Dois pesos, duas medidas.

imageEm Minas Gerais, a Mineradora Vale e a Prefeitura de Barão de Cocais assinaram, na última sexta-feira, 17, um termo de cooperação financeira  onde a mineradora doou o valor de R$ 458.950,00 para a compra de novos equipamentos para o Hospital Municipal Waldemar das Dores.

Em Parauapebas, a mineradora deve, em virtude de multa referente à Ação Trabalhista, a construção de um Centro Cultural que deveria ser entregue em maio de 2012.

Deve, ainda, em contrapartida pela passagem do ramal ferroviário, a duplicação da Rodovia Faruk Salmen. Esta obra, segundo a Semob, não foi iniciada em virtude da prefeitura não ter concluído os processos de indenizações ao moradores que serão desalojados pela obra.

A vale faturou somente em 2013 US$ 10.079.920.849,00 nas minas de Parauapebas. Já em Barão de Cocais-MG, a Vale só faturou US$ 476.522.938,00 no ano passado com o projeto ouro que mantém naquele município.

No início da semana passada a Vale informou através da sua Assessoria de imprensa que o Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), que faz a ligação entre Espírito Santo e Minas Gerais, vai começar 2014 de cara nova, já que a mineradora investiu US$ 80,2 milhões para renovar a frota usada lá. Dia a nota, que os 56 novos vagões (10 executivos e 30 econômicos, além de vagões-restaurante, lanchonete, gerador e cadeirante destinado a pessoas com dificuldade de locomoção)  foram fabricados na Romênia e obedecem a padrões europeus de qualidade. Enquanto isso, os vagões usados para transportar os passageiros pela Estrada de Ferro Carajás estão sucateados.

Será que a direção da mineradora pensa que por estas bandas não há a necessidade de contrapartidas financeiras pelo uso do nosso solo e que não há a necessidade de cumprir acordos que beneficiam Parauapebas, nem quando eles são feitos na justiça?

Na cidade mineira, somente em equipamentos para o hospital local, a Vale doou 4,13% do seu faturamento ali obtido em 2013. Se aplicado o mesmo índice em Parauapebas, a Vale deveria doar algo em torno de R$416 milhões à Parauapebas, dinheiro que certamente poderia dar fim a algumas mazelas vistas em Parauapebas, tais como o esgoto a céu aberto, o turno intermediário, a falta de ensino superior de qualidade, de um Centro de Zoonoses, de um Aterro Sanitário …

Antes que os do contra de plantão digam que doar dinheiro para prefeitura é um erro pois ele não seria transformado em obras, digo, se a Vale quiser pode assinar convênio com a prefeitura onde ela mesma administraria as obras. O prefeito Valmir já demostrou ser favorável a este tipo de ação.

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