Inflação detona em 7,46% bolso dos paraenses; veja produtos mais caros

Enquanto preço de produtos e serviços galopa e trabalhador vê renda média se deteriorando, Dieese calcula que, para viver bem no Brasil, seria ideal que salário mínimo fosse de R$ 5.886.
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Está cada vez mais difícil sobreviver no Brasil, com o preço dos itens básicos sem parar de subir. No Pará, de acordo com dados recém-liberados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aponta corrosão de 7,46% no bolso. Isso quer dizer que, para cada R$ 100 que um trabalhador ganha, R$ 7,46 praticamente já não têm mais valor.

As informações foram levantadas pelo Blog do Zé Dudu, que analisou microdados do IPCA sobre o Pará, que tem medição a partir dos preços praticados na Grande Belém e que se reproduzem no restante do estado. Em localidades como Novo Progresso, Vitória do Xingu, Altamira, Canaã dos Carajás e Parauapebas, a inflação é muito maior que a medição oficial, com preços escalafobéticos e que comprometem significativa parte da renda das famílias.

Entre os produtos e serviços pesquisados, a categoria de combustíveis para veículos foi o item conjuntural que mais assistiu à disparada de preços no acumulado deste ano, tanto no Pará quanto no Brasil inteiro. Aqui no estado, houve elevação média de 35,72%, com destaque para o diesel (38,83%) e a gasolina (35,63%). Na esteira, o pacote dos combustíveis domésticos cresceu na ordem de 29,16%, e o preço do botijão de gás (30,21%) piorou drasticamente.

A energia elétrica residencial ficou 20,69% mais cara e, juntamente com o gás de cozinha, já responde pelo sequestro de 16,84% da renda das famílias paraenses. Energia e gás ficam atrás apenas da inflação sobre os serviços de transportes, que consomem 18,57% da renda do trabalhador, e da inflação dos alimentos, que representam 26,94% do salário.

Entre os itens do gênero alimentício, frutas, legumes e carnes veem a inflação romper facilmente a faixa de 20%. No acumulado do ano, o melão é o produto comercializado no Pará que mais supervalorizou: 39,44%. É acompanhado do tomate, cujo preço subiu 35,47%; e do açúcar refinado, 22,77%. Com a vida meio amarga por conta da carestia, o paraense vê a proteína subir e sumir do prato. O frango, por exemplo, opção imediata e mais barata para fugir da carne vermelha, subiu de janeiro a outubro 21,85%.

Salário em queda

Enquanto os preços de itens básicos e de primeira necessidade galopam nas prateleiras de supermercados, nas vitrines das lojas e nas bombas de combustíveis, o rendimento médio do paraense não prospera a contento. Dados levantados pelo Blog via Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PnadC-T), do IBGE, mostram que a renda média do trabalhador do Pará é de R$ 1.785.

Para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no entanto, viver minimamente bem no Pará ou no Brasil, diante do atual cenário de deterioração do poder de compra pela inflação, só seria possível com um salário mínimo de R$ 5.886, ou três vezes acima do atual rendimento médio da população paraense trabalhadora.

PRODUTOS QUE MAIS ENCARECERAM NO PARÁ EM 2021

1º Melão: 39,44%

2º Óleo diesel: 38,83%

3º Gasolina: 35,63%

4º Tomate: 35,47%

5º Gás de botijão: 30,21%

6º Joia: 25,38%

7º Conserto de bicicleta: 23,8%

8º Açúcar refinado: 22,77%

9º Frango inteiro: 21,85%

10º Café moído: 21,8%

11º Ferragens: 21,55%

12º Chã de dentro: 21,45%

13º Alcatra: 21,38%

14º Melancia: 21,25%

15º Energia elétrica: 20,69%

16º Caderno: 20,41%

17º Móveis de copa e cozinha: 19,85%

18º Utensílios de metal: 18,06%

19º Pneu: 18,01%

20º Frango em pedaço: 17,76%

21º Filé-mignon: 17,34%

22º Revestimento de piso e parede: 17,34%

23º Óleo lubrificante: 17,04%

24º Açúcar cristal: 16,05%