Desvendando a endometriose

 Por Dr. Ricardo Wagner ( * )

A endometriose é uma condição que ocorre quando o endométrio, o tecido que recobre o interior do útero, sendo responsável pela menstruação, se encontra em outra parte do corpo, podendo afetar ovários, trompas, intestino, rim ou a bexiga.

Se trata de uma doença com características hereditárias, geralmente estando presente em membros da mesma família, que hoje afeta cerca de 6 milhões de brasileiras; sua causa exata ainda não está clara. De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose, entre 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva (13 a 45 anos) podem desenvolvê-la e 30% correm o risco de se tornarem estéreis.

A endometriose é geralmente diagnosticada entre 25 e 35 anos, mas a doença provavelmente começa alguns meses após a primeira menstruação. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais rápido e eficiente é o tratamento, porém, existe uma demora de quase sete anos para a sua confirmação.

Seus principais sintomas são dor e a infertilidade, sendo que, aproximadamente 20% das mulheres têm apenas dor, outras 20% têm apenas infertilidade e 60% sofrem com ambos. Outros sintomas são: dismenorreia (dores no período menstrual); dor no baixo abdômen ou cólicas que podem ocorrer por uma semana ou duas antes da menstruação, de forma cíclica; dores nas relações sexuais com penetração; dores ao urinar ou evacuar, especialmente no período menstrual; fadiga e diarreia.

Uma forma de diferenciar a cólica menstrual regular de um início da doença, é identificar a efetividade dos medicamentos tomados para diminuir a dor e sua intensidade conforme o tempo passa: caso sejam leves, não se intensifiquem com o passar do tempo e melhorem com a ingestão de medicamento apropriado, se trata de uma cólica comum. Um estudo mostra que, na adolescência, quando a cólica não melhora com anti-inflamatórios ou pílulas, há cerca de 70% de chance de ser identificada a endometriose. Nessas condições, é fundamental procurar um ginecologista para que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível, antes que a doença avance.

O diagnóstico precoce é muito difícil, uma vez que os exames existentes só são capazes de identificar a doença quando ela já está estabelecida. Assim, o fator mais importante para que o diagnóstico seja realizado é a valorização das cólicas referidas pela paciente. Os exames que auxiliam na descoberta da endometriose são o exame ginecológico com o toque vaginal e retal; ultrassonografia transvaginal, com preparo intestinal; ressonância magnética; exame de sangue CA-125; laparoscopia; colonoscopia; cistocopia, etc.

O tratamento da doença se dá a partir da parada da menstruação, mas não a retirada do útero, ao contrário da opinião popular. Como citado anteriormente, a endometriose se dá pelo tecido endometrial fora do útero, logo, a sua retirada não interfere na presença do endométrio na bexiga, intestino ou ovários e mesmo se o procedimento fosse feito, a dor permaneceria. Desta forma, seu tratamento é feito à base de hormônios que podem ser administrados por diversas vias; uma sugestão pessoal é a gestrinona. Em casos graves da doença – quando há acometimento sério da bexiga, intestino, rim – ou em casos de infertilidade.

Assim, em casos de cólicas menstruais que não parecem melhorar com a ingestão de remédios normais, ficando mais fortes a cada mês, é recomendada uma conversa com o ginecologista.

( * ) – especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira – AMB – e pela Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia – FEBRASGO. Atende em Parauapebas na Rua C, nº 300, esquina com Rua 4, bairro Cidade Nova.

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