Coluna Direto de Brasília #Ed. 186 – Por Val-André Mutran

Uma coletânea do que os parlamentares paraenses produziram durante a semana em Brasília
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Embora os maiores especialistas em marketing e ciências políticas ainda duvidem que exista um candidato forte para dividir o eleitorado, é quase certo a polarização entre Bolsonaro e Lula. A dúvida é se haverá segundo turno. Na foto, outros candidatos menos cotados

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Começou a corrida eleitoral
Todas as atenções da classe política, e até de parte da empresarial, estão voltadas às eleições gerais de 2 de outubro de 2022.
Será a mais importante e decisiva para o futuro do Brasil, após a redemocratização do país.
Há uma movimento geral na América Latina sinalizando a volta de lideranças da esquerda ao comando de vários países do bloco que experimentaram governos de direita.

América Latina
Quem deu a largada foi a Argentina e as coisas por lá não andam bem. O Peru e a Bolívia também voltaram à esquerda. A Venezuela não é mais, há quase uma década, uma democracia. O Chile voltou à esquerda e não se sabe o que ocorrerá por lá. O México, gigante latino-americano, é outra incógnita em que ninguém aposta todas as fichas.
E agora é a vez da Colômbia e do Brasil, este último a maior democracia do bloco, decidirem seus destinos ainda neste 2022.

Análise
Há 30 dias este Colunista está analisando papers, relatórios, análise de cenários, pesquisas e artigos publicados aqui e nos países vizinhos sobre o que podemos esperar da região e do Brasil em 2022.

Prognóstico
O prognóstico é de que não haverá terceira via. Há uma corrente que repele a dicotomia de esquerda e direita e o aparecimento no Brasil de uma terceira via. Quem espera por isso, sinto muito, terá de fazê-lo sentado.
— Não existe hoje um nome que impeça a polarização entre Bolsonaro (PL) e Lula (PT) na disputa do primeiro turno.
A dúvida é se terá segundo turno.

Pesquisas?
São tempos tão imprevisíveis, a começar pela continuidade ou não dessa praga pandêmica, com direito a vírus mutantes, que ninguém em sã consciência acredita: as pesquisas até agora divulgadas.
Elas viraram no Brasil um caso de polícia.
Se o resultado agrada um lado, presta; se desagrada o outro, não presta.

Câmara
Na Câmara dos Deputados, a avaliação da Coluna é de que a quase totalidade dos 32 partidos aptos na disputa deste ano focam em reforçar suas bancadas em 2022 e ver o que avança depois.
Muitos merecem sair de cena.
O cenário muda completamente, se Bolsonaro se reeleger ou Lula se eleger.
— Olha a polarização aí de novo!

Posse dos novos senadores em 2014 que o mandato terminará nesse 2022

Senado I
No Senado o cenário das eleições gerais muda pouco porque a renovação é diferente da Câmara. E o interesse de deputados e dos senadores é exatamente o mesmo: poder.
Os senadores sabem que, com mandatos de oito anos, a cada quatro anos a Casa renova, alternadamente, um terço e dois terços de suas 81 cadeiras

Senado II
Nessa regra, os 27 senadores eleitos em 2014 encerram seus mandatos neste ano. No Pará, é o caso de Paulo Rocha (PT). Com isso, no dia 2 de outubro serão eleitos 27 novos senadores para preencher as vagas que se abrem: uma para cada estado e o DF. Eles vão se unir aos outros 54 — dois por estado — que ainda têm quatro anos de mandato pela frente

Senado III
São justamente esses 54 senadores que vão “agitar” as eleições para os governos dos estados e do DF neste ano.
A lógica desses pré-candidatos é: se perderem a disputa ao governo de seu estado, continuam por mais quatro anos como senadores.

Senado IV
Dessa forma, o senador Zequinha Marinho (PL), que, ao lado de apenas outro político no Pará, tem votos em todos os 144 municípios paraenses, parte para a aventura de disputar, o que muitos dizem, uma eleição perdida, uma vez que é quase certa a reeleição do governador Helder Barbalho (MDB). Ocorre que Zequinha está de olho em 2024, ano em que acredita que consegue ser governador.
— Ah, o outro político no Pará que tem votos em tudo que é “curva do vento” é o também senador Jader Barbalho (MDB-PA), pai do atual governador.

