Juiz Jônatas Andrade recebeu ontem, no Rio de Janeiro, o Prêmio João Canuto, do MHud

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MHudO juiz federal do trabalho Jônatas Andrade, titular da 2ª Vara do Trabalho da Comarca de Marabá, recebeu ontem (09), na Casa de Cultura Laura l Alvin, no Rio de Janeiro, o Prêmio João Canuto 2013, outorgado pelo MHud – Movimento Humanos Direitos, que desenvolve uma série de atividades em prol da paz e dos direitos humanos e que tem um olhar especialmente voltado para os problemas do trabalho escravo, dos abusos praticados contra crianças e adolescentes, as questões dos quilombolas, do meio ambiente e dos povos indígenas.

O prêmio João Canuto é outorgado anualmente, durante o Fórum dos Direitos Humanos, às pessoas ou instituições que mais se destacaram no ano por alguma causa necessária.

Jônatas Andrade

imageO juiz Jônatas dos Santos Andrade, que é juiz federal do trabalho há  12 anos,  destacou-se por sua coragem em punir duramente pessoas e empresas acusadas de escravocratas, condenando uma empresa a pagar R$ 6.600.000,00 por danos morais; determinando o leilão do gado de um fazendeiro acusado de crimes contra os trabalhadores de Rondon do Pará. Por sua atuação firme, foi ameaçado de morte.

Coube à Jônatas Andrade participação na criação do GAETE – Grupo Interinstitucional de Erradicação do Trabalho Escravo – que mantem com recursos provenientes de condenações pela incursão no crime da escravização de pessoas.

Este ano o juiz recebeu da Presidente Dilma Rousseff o Prêmio Direitos Humanos 2012, na Categoria Erradicação do Trabalho Escravo.

João Canuto
Após várias ameaças de morte, o dirigente sindical, João Canuto, foi assassinado com 18 tiros, no dia 18 de dezembro de 1985. Ele era perseguido principalmente por sua luta pela reforma agrária. O crime foi planejado por um grupo de fazendeiros do sul do Pará, entre eles Adilson Carvalho Laranjeira, fazendeiro e prefeito de Rio Maria na ocasião do assassinato, e Vantuir Gonçalves de Paula. O inquérito foi concluído oito anos após a ocorrência do crime. A denúncia foi feita pelo Ministério Público apenas em 1996. Um ano depois, sob ameaça da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) de condenar o governo brasileiro pela demora na apuração dos fatos, o andamento do processo foi agilizado.

Em 1999, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana devido à lentidão na apuração do caso. Sob pressão de organizações de direitos humanos, em 2001, os dois acusados foram pronunciados como mandantes do assassinato.

Vale ressaltar, entretanto, que a perseguição e violência contra os trabalhadores rurais continuam na região. Cinco anos após a morte de Canuto três de seus filhos, Orlando, José e Paulo, foram sequestrados e dois deles foram assassinados. Orlando sobreviveu, mas ficou gravemente ferido. Expedito Ribeiro, sucessor de Canuto na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi assassinado em 2 de fevereiro de 1991. Um mês depois, Carlos Cabral, sucessor de Ribeiro e genro de Canuto, foi ferido num atentado a bala.

Premio J Canuto

Dr. Jônatas Andrade fez parte da mesa diretora com Roberto Caldas, juiz da Corte interamericana; Maurício Santoro, da Anistia Internacional; L´lio Bentes, Ministro do TST; Dirá Paes, diretora geral do MHud e Gabriel Rocha, secretário dos Direitos Humanos.