Valorizar os moradores como guardiões e agentes na transmissão de suas próprias histórias e saberes. Motivada por essa missão, a Casa da Cultura de Canaã dos Carajás promove uma intensa programação extramuros na comunidade Vila Nova Jerusalém. A iniciativa articula palestras, oficinas de cartografia socioafetiva, etnografia visual e encontros de partilha literária, aproximando a prática museológica do cotidiano comunitário.
A proposta central é compreender a comunidade como um território vivo, constituído por afetos, práticas culturais e relações profundas com a natureza. Coordenadora do Educativo da Casa da Cultura, Sandra Rosa destaca a essência coletiva do projeto.
“A programação propõe um percurso de encontro, escuta e construção coletiva da memória junto à comunidade da Vila Nova Jerusalém, compreendendo esse território como um espaço vivo, constituído por histórias, afetos, saberes, práticas culturais e relações entre as pessoas e a natureza. A programação busca fortalecer os vínculos entre gerações e reconhecer a Vila Nova Jerusalém como território de memória, identidade e pertencimento, valorizando seus moradores como guardiões e agentes na transmissão de suas histórias e saberes.”
Para Sandra, o desejo de estar junto à comunidade da Vila Nova Jerusalém passa por reconhecer e valorizar suas histórias, memórias e saberes. “A partir da Museologia Social, entende-se que o patrimônio também vive nas pessoas […]. Por isso, essa programação é importante por criar espaços de encontro, escuta e participação, fortalecendo os vínculos da comunidade com sua própria história e com o território”, conclui.
Imersão e protagonismo territorial
As atividades serão facilitadas pelas pesquisadoras Sabrina Campos e Adriana Sousa Pereira. Sabrina, que é Yby-Ty’eté Tupinambá, doutoranda em Bioantropologia e mestre em Antropologia e Arqueologia, pontua o compromisso da formação com a escuta sensível das dinâmicas locais:
“Nossa proposta de ir ao encontro do território, através de palestras no município de Canaã dos Carajás, tem o compromisso de valorizar as dinâmicas culturais em seus próprios contextos. A programação na comunidade Vila Nova Jerusalém será realizada através de ferramentas metodológicas com ênfase no significado das práticas diárias, transformando o ato de documentar em um movimento coletivo de autoconhecimento e celebração da própria história.”
Sabrina ressalta que comunidades são verdadeiras guardiãs de saberes ancestrais profundamente integrados à natureza, onde a memória viva se articula com o meio ambiente de forma biocultural, essencial para a preservação da identidade e diversidade que representa o município de Canaã dos Carajás.
“Minha expectativa ao longo desses dias de imersão e partilha é incentivar o protagonismo e a salvaguarda autônoma desses saberes, com respeito ao tempo, aos ritmos e à ética do modo de vida da comunidade. Queremos que o mapeamento e a socialização dessas memórias deixem de legado um acervo vivo, que fortaleça os laços entre gerações, e com o território”, finaliza.
Para Adriana Pereira, o principal objetivo de realizar uma atividade sobre o inventário do patrimônio histórico na comunidade Vila Nova Jerusalém é também reconhecer que cada território carrega histórias, memórias e saberes que precisam ser ouvidos e valorizados.
Com uma trajetória marcada pelo compromisso com a preservação dos saberes tradicionais, o fortalecimento das identidades culturais e a promoção de processos educativos e museológicos participativos, ela define o resultado final desse encontro. “Queremos construir esse trabalho com os moradores, respeitando suas vivências e fazendo dessas memórias um acervo vivo, capaz de fortalecer identidades, pertencimentos e os vínculos entre gerações”, pontua.
Programação
26/10/2026 – Palestra: “Imersão, Cartografia Socioafetiva e Memória do Território”
- Horários: 9h às 11h | 15h às 17h | 19h às 20h
- Destaque: Caminhada territorial para observação e registro de referências culturais, culminando em uma roda de saberes com os guardiões da memória local.
27/10/2026 – Palestra: “Etnografia Visual, Manejo Tradicional e História Oral”
- Horários: 9h às 11h | 15h às 17h | 19h às 20h
- Destaque: Atividades de mapeamento biocultural, história oral em campo e curadoria coletiva de mídias produzidas pelos participantes de forma ética e participativa.
28/10/2026 – “Socialização Literária, Devolutiva Comunitária e Fortalecimento da Memória Local”
- Horários: 9h às 11h | 15h às 17h
- Destaque: Ateliê têxtil e exposição de objetos de afeto para revisitar histórias de vida e vínculos com o território.
28/10/2026 (Noite) – “Socialização Literária e Partilha das Memórias do Território”
- Horário: 19h às 20h
- Destaque: Encerramento com partilha de narrativas, fotografias e cartografias afetivas construídas ao longo da jornada.
(Texto: Natália Mello)





