IBGE faz revisão em Conceição do Araguaia e confirma Cerrado no Pará

Em cinco pontos de coleta na região, pesquisadores mapearam área maior que cidade do Rio de Janeiro. Desafio é saber quanto de Cerrado intacto ainda se tem disponível para preservar.
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Um estudo inédito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançado nesta quarta-feira (30) traz em detalhes a percepção que muitos pesquisadores já tinham sobre o Pará, mas que poucos ousaram confirmar: o estado tem, sim, área de Cerrado dividindo palmo de chão como o bioma Amazônia — que, durante muitos anos, se pensou ser o único a cobrir a segunda maior Unidade da Federação do país. A informação promete mexer com o conteúdo de Geografia nos livros didáticos.

O mapa de “Biomas e Sistema Costeiro-Marinho” divulgado hoje aponta o município sul-paraense de Conceição do Araguaia como cenário onde Amazônia e Cerrado se entrecruzam, formando uma paisagem singular nas cercanias do suntuoso Rio Araguaia. O Blog do Zé Dudu acessou a íntegra do estudo, o banco de dados de informações ambientais e a plataforma geográfica interativa criada pelo IBGE para representar os limites dos biomas e observou que, para o tamanho do município de Conceição do Araguaia (5.829,482 quilômetros quadrados, quatro vezes a cidade de São Paulo), a área do Cerrado é grande. E não é apenas área de contato (ou limite com a Amazônia): tem cerrado espalhado mesmo.

O IBGE notou que um quarto do território de Conceição é formado por Cerrado, o correspondente a 1.400 quilômetros quadrados e suficiente para caber a cidade do Rio de Janeiro. Nessa área, em cinco pontos de coletas, os pesquisadores do instituto identificaram diversas espécies da flora típicas de savanas, notadamente à margem esquerda do Rio Araguaia.

De acordo com o IBGE, em análise publicada sobre o achado, o novo mapeamento da vegetação na região de Conceição do Araguaia “demonstrou o predomínio da savana gramíneo-lenhosa, em associação com a savana-parque e a pastagem”. Ainda segundo o órgão, “a savana-parque ocorre associada à savana arborizada e à pastagem, e, ainda, como fisionomia dominante no contato entre savana e floresta ombrófila, associada à pastagem e à floresta ombrófila aberta”. Em tradução menos técnica, o instituto afirma que o Cerrado está fragmentado em “pequenos pedaços” imersos na Floresta Amazônica, que vai cedendo na divisa com o Tocantins até predominar o bioma Cerrado de fato.

Presente desconhecido, futuro a preservar

A preocupação, agora, é preservar esse fragmento de Cerrado em Conceição do Araguaia, tendo em vista que a área está perdendo a luta para a degradação, que tem origem no acelerado processo de ocupação do solo para a formação de pastagens. Para se ter ideia de como a situação é crítica, dos 4.000 quilômetros de florestas originais do bioma Amazônia que se espalhavam pelo território municipal, 3.092 quilômetros quadrados já haviam sumido do mapa até o ano passado, de acordo com dados levantados pelo Blog junto ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Só se mantêm de pé ainda 716 quilômetros quadrados.

A questão é saber — e o IBGE não entrou no mérito da questão — quanto de Cerrado ainda é possível preservar no Pará, já que espécies da fauna e flora típicas desse bioma podem perambular pelo estado, ainda assim totalmente desconhecidas da humanidade. A revisão dos livros de Geografia também é uma corrida contra o tempo para salvar e preservar o que ainda resta na natureza.

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