Em 2015, educação de Parauapebas chegou aos mais altos indicadores de proficiência

Semed era comandada à época pela professora Juliana de Souza. Naquele ano, estudantes concluíam ensino fundamental sabendo mais matemática e português que atualmente, revela MEC. Educação conquistou uma “Palma de Ouro”, dois “Gestor Nota 10” e prêmio por merenda

Após a grande repercussão da reportagem do Correio de Carajás (veja aqui) que traz a professora Juliana de Souza como uma das cotadas para assumir a combalida Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Parauapebas, o Blog do Zé Dudu puxou o currículo e os feitos dessa educadora, que sempre foi notícia positiva quando secretária no município entre os anos de 2013 e 2015.

Juliana é graduada em Filosofia, em Educação Religiosa e em Língua Portuguesa, e está concluindo o curso de graduação em Direito, tendo sido aprovada de primeira no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). É especialista em Avaliação e Currículo pela Universidade do Estado do Pará (Uepa) e já passou por importantes entidades socioeducativas locais, como o Conselho Municipal de Educação (Comepa) e o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdcap), dos quais foi presidente, e é uma das fundadoras da Apae e da Sorri Parauapebas.

Professora concursada do município e da rede estadual de ensino, Juliana passou por diversas funções em uma escola: professora alfabetizadora, professora de ensino médio, coordenadora pedagógica e diretora. Atualmente, ela é técnica de inspeção e documentação escolar da Semed. Casada e mãe de três filhos talentosos, ela é reconhecida por sua vasta experiência na rede municipal e em causas transversais.

Legado de gestão

Os maiores legados educacionais na rede pública municipal de ensino de Parauapebas, do ponto de vista da proficiência na aprendizagem, foram deixados pelos ex-secretários Raimundo Neto e Juliana de Souza.

Foi com Neto, em 2017, que os alunos matriculados nos anos iniciais do ensino fundamental tiveram o melhor rendimento médio em português e matemática, após ter recebido números excelentes cravados por Juliana em 2015. E foi com ela, Juliana, em 2015, que os alunos concluintes do ensino fundamental ingressavam o ensino médio com a mais alta performance já medida pelo Ministério da Educação (MEC) em Parauapebas.

A apuração do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2015, vale lembrar, é fruto de um contexto de preparação de dois anos antes, que teve Juliana como comandante da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Quando deixou a pasta, ela entregou a educação com as seguintes notas médias de proficiência de aprendizagem:

— em 2015:

  • 214,18 em matemática e 204,79 em português (anos iniciais do ensino fundamental)
  • 249,78 em matemática e 249,89 em português (anos finais do ensino fundamental)

Para comparar com o cenário atual, as notas são:

— em 2024:

  • 200,89 em matemática e 194,16 em português (anos iniciais do ensino fundamental)
  • 239,04 em matemática e 248,28 em português (anos finais do ensino fundamental)

De acordo com especialistas em educação, os alunos de Parauapebas “desaprenderam” no comparativo com 2015, quando o ideal seria que eles tivessem ficado “mais sabidos”. E a culpa não é dos alunos, mas do sistema que, ao longo dos anos, faliu ao não ofertar a eles condições adequadas de ensino e aprendizagem.

Gestão premiada

Quando secretária, Juliana tinha menos da metade do orçamento da educação de hoje (em 2014, por exemplo, foram R$ 259,8 milhões) para cuidar da mesma quantidade de alunos de agora, cerca de 49 mil. Ainda assim, ela conseguiu operar milagres, como bater as metas de Ideb projetadas pelo MEC tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais. Foi, aliás, a última vez em que o Ideb de Parauapebas conseguiu acompanhar as médias previstas. E foi com Juliana que o Ideb local dos anos iniciais apresentou o maior aumento em relação à meta do MEC, de quase 1 ponto de diferença.

Naquela época, por exemplo, para resolver as demandas do transporte escolar — que nem de longe era um “nó cego” como hoje —, a então secretária efetuou a compra de 105 ônibus escolares, que, por falta de manutenção, acabaram abandonados e virando sucata na gestão seguinte à da dela.

Nos tempos de Juliana, a merenda era sempre licitada com antecedência, e o cardápio era considerado o mais diversificado. O investimento para fazer a merenda chegar a todos os alunos, sem corte no fornecimento, era, inclusive, quase três vezes menor que atualmente.

Por causa da qualidade da merenda e dos indicadores de educação alcançados, a gestão de Juliana conquistou um prêmio “Palma de Ouro” e dois “Gestor Nota 10”, igualando-se a Raimundo Neto em prêmios de expressão nacional. A gestão dela também favoreceu, em 2015, para que uma merendeira da rede municipal desenvolvesse a melhor merenda da Região Norte (arroz com cuxá), em concurso nacional promovido pelo MEC.

Desejos possíveis

Juliana também levou Parauapebas a ter o nome cravado no prestigiado Anuário MultiCidades, por investimentos em educação. E, com ela e Raimundo Neto, o Ideb municipal teve a menor distância em relação à nota de Sobral. Além de tudo isso, ao deixar a Semed, Juliana entregou uma educação que investia 31,94% de seus impostos exclusivamente em educação, percentual histórico e muito acima da previsão da Constituição (25%) e da própria Lei Orgânica do Município (27%).

Com uma realidade muito diferente de dez anos atrás, a comunidade escolar de Parauapebas ainda conserva sonhos: ter transporte escolar funcionando (10 mil alunos dependem dele), merenda de qualidade e ininterrupta (13 mil crianças carentes têm na merenda a principal refeição do dia), ter mais creches (a demanda reprimida por vagas passa de 4 mil) e voltar a ter orgulho de ostentar índices de aprendizagem que estiveram entre os melhores da Região Norte. Os bons ventos parecem estar a caminho.

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