Infraestrutura precária no Distrito Industrial de Marabá afugenta investidores

Diretor da Sinobras lamenta pouca disponibilidade de energia, falta de investimento em infraestrutura, de eficiência operacional instalada e de flexibilidade na negociação de áreas
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Cleiton Labes, diretor de Sustentabilidade da Sinobras, maior empresa privada de Marabá (e uma das maiores do Pará) alerta sobre a pouca disponibilidade de energia, matéria-prima, investimento em infraestrutura, eficiência operacional instalada e falta de flexibilidade na negociação de área no Distrito Industrial de Marabá.

Ele falou sobre o assunto ao ser instigado durante reunião promovida pela Comissão de Desenvolvimento da Câmara Municipal de Marabá, que recebeu representantes do setor produtivo para discutir estratégias para fortalecer o DIM (Distrito Industrial de Marabá), que está quase desmobilizado desde o fechamento de várias siderúrgicas a partir de 2009.

Presentes à reunião estavam os vereadores Pedro Corrêa, presidente da Câmara, Cristina Mutran; Ricardo Pugliese, secretário municipal de Indústria e Comércio; Ana Marta, gerente regional da CODEC; Fernanda Costa, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado (SEMAS); Caetano Reis, coordenador do Centro Regional de Desenvolvimento do Estado; e o próprio Clayton Labes.

A presidente da Comissão, Irismar Melo, falou da preocupação da dos vereadores em aumentar a oferta de empregos no município e que todos reconhecem que o melhor caminho é atraindo novas empresas para o Distrito Industrial.

O secretário Ricardo Pugliese citou o exemplo do Distrito Industrial de Canãa dos Carajás, observando que o mesmo possui toda a infraestrutura que o empresário precisa para se instalar. Também mostrou que a politica da prefeitura de Canaã é a doação de lotes, o que favorece a instalação de grandes empresas. Solicitou que os presentes visitassem o Distrito daquele município e que transportasse o modelo para Marabá.

“Eu, atualmente, me sinto paraense e um marabaense. Os investidores estarão onde se oferecer melhores condições. Em Marabá, temos visto ultimamente prédios com novas estruturas, o que mostra que a cidade está mudando. Há mais respeito para com a cidade, melhor atendimento no setor público, o que gera interesse. No entanto, é preciso ações governamentais mais contundentes. Estamos em um município polo, servido por estradas que se conectam ao restante do País. temos duas faculdades públicas, várias outras particulares e precisamos propiciar oportunidades para esses jovens. Há uma vontade da população querendo avançar e se atualizar. Quanto ao Distrito Industrial, pra sair uma carreta da Sinobras, elas estão quase tombando porque as vias são intransitáveis, e um motorista leva em média duas horas para ter acesso às melhores vias. São carretas que quebram e geram altos custos, não fomentando interesse do investidor”, criticou Labes.

Distrito industrial 2

Quanto aos lotes, na avaliação dele, não há infraestrutura e a maior parte está ocupada sem investimento algum. O distrito não tem uma linha de energia confiável. Revelou que a Sinobras tem uma subestação com 240 mil volts, que poderá servir ao município e ao próprio Distrito Industrial, mas lamentou que embora esteja pronta há cinco anos, a empresa não conseguiu liberação para funcionamento. Ele ressalvou que a captação de agua é patrimônio da empresa e, via de regram é extraviada por vândalos, porque o governo não oferece segurança ao patrimônio privado. “As vias de acesso não oferecem segurança aos usuários, tendo em vista o matagal existente ali. É preciso revitalizar as vias e implementar a pavimentação. O governo precisa melhorar a gestão do Distrito Industrial. Não é possível o sistema de informática estar sempre fora de operação. Esta situação inviabiliza a operação de qualquer empresa, porque temos inúmeras autorizações, mecanismos fiscais, todos adquiridos via sistema, porém, não se admite o estado ficar quatro dias sem sistema. Com isso, a empresa para”, critica.

Ainda para o representante da maior empresa de Marabá, é preciso revitalizar a capacidade de investimento do Estado para melhorar a gestão administrativa. Ele destacou que a Sinobras se mantém na posição de cooperadora com o município e quer que Marabá brilhe dentro do mapa do Brasil. “A Câmara precisa criar leis que gerem fomentos aos empresários, aos investidores, atrair indústrias, pois são elas que geram riquezas”.

