Em Marabá, “ratos da enchente” fazem arrastão em casas inundadas

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Por Ulisses Pompeu – correspondente em Marabá

A enchente dos rios Tocantins e Itacaiunas, que assola cerca de 600 famílias em Marabá, traz todo tipo de problemas para os desabrigados. Além do desconforto de morar em abrigos incipientes, muitos também perderam a condição de trabalho e tiveram móveis danificados. Mesmo os que saíram de suas residências para casas alugadas ou de parentes sofrem agora com outro problema. É que desde o último final de semana, começaram a surgir várias queixas de arrombamentos de casas alagadas, com o ressurgimento dos chamados ratos de enchente (denominação para arrombadores que se aproveitam da situação e roubam residências).

As queixas começaram a aparecer nos abrigos. No ginásio da Obra Kolping, bairro Belo Horizonte, onde estão vivendo 35 famílias, a dona de casa Joana Dias Rosa, 38, conta que saiu de casa dia 13, terça-feira, deixando em um “girau” alguns móveis mais pesados, além de outros itens. Quando voltou, de canoa, para buscar o botijão de gás extra, ele não estava mais lá. Os “ratos” entraram pelo telhado, vasculharam móveis, levaram o botijão de gás e fios elétricos. “Não sei como ainda tem gente se aproveitando da desgraça alheia. A gente sofre tanto para comprar as coisas e depois aparecem bandidos para tomar”, desabafa ela.

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Na mesma rua em que Joana Mora, a São Paulo, há outras vítimas dos ratos, que usaram o mesmo expediente e fizeram um “limpa”. Foi o caso da costureira Elaine Feitosa, que mora na residência com o marido, encanador, a filha adolescente e outros dois meninos menores de oito anos. Todo dia meu marido vai lá em casa bem cedinho, antes do trabalho. Pois nesta segunda-feira ele encontrou um buraco no telhado. “Os bandidos entraram lá foi à noite. A gente não conseguiu tirar tudo porque aqui no abrigo não cabe”.

Outro alvo dos “ratos” são fios de cobre que eles retiram de postes porque têm valor comercial bom no mercado negro. Eles agem, geralmente, no final de tarde e à noite e outros casos já foram registrados nos Bairros Santa Rosa e São Miguel da Conquista, por exemplo.

A Polícia Militar não tem como fazer rondas pelas ruas inundadas porque não dispõe de equipes com motores náuticos. Alguns vizinhos estão se revezando para “vigiar” as casas, mas essa tentativa tem se provado vã.

A Assessoria de Comunicação da Prefeitura informou que fica difícil enviar vigilância da Guarda Municipal porque a área alagada é imensa.

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