Política

Governo amarga nova derrota na Câmara e Previdência fica para depois da Páscoa

“O governo não tem articulação nem força política. Está perdido aqui na Casa. Não tem orientação de bancada, não tem orientação de líder, não tem orientação do próprio PSL” – Cássio Andrade (PSB/PA)

Os membros da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados retomaram há pouco, na manhã desta terça-feira (16), a discussão da proposta de Reforma da Previdência (PEC 6/19). O cronograma da reforma sofreu um revés na sessão da segunda-feira (15), quando o governo amargou uma grande derrota: a CCJC aprovou o Orçamento impositivo, deixando as discussões do  texto da reforma da Previdência para depois da Páscoa.

“O Orçamento impositivo foi um pretexto. O governo é desarticulado e sofreu nova derrota. Os parlamentares mostraram união e deram um recado ao Palácio do Planalto: mais caro que a reforma da Previdência é a independência dos Poderes”, disparou o deputado federal Cássio Andrade (PSB-PA), ouvido com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu.

Ontem, os parlamentares fizeram acordo para que o debate sobre a Previdência ficasse para depois da aprovação da PEC 34/19, que determina a execução obrigatória das emendas apresentadas pelas bancadas estaduais e do Distrito Federal ao Orçamento da União. Como o chamado Orçamento impositivo foi aprovado ontem, a análise da reforma da Previdência começa hoje.

Andrade contextualizou o tema e explicou que: “O projeto da PEC 34/19 foi votado na Câmara, seguiu para o Senado que o modificou e retornou para Câmara. O que acontece é que o governo federal não tem articulação nem força política. O governo está perdido aqui na Casa. Não tem orientação de bancada, não tem orientação de líder, não tem orientação do próprio partido do presidente, o PSL. De modo que os deputados se uniram, no sentido de aprovar a PEC 34/19 e garantir a independência dos parlamentares em relação à pauta do Governo”.

Independência

O objetivo dos partidos com as maiores bancadas na Câmara é demonstrar insatisfação com o governo Bolsonaro. Eles queriam votar o orçamento impositivo antes da Previdência na CCJC e conseguiram.

Na semana passada, relator do texto, deputado Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG) apresentou parecer favorável à proposta do governo no colegiado, que analisa apenas a admissibilidade. O mérito será discutido por uma comissão especial.

O deputado Cássio Andrade confirmou que, a bancada nacional do PSB fechou questão, não pretendendo votar a aprovação da proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo. “Não faremos uma oposição irresponsável. Pelo contrário, apresentaremos um texto alternativo para negociarmos a aprovação da reforma da Previdência”, adiantou.

Por Val-André Mutran – Correspondente do Blog do Zé Dudu em Brasília

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