Comissão quer informações sobre prisão de brigadistas no Pará

Quatro foram presos sob suspeita de causar incêndios criminosos na APA de Alter do Chão, oeste do Estado
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A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM) enviou ofício com pedido de informações sobre as motivações que levaram a Polícia Civil do Pará a prender quatro integrantes da Brigada de Incêndio na Área de Proteção Ambiental (APA) de Alter do Chão, em Santarém, oeste do Pará. Segundo os investigadores, os brigadistas foram presos sob suspeita de causar um incêndio criminoso em uma área de proteção ambiental em setembro. Todos negam as acusações.

O pedido é do presidente da CDHM, deputado Helder Salomão (PT-ES). “Os mandados (de busca e apreensão) são genéricos, não têm denúncia específica, não têm objeto claro”, destacou Salomão.

Estão em prisão preventiva Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Gustavo de Almeida Fernandes e Marcelo Aron Cwerver. O delegado de Polícia Civil do Interior, José Humberto Melo Júnior, disse ontem que foram monitoradas conversas telefônicas e que os investigadores encontraram indícios do envolvimento no incêndio na região. Segundo o delegado, os brigadistas são acusados também de receber R$ 300 mil da Organização Não Governamental WWF por meio da ONG Saúde e Alegria, onde um dos presos trabalhava.

O advogado dos brigadistas, Wlandre Leal, afirmou ao Jornal Nacional que seus clientes trabalham em conformidade com a lei e negou que houve desvio de doações. Em nota, a Brigada de Alter do Chão disse estar “em choque com a prisão de pessoas que não fazem senão dedicar parte de suas vidas à proteção da comunidade”.

Na Operação Fogo do Sairé, deflagrada ontem, a polícia fez ainda busca e apreensão na Saúde e Alegria. O coordenador da ONG, Caetano Scannavino, disse que o mandado estava desacompanhado de decisão judicial e negou envolvimento dos brigadistas: “Existe uma tentativa de rebaixar e criminalizar as ONGs, o movimento indígena, a agenda clima, o movimento ambiental.”

O deputado Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) também criticou a operação: “Não vamos aceitar que se desenvolva uma tese de que foram as ONGs ambientalistas os criminosos.”

Em agosto, no auge da crise de queimadas e desmatamentos na Amazônia, o governo federal deflagrou Operação Verde Brasil, empregando um efetivo de 8.170 pessoas envolvidas, entre militares e integrantes de agências municipais, estaduais e federais. Após um mês de operações, foram apreendidos um total 27 veículos e 63 pessoas detidas. Ao todo, 112 termos de infração foram lavrados, o que resultou na aplicação de R$ 36.367.510,25 em multas.

Segundo o Ministério da Defesa, o Comando Conjunto do Oeste, atuou em Mato Grosso. Enquanto que o Comando Conjunto da Amazônia e o Comando Conjunto do Norte. O primeiro, localizado em Manaus, alcançou os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá. Já o segundo, localizado em Belém, compreendeu os estados do Pará, Amapá, Maranhão e parte do Tocantins.

Incêndios em Alter do Chão

Em setembro, faltando poucos dias para o início da Festa do Sairé, foram registrados focos de incêndios na floresta nativa na região do Eixo Forte. A vila mais famosa do interior da Amazônia logo foi parar no noticiário nacional e internacional por causa da repercussão das queimadas na Amazônia.

Enquanto a floresta ardia em chamas, um grupo de voluntários arriscava a vida para apagar as chamas e evitar uma tragédia ambiental sem precedentes. Após alguns dias de muito trabalho que reuniu esforços de órgãos municipais e estaduais, inclusive com apoio aéreo, os focos foram finalmente eliminados.

A Brigada de Alter foi criada em 2018 e reúne voluntários que trabalham em parceria com o Corpo de Bombeiros e outras instituições.

Reportagem: Val-André Mutran – Correspondente do Blog do Zé Dudu, em Brasília

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