Arrecadação da Prefeitura de Parauapebas cai 3% no primeiro semestre

Em junho, receita líquida despencou 16% em comparação com mesmo período de 2021, mas a folha de pagamento do Poder Executivo “paquerou” R$ 100 milhões e “sequestrou” quase 54%

Pela primeira vez desde 2018, a soma das receitas arrecadadas pelo governo de Darci Lermen caiu em um semestre no comparativo com o mesmo período do ano anterior. A Prefeitura de Parauapebas não sabia o que era queda de receita desde que encabeçou os movimentos para aumento da alíquota incidente sobre o minério de ferro, elevando os royalties de mineração, e para revisão da cota-parte do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), fatores que contribuíram para que o município superasse o estado de depreciação das contas públicas que o prefeito Darci encontrara ao assumir o mandato em 2017.

O Blog do Zé Dudu teve acesso com exclusividade e em primeira mão ao balanço consolidado da prestação de contas que a Prefeitura de Parauapebas acaba de entregar aos órgãos de controle externo, por meio do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) do 3º bimestre, e comparou com o balanço do 3º bimestre do ano passado. Resultado: a receita da Capital do Minério caiu 3% no primeiro semestre deste ano.

Enquanto no ano passado, de janeiro a junho, Parauapebas ajuntou R$ 1,25 bilhão líquido, este ano, no mesmo período, a arrecadação livre de deduções foi de R$ 1,218 bilhão. Não é pouco dinheiro — aliás, com a receita de metade do ano, Parauapebas sustentaria o município de Marabá pelo ano inteiro. Porém, o encolhimento de alguns milhões mostra que a capacidade de recolher recursos financeiros chegou ao limite.

O ano de 2022 tinha tudo para ser ainda mais severo com as contas de Parauapebas, uma vez que a receita dos royalties de mineração, principal fonte de renda do município, caiu cerca de 35%. Mas o ICMS e outras receitas aumentaram com vigor e conseguiram amortecer a queda da compensação financeira.

Receita cai, folha dispara

Atualmente, o grande gargalo da Prefeitura de Parauapebas é com sua elevada despesa com pessoal. Juntando o total de servidores da prefeitura (11.819, sendo 7.100 não concursados) com os da autarquia de água e esgoto (651, sendo 500 não concursados), o Poder Executivo municipal dá emprego a 12.470 trabalhadores, 60% deles temporários ou comissionados não efetivos, e paga cerca de R$ 100 milhões mensalmente em salários, sendo R$ 93,55 milhões pela prefeitura e R$ 2,95 milhões pela autarquia de água e esgoto. A despesa com pessoal subiu este ano exageradamente e na contramão da arrecadação.

Em junho, por exemplo, quando o Executivo pagou R$ 96,5 milhões em salários, a receita líquida despencou 16% em comparação com junho do ano passado (foram R$ 214,67 milhões em 2021 ante R$ 179,48 milhões em 2022). No mês passado, a folha de pagamento sozinha consumiu 53,77% da receita líquida, um comprometimento perigoso e que muito lembra o limite máximo preconizado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que estipula teto de 54% da arrecadação líquida para despesas com pessoal.

Reforma administrativa

Os sinais de alerta para um colapso nas contas de Parauapebas vêm sendo dados de forma sutil, mas constante, e o governo municipal já captou a mensagem. Tanto que o prefeito Darci Lermen emitiu em junho decreto de contenção de gastos e proibição de contratação de servidores porque a máquina está por demais inchada, com secretarias pequenas superlotadas e pessoal ocioso, além de temporários cumulando até dois tipos de gratificação e ganhando mais que servidores de carreira.

Um concurso público, que fez com que órgãos de fiscalização se armassem contra a prefeitura, deve ser realizado este semestre e servirá para minimizar, ao menos temporariamente, a pressão que o governo municipal vem sofrendo para manter temporários. Independentemente do número de vagas que o edital traga consigo, os contratados terão de ser convidados a sair para que seja garantida a posse dos primeiros classificados. Com a receita em franca desaceleração e a necessidade de uma reforma administrativa para garantir o funcionamento da máquina pública, tempos de choro e ranger de dentes se anunciam.

————————-

Compare a receita líquida de Parauapebas deste ano com o mesmo período de 2021:

Posts relacionados

R$ 1 bilhão nesta segunda: o que Aurélio Goiano fez com tanto dinheiro?

Coisas extraordinárias aconteceram, sim, na gestão de Goiano nestes 168 dias de existência: festival de licitações suspeitas, contratação de empresas forasteiras, inchaço da folha com centenas de puxa-saco, nepotismo escancarado, denúncias nos órgãos de fiscalização e recorde de processos judiciais.

Parauapebas tem pior resultado comercial em uma década

Capital do Minério ficou fora dos dez maiores exportadores em maio e, pela primeira vez na história, foi superada por Marabá, município que mais prospera em 2025 nas estatísticas do Ministério do Desenvolvimento. Canaã nem se fala: deu surra em Parauapebas e é o segundo que mais dá lucro ao Brasil

Aurélio Goiano terá R$ 46 milhões em royalties para gastar este mês

Prefeito de Parauapebas tem usado recursos da Cfem em contratos com empresas forasteiras, a exemplo da Pavifênix, que já recebeu R$ 9,85 milhões pela aplicação de asfalto com qualidade duvidosa e selo “borra de café”. Enquanto isso, prefeitos vizinhos dão exemplo de gestão financeira

R$ 1 bilhão nesta segunda: o que Aurélio Goiano fez com tanto dinheiro?

Coisas extraordinárias aconteceram, sim, na gestão de Goiano nestes 168 dias de existência: festival de licitações suspeitas, contratação de empresas forasteiras, inchaço da folha com centenas de puxa-saco, nepotismo escancarado, denúncias nos órgãos de fiscalização e recorde de processos judiciais.

Parauapebas tem pior resultado comercial em uma década

Capital do Minério ficou fora dos dez maiores exportadores em maio e, pela primeira vez na história, foi superada por Marabá, município que mais prospera em 2025 nas estatísticas do Ministério do Desenvolvimento. Canaã nem se fala: deu surra em Parauapebas e é o segundo que mais dá lucro ao Brasil

Aurélio Goiano terá R$ 46 milhões em royalties para gastar este mês

Prefeito de Parauapebas tem usado recursos da Cfem em contratos com empresas forasteiras, a exemplo da Pavifênix, que já recebeu R$ 9,85 milhões pela aplicação de asfalto com qualidade duvidosa e selo “borra de café”. Enquanto isso, prefeitos vizinhos dão exemplo de gestão financeira