Jacundá comemora 60 anos e festejos começam hoje com shows

O município já pertenceu aos territórios de Baião e Marabá e foi inundado com a construção da barragem de Tucuruí, mudando de lugar
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A programação alusiva às comemorações dos 60 anos de emancipação político-administrativa do município de Jacundá, na região sudeste paraense, começou e vai terminar com atrações religiosas. Desde ontem até dia 29, data oficial do aniversário, a população terá uma seleção de shows.

Nessa segunda-feira (27) a atração foi a final do 1º Festival da Canção Gospel. Onde os finalistas vão se apresentar ao público e um júri formado por especialistas no assunto vai escolher o melhor cantor ou cantora gospel da cidade. De acordo com os organizadores, a competição reuniu candidatos de várias denominações religiosas.

Véspera do aniversário de 60 anos de Jacundá, hoje, terça-feira, a noite está reservada para os cantores locais. Estão na lista das apresentações: Clésio Rabello, PH Estilizado, Pagopoo, Kathleen Barros, Galego dos Teclados, Fábio Henrique e Matheus Fernandes. Amanhã, dia 29, acontece a Marcha para Jesus e show do cantor Davi Sacer. As apresentações estão acontecendo na Avenida Cristo Rei, centro da cidade.

História

Habitada inicialmente pelos índios Gaviões, a área originária do município de Jacundá teve entre os seus primeiros ocupantes brancos o coronel Francisco Acácio de Figueiredo, integrante da comitiva do deputado e coronel Carlos Gomes Leitão, que chegou ao local em 1892. O pequeno povoado ribeirinho servia de parada para quem navegava pelo Rio Tocantins e sediou a 2ª Circunscrição Judiciária do município de Baião, ao qual pertencia na época.

Em 1915, cem moradores fizeram um abaixo-assinado e conseguiram transferir povoado ao território de Marabá. Na época, a principal atividade econômica era o extrativismo da borracha, do caucho, da castanha-do-pará e do diamante. Já no final dos anos 1930, a exploração de diamantes às margens do Tocantins, na localidade de Foz do Riacho (depois chamado de Jacundá) era a principal fonte da economia local. Por Jacundá passava um trecho da estrada de ferro Tocantins.

Na segunda metade dos anos 1970, com a abertura da Rodovia BR-222 (que depois passou a ser PA-150), a região recebeu um grande número de posseiros.

O confronto entre invasores e grileiros foi inevitável. A interferência do extinto Getat (Grupo Executivo de Terras do Araguaia e Tocantins, hoje Incra), a partir de 1980 ajudou a serenar os ânimos. O órgão titulou e demarcou inúmeros lotes de terras, mas os novos proprietários rurais continuaram sem infraestrutura, como escolas, estradas etc.

Durante esse período, instalaram-se na Vila Arraias várias madeireiras, que deram um novo impulso à economia local. Com a construção da barragem de Tucuruí, foram inundados 900 quilômetros do território de Jacundá, deixando submersas cachoeiras, canais, garimpos de diamantes, além da antiga sede do município e de alguns vilarejos.

A sede municipal foi então transferida das margens do Rio Tocantins para a Vila Arraias, no Km 88 da Rodovia PA-150, com o remanejamento das famílias que moravam na área que foi inundada pelo lago da hidroelétrica.

Hoje os índios gaviões vivem numa área destinada, no Km 15 da PA-150. Os demais habitantes estão espalhados pela cidade e vilarejos do município, que ganhou autonomia política em 1961.

Jacundá

A palavra Jacundá é o nome genérico de vários peixes da família dos ciclídeos, que medem até 26 centímetros e se alimentam de insetos como o jacundá-coroa e o jacundá-pinima.

Essa palavra designa, ainda, uma dança indígena, que imita a pesca do jacundá. Nela, homens e mulheres formam um círculo de mãos dadas, alternadamente. Para o centro da roda vai um casal de cada vez, em torno do qual o círculo gira ao som de uma música. Na região onde fica o município há grande quantidade desse peixe, daí a origem do nome. Jacundá também é uma planta da família das mirtáceas.

(Antonio Barroso)