Parte minúscula da Bancada do Pará em reunião com o governador Helder Barbalho

Bancada do Pará
A Bancada do Pará não difere das demais. Depende majoritariamente da decisão dos comandos nacionais partidários.
Ganham força as conversas para a composição de federações partidárias. Trata-se de um fato novo e que vai mudar todo o cenário político.
Espera-se na Câmara uma renovação surpreendente na bancada paraense. Dos 17 eleitos, só nove devem voltar. É o cálculo deste colunista.
No Senado, só uma vaga está em disputa, mas é uma vaga estratégica para quem quer que seja o próximo presidente.

Força
A Coluna já havia informado, em primeira mão, aos fiéis leitores do Blog do Zé Dudu, que o deputado Celso Sabino seria o manda-chuva no PSL do Pará.
Saiu do PSDB e está articulando algo grande no Pará: a união dos antigos DEM e PSL.
É trabalho para metro.

Força dobrada
A força do deputado é inegável e ele — por isso mesmo — se tornou um dos maiores destaques da Câmara dos Deputados,  em 2021, quando relatou o projeto de lei da mudança do Imposto de Renda.
Celso entregou um texto que foi aprovado na Câmara e que está aguardando exame no Senado.

Intenso
Há duas semanas, Celso Sabino está no centro de uma das duas regiões de maior rejeição como político do Pará.
Em 2010, ele foi contra a divisão do Pará, no que seria a criação de mais dois estados: Carajás e Tapajós, reforçando a bancada do Norte, a mais frágil do país.
E agora, organiza a maior potência partidária do Brasil: a junção do DEM com o PSL: o União Brasil.
— É um dos políticos de maior visão hoje na Amazônia.

TSE
O Tribunal Superior Eleitoral muda de comando em 2022.
O ministro Alexandre de Moraes promete rigor, comando e controle total sobre as redes sociais. Ou seja, vai mandar prender presepeiros de plantão, se assim os identificar.
Seu vice é Edson Fachin, o que já está despertando comentários pouco republicanos nas redes sociais de bolsonaristas mais radicais.
— Os comentário postados são impublicáveis.

Exército
O Comando do Exército está preocupado com algo ao menos parecido com as cenas da invasão do Capitólio em 2020, nos Estados Unidos, após o resultado das eleições e que ontem, dia 6, comletou um ano.
Há em curso, intenso treinamento secreto para que se evite as cenas que envergonharam a maior democracia do mundo.

Ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), carrasco do PT: “Não tem 3ª via”

Frase da Semana
“A matemática eleitoral dá vitória folgada ao PT no Nordeste, derrotas mais apertadas no Centro-Oeste, no Norte e no Sul. A vantagem de um lado compensa a desvantagem do outro. A decisão pode ser no Sudeste, onde São Paulo será o colégio mais importante. O único problema dessa aliança é que os protagonistas terão de explicar declarações anteriores entre eles. Alckmin, por exemplo, disse, quando assumiu a presidência do PSDB, a seguinte pérola: “Depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder. Ou seja, meus amigos, ele quer voltar à cena do crime”. – Ex-deputado federal Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e carrasco do PT.

Efemérides
A Coluna informa que não existe efemérides nesta semana e envia abraços a todos os leitores.

De volta na semana que vem
Estaremos de volta na próxima semana publicando direto de Brasília, as notícias que afetam a vida de todos os brasileiros, com as reportagens exclusivas aqui no Blog do Zé Dudu.

Como a vacina já está disponível para todos, tome as três doses do imunizante e continue usando máscaras, álcool em gel nas mãos e evite lugares onde houver aglomeração de pessoas, mesmo ao ar livre.
Cuide de sua saúde e da sua família. Um ótimo final de semana a todos.

Val-André Mutran – É correspondente do Blog do Zé Dudu em Brasília.
Contato: valandre@agenciacarajas.com.br
Esta Coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Zé Dudu e é responsabilidade de seu titular.