da Silva, 80 anos, 60 dos quais de profissão, depois “que a coisa apertou mesmo”, o número de pessoas que chegam à oficina dele, na Rua Benjamin Constant – Núcleo Pioneiro -, aumentou em 30%. “A maioria dos clientes aqui é de classe média. As mulheres são em maior número e, geralmente, pagam para trocar os saltos de sapatos e sandálias”, conta Gaspar, como é mais conhecido. O preço do conserto na oficina dele varia entre R$ 5,00 e R$ 50,00.

Gaspar

Já os homens o procuram para trocar solados, muitos são policiais militares, soldados do Exército e vigilantes, que em comum têm o uso do coturno. “Como o resto do calçado está bom e já moldado aos pés do dono, eles pagam para trocar o solado e ainda usam por muito tempo”, afirma o sapateiro, que se orgulha ter constituído família, construído casa e criado seis filhos – dos quais tem nove netos – só fabricando e consertando calçados.

Ele diz que hoje, devido à fabricação de calçados em grande escala pelas fábricas, deixou de produzir, só conserta, mas faz uma observação interessante: “A produção industrial também foi boa para os sapateiros. Pois, como sapatos e sandálias são produzidos em regiões de clima frio e seco, quando chegam aqui, no nosso clima quente e úmido, a primeira coisa que acontece é descolar o solado, mesmo que seja das melhores marcas. E aí onde é que eles vêm consertar?, indaga, sorrindo.

Outro sapateiro, João Evangelista do Amarante Souza, 67 anos, que há 23 anos deixou a construção civil e passou a consertar calçados, não fala em percentuais, afirma que, na sua oficina, na Feira da Folha 28, Nova Marabá, o movimento não caiu nem aumentou, mas admite que “desde que começou governo desse Temer aí”, muita gente vai ali consertar sapatos e sandálias que antes seriam abandonados num canto.

João-Evangelista-2

Assim como na oficina de Gaspar, a maioria dos consertos se dá nos saltos de sapatos e sandálias e as mulheres também são as que mais procuram consertar calçados. Um conserto feito por Evangelista pode chegar a R$ 80,00, “mas o sapato sai novinho”. Ele também afirma que calçado fabricado “lá fora quando chega aqui solta logo o solado, por causa do clima”.