Dois pesos, duas medidas

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Com a criação e a massificação das redes sociais, principalmente o Twitter, o Facebook e o WhatsApp, a discussão política no Brasil recrudesceu. Assuntos que eram discutidos quase que somente pela elite ou pela massa estudantil se tornaram corriqueiros nas redes. Todavia, ainda há os que creem em tudo que é postado nos aplicativos sem que sequer uma nuvem de dúvida caia sobre seus pensamentos.

Há, também, os que defendem uma tese até o ponto de discutir pesadamente com seus interlocutores, pondo em risco velhas amizades, apenas para que sua tese prevaleça.

Vamos trazer a demanda aqui pro nosso quintal, para comprovar outra situação que volta e meia surge nas redes sociais e que, popularmente ficou conhecido como dois pesos e duas medidas. Termo, que tem origem em Deuteronômio (25:13-16) diz:

Não carregueis convosco dois pesos, um pesado e o outro leve, nem tenhais à mão duas medidas, uma longa e uma curta. Usai apenas um peso, um peso honesto e franco, e uma medida, uma medida honesta e franca, para que vivais longamente na terra que Deus vosso Senhor vos deu. Pesos desonestos e medidas desonestas são uma abominação para Deus vosso Senhor.

Em Parauapebas, há meses a oposição ao prefeito Valmir Mariano tenta tirá-lo da cadeira com o argumento que investigações da Polícia Federal e do Ministério Público apontam para corrupção em seu governo. A Câmara já votou pela descontinuidade de um pedido de afastamento do prefeito e outro deverá constar da pauta de hoje.

A oposição, que precisa de 10 dos 15 votos dos vereadores para confirmar o afastamento, tenta de toda maneira articular essa maioria. Parte dessa oposição – nas redes sociais – é petista e trata como certo e justo o afastamento de Valmir Mariano.  A mesma ala petista trata como golpe a tentativa da oposição à presidente Dilma Rousseff de tirá-la do cargo. Ora, Valmir está sendo investigado por corrupção e teve alguns de seus secretários presos, depois liberados. Dilma, o PT e seus financiadores estão sendo investigados pela mesma justiça federal e alguns de seus filiados mandatários estão presos e não foram soltos. Porque, então, tentar afastar o prefeito Valmir é crucial para a democracia e para que se faça justiça e, tentar afastar D. Dilma é tentativa de golpe?

Valmir da Integral foi eleito em 2012 com 55,71% dos votos. D. Dilma foi reeleita em 2014 com 57,51% dos votos do Pará. Essa vontade da população precisa ser legitimada pela oposição sob a pena de abrirmos precedentes que no futuro possam transformar a vontade popular em balela. Pra que eleições, se quem decide a manutenção do eleito no cargo é o Legislativo?

É imperioso, em uma democracia, a alternância de poder, dirá um ou outro derrotado nas eleições. Concordo plenamente, mas acredito que a alternância deve vir da vontade popular, do voto depositado pelo eleitor insatisfeito com tudo que está vendo. Se Valmir foi um prefeito ruim ao longo dos quatro anos, que o eleitor reflita esse sentimento nas urnas no ano que vem. Se o mesmo acontece com D. Dilma, que ela caia em desgraça nas urnas em 2018.

Se há provas de erros, de corrupção, de má fé no uso dos recursos públicos, que se abra quantas CPI’s forem necessárias para investigar e que, se comprovadas as acusações, se retire do cargo o errado. Mas, precisamos manter a legitimidade do único recurso que restou ao povo, a escolha daqueles que o governa. Senão for mantida essa vontade popular estaremos em uma ditatura onde os acordos, os conchavos políticos se sobressairão à vontade popular, e isso será o fim da picada.

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