Academia do Peixe Frito, marco do modernismo amazônico, é tema de aula pública e workshop em Belém

Programação gratuita promovida pelo Instituto Cultural Vale e pela Casa da Cultura de Canaã dos Carajás convida o público a revisitar um dos mais importantes movimentos intelectuais da Amazônia paraense por meio de formação literária e caminhada histórica pelo centro da capital

Entre ruas de pedra, casarões centenários e o movimento das águas da Baía do Guajará, Belém também foi cenário de uma revolução literária. No início do Século XX, um grupo de escritores, músicos, jornalistas e intelectuais decidiu olhar para a Amazônia a partir de suas próprias vivências, fazendo ruas, mercados, trabalhadores e paisagens da cidade terem vida própria. Era a Academia do Peixe Frito, movimento que ajudou a consolidar uma literatura crítica, urbana e profundamente amazônica.

Mais de um século depois, esse legado volta a ocupar o centro da cena por meio de uma programação gratuita promovida pela Casa da Cultura de Canaã dos Carajás. Nos dias 15 e 16 de agosto, Belém recebe o Workshop de Gêneros Literários – Academia do Peixe Frito: Poéticas de um Modernismo Amazônico