Cúpula do Congresso cobra de Bolsonaro nomeação de novo Ministro da Saúde

Atraso está comprometendo ações contra o combate à Convid-19
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Brasília – Os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), estão irritados com a demora do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em nomear o novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga no lugar do general de Exército Eduardo Pazuello. Senadores e deputados estão perplexos com o que chamaram de “descaso e irresponsabilidade” do chefe do executivo, que permite que o cargo fique acéfalo no momento de maior gravidade desde o início da pandemia, há um ano.

Lideranças insatisfeitas com a escolha de Queiroga, que teria sido atribuída ao filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), e avalizada por Bolsonaro, “está fazendo estágio no cargo com quem não entende nada de Saúde”, critica um senador que pediu para não revelar o nome.

Líderes partidários exigem que o governo oficialize logo a troca e exonere Eduardo Pazuello.

Fontes do Planalto revelam que a demora para o nomeação do novo ministro deve-se a pendências em empresas ligadas a Queiroga, das quais ele deve se desincompatibilizar. O ministro disse a interlocutores que na semana passada sondou potenciais membros de sua equipe. Ele planeja substituir os secretários de Pazuello.

Outra versão diz que Bolsonaro quer blindar Pazuello e cogita-se, no Palácio do Planalto, a criação de um novo Ministério Extraordinário através de Decreto Presidencial, uma vez que um Ministério permanente, “a tinta da caneta bic presidencial não tem validade” porque é necessário a edição de uma medida provisória que deve ser aprovada pelo Congresso, risco ao qual o presidente não estaria disposto a correr.

A ameaça da criação de uma CPI da Covid-19 já tem as assinaturas para que seu relatório seja lido no Senado, mas o presidente Rodrigo Pacheco tem alegado que uma CPI precisa de reuniões presenciais e isso está proibido no Congresso.

Reunião

Chamados para uma reunião com Bolsonaro na quarta-feira (24), para a criação de um comitê para tratar da pandemia, os presidentes de Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e Câmara, Arthur Lira (PP-AL), têm manifestado, cada um a seu estilo, incômodo com a condução do governo e esperam uma guinada na área. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, e o Procurador Geral da República, Augusto Aras, assim como, um governador de cada região do país também devem participar do encontro.

Pacheco espera por medidas concretas. Segundo sua assessoria, o parlamentar deve “cobrar itens como medicamentos para sedação, inclusive adquiridos no exterior, abertura de novos leitos de UTI, cumprimento do cronograma de vacinação e realização de uma força-tarefa imediata junto a laboratórios, como a Pfizer e a Janssen, que possam fornecer imunizantes em quantidades suficientes e no menor tempo possível ao Brasil”.

Enxurrada de reclamações

Tudo indica que a parceria para deslanchar a pauta prioritária do governo está ameaçada, devido a postura do presidente em relação a sua política de combate à pandemia de covi-19.

A irritação cresceu consideravelmente ao longo da semana passada após o anúncio do novo do novo ministro que até agora não tomou posse.

O presidente do Senado, de temperamento discreto e controlado, tem aumentado o tom das críticas públicas ao governo. Em publicação no Twitter na segunda-feira (22), onde cumpria agenda na capital de São Paulo, pediu a “coordenação do presidente da República” no combate à pandemia.

Antes, em entrevista à TV Band no domingo (21), afirmou que “negacionismo se tornou uma brincadeira de mau gosto, macabra e medieval” e defendeu medidas tomadas por prefeitos e governadores.

Cobrado pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a omissão do governo na pandemia, Pacheco disse que “há erros sucessivos, e os culpados serão apontados em algum momento”.

Lira, por sua vez, permanece irritado com a escolha de Queiroga, anunciado após Bolsonaro descartar Ludhmila Hajjar, que havia sido elogiada publicamente por ele.

Cresce insatisfação de parlamentares do Centrão

Parlamentares do Centrão também não gostaram do nome de Marcelo Queiroga para a pasta da Saúde, a indicação de consenso era nome do deputado Dr.º Luizinho (PP-RJ) para o cargo. Aliados próximos de Lira se incomodaram com as declarações de Queiroga na última semana de que a política do ministério seria de continuidade ao que está sendo feito.

Acreditam que ele terá uma posição submissa ao presidente, o que tornaria difícil qualquer mudança substancial na gestão da crise na Saúde.

O vice-presidente da Casa, Marcelo Ramos (PL-AM), fez uma cobrança pública. Ao contrário de Lira, Ramos busca se opor explicitamente a Bolsonaro.

“A reunião de quarta entre presidente de Poderes e governadores não pode passar de uma conversa sem consequências. É preciso repor a ordem para que o país tenha vacina no braço e comida no prato. Convoco o povo brasileiro para que acompanhe a reunião e cobre resultados concretos”, postou Marcelo Ramos nas redes sociais.

Ele também se pronunciou sobre a situação do ministro que ainda não tomou posse. “É surreal que durante o momento mais grave da pandemia tenhamos um ministro demitido que continue no cargo e um ministro escolhido que não assume. As pessoas morrendo e o país sem ministro”, protestou o deputado.

Reportagem: Val-André Mutran – Correspondente do Blog do Zé Dudu em Brasília.

Tags: #Política #Saúde #Pandemia #Congresso Nacional #Governo Bolsonaro #Brasil