Ana Marta, da Codec, esclareceu que nesse momento a companhia está trabalhando a revitalização da área, inclusive estão refazendo o mapeamento do terreno. Ressaltou que há um problema com a justiça, no que tange às invasões constantes. Também informou que quanto ao preço dos lotes, eles são subsidiados, no entanto, há esforços no sentido de melhorar o preço e facilitar o acesso.

A vereadora Irismar ponderou que as colocações da representante da CODEC são as mesmas da última reunião e observou que é preciso avançar e encontrar saída para que o distrito se torne competitivo. Irismar se reportou ao diretor da Sinobras informando que a Câmara está se reunindo neste momento buscando criar alternativas que alavanquem a revitalização do Distrito Industrial. “Há incoerência em relação ao fornecimento de energia, tendo em vista, que temos uma usina hidrelétrica praticamente dentro de casa”, ressaltou.

Zeferino Abreu, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, disse sentir vergonha em ouvir as mesmas reclamações que há vinte anos vêm sendo elencadas. Para ele, não há interesse do governo do Estado em relação ao Distrito Industrial de Marabá. Destacou que em março a siderúrgica Maragusa estaria retomando suas atividades, no entanto, a burocracia do Estado já fez com essa data fosse postergada várias vezes, pois desde julho do ano passado a empresa tenta retomar suas atividades, mas esbarra nos processos administrativos da gestão estadual. “A renovação de licenças é problema crônico”, disse.

O representante do governo informou que esteve atento às principais demandas elencadas na reunião e que irá envidar esforços para levar ao governo as solicitações apresentadas.

A vereadora Cristina Mutran disse que o desejo da Câmara é encontrar um caminho que possa melhorar as condições do Distrito Industrial. “Dessa reunião sairão direcionamentos, que, com certeza vão modificar essa realidade que vive nosso Distrito Industrial. Ouvimos colocações sem maquiagem e essas vão servir de norte para ações futuras”.

A engenheira da SEMAS reconheceu de algum tempo para cá, o município de Marabá, no que tange aos projetos industriais, está indo de ladeira a baixo. Reconheceu que o custo de instalação ambiental é elevado e considerando todas as nuances do meio ambiente, é quase inviável a instalação de determinados projetos industriais. “É possível uma revisão nas formas de instalações e até nas pactuações. O distrito não pode ser objeto de especulação imobiliária”.

Ela destacou que o desde 2016 o DIM tem um programa de expansão e sugeriu que o passo fundamental para uma revitalização é a construção de um diagnóstico que levante as realidades atuais, mostrando qual a potencialidade para instalação de pequenas empresas, disponibilidade hídrica, energética, telefonia, de internet e vias de acesso, além de avaliar a possibilidade de formação de um condomínio de empresas.

O presidente da Câmara, Pedro Corrêa, afirmou que o Distrito de Canãa dos Carajás se constitui uma ameaça para o município de Marabá. Há uma extrema necessidade de potencializar o nosso distrito industrial. “Esse é o momento de criarmos o plano de ação para revitalização do DIM, com uma proposta viável que capte investidores para o município. Esta Casa estará sempre à disposição para apoiar as inciativas”, disse.

Finalizando, Cleiton Labes disse que a empresa elaborou uma rota de produção que abarca carvão e sucata. Informou que a cadeia de produção envolve aproximadamente 5.000 pessoas. A sucata está saindo do município, inviabilizando a competição, tendo em vista que compradores estão vindo de outros estados e comprando a preço abaixo da pauta, ou seja, ao sair do estado, o mesmo perde a tributação. “Quando o produto final entra no estado e no município o preço é desleal. As grandes empresas vêm ao município com a visão de desenvolvimento e não de degradação. A Sinobras está à disposição para a formação do plano de ação. Não precisamos contratar ninguém pra fazer este estudo, nós temos a capacidade para fazê-lo, usando ferramentas novas e com alta tecnologia. Cabe à Câmara, na hora de aprovar concessões, levantar os pontos críticos de cada projeto. Nós queremos contribuir com o crescimento do município”, destacou.

A reunião apontou para a criação de uma Comissão de Desenvolvimento Socioeconômico para Marabá. “Queremos a participação do Clayton, da Fernanda, da Ana e do Ricardo. A vereadora Cristina Mutran estará representando a Câmara nesta comissão”, apontou Irismar Melo.

Ulisses Pompeu – de Marabá
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