A ação das Polícias civil e militar que, apesar de revestida da legalidade, culminou com vitimas fatais, merece alguns comentários:
Como dito antes, em outros posts, a polícia vem se modernizando ao longo dos anos, aliando o trabalho de inteligência com o das operações, ocasionando um maior profissionalismo por parte do Estado. Já era do conhecimento das forças policiais que naquele endereço funcionava um ponto de encontro para pessoas com objetivos escusos, como furtos e assaltos.
De posse dessa informação, as polícias montaram uma operação para prender em flagrante quem ali estivesse, não sem antes equipar nosso efetivo com coletes, armamento e em quantidade suficiente para uma ação desse porte.
Até para não sermos surpreendidos, sempre esperamos pelo pior em operações, mas de modo algum desejamos que o resultado de nossas ações seja trágico. Queremos, sim, retirar do convívio social aquelas pessoas que não respeitam o ordenamento jurídico vigente. A justiça é encarregada de puni-los, não nós. Apenas os retiramos das ruas.
Diante do resultado ocorrido, determinamos a abertura de Inquérito Policial Militar, a cargo do MAJ PM Sérgio, para apurar as circunstâncias que se deram os fatos.
Infelizmente, não podemos informar quantos cidadãos deixaram de ser assaltados ou mortos em função da ação das polícias naquele dia, pois o sucesso da atividade das policias acontece quando NÃO ocorrem incidentes, e tais eventos não podem ser previstos nem contabilizados. Somente nesse mês de abril já apreendemos seis armas de fogo, que causariam um sem número de vitimas.
Finalizando, afirmo que em missões onde ocorrem vitimas fatais, é comum ouvirmos “menos um” de curiosos, taxistas, frentistas, donas de casa, empresários, funcionários públicos, enfim, da sociedade, diante de um cadáver de um dito malfeitor. Não importa como ele foi morto, apenas que era um delinquente e que isso já basta para justificar seu triste fim. Apesar disso creio firmemente não ser essa a função da polícia, posto que se assim fosse estaríamos no mesmo patamar daqueles que almejamos prender. Se a sociedade acreditar nesse “menos um”, será uma negação a democracia e ao estado democrático de direito que com tanta luta conseguimos.
MAJ PM JUNISO HONORATO
Comandante do 23º BPM