O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Palácio do Planalto, acompanhado de integrantes da equipe econômica. A atualização ocorre 17 dias antes do primeiro turno das eleições de 2026.
Segundo o governo, a correção recompõe a inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) desde março de 2023, quando o atual formato do Bolsa Família foi relançado, até agosto de 2026. O benefício mínimo permanecia em R$ 600 desde então.
Novos valores começam em outubro
O reajuste terá efeito financeiro a partir de outubro. Além do benefício mínimo, outros componentes do programa também foram atualizados pelo decreto publicado nesta quinta-feira em edição extra do Diário Oficial da União.
O Benefício de Renda da Cidadania, por exemplo, passa de R$ 142 para R$ 164. Já o Benefício Primeira Infância sobe de R$ 150 para R$ 173, enquanto o Benefício Variável Familiar passa de R$ 50 para R$ 58.
Com a atualização dos valores, o governo estima que o benefício médio recebido pelas famílias atendidas pelo programa passe de cerca de R$ 675 para R$ 777. O valor efetivamente recebido por cada família varia conforme sua composição e os adicionais a que ela tem direito.
Impacto nas contas públicas
De acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o reajuste terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões nas despesas de 2026. Para 2027, o custo adicional projetado pelo governo é de aproximadamente R$ 22 bilhões.
O governo afirma que o aumento será acomodado dentro do espaço fiscal existente. Segundo Moretti, recursos que deixaram de ser necessários com a redução da fila de espera da Previdência poderão ser direcionados para financiar o reajuste.
A proposta de Orçamento de 2027 enviada anteriormente ao Congresso previa a manutenção do benefício mínimo em R$ 600. Com o novo reajuste, o governo terá de atualizar a proposta orçamentária para incorporar os novos valores.
Reajuste ocorre próximo ao primeiro turno
O anúncio foi realizado em 17 de setembro, enquanto o primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para o início de outubro. A proximidade entre as duas datas foi destacada por diferentes veículos de comunicação.
O governo, porém, apresenta o reajuste como uma recomposição inflacionária dos valores que estavam sem correção desde 2023. A proximidade com o calendário eleitoral é um dado objetivo, mas não permite, isoladamente, estabelecer que a decisão tenha sido tomada por motivação eleitoral.
Programa atende mais de 19 milhões de famílias
Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social mostram que o Bolsa Família atende atualmente cerca de 19,3 milhões de famílias. O pagamento referente a setembro começou nesta quinta-feira (17), ainda com os valores anteriores ao reajuste.
Para ter acesso ao programa, a família precisa estar inscrita no Cadastro Único e atender aos critérios de renda estabelecidos pelo governo. Também existem condicionalidades relacionadas à saúde e à educação, como acompanhamento pré-natal, vacinação e frequência escolar.
Os pagamentos com os valores atualizados começam a ser realizados a partir da folha de outubro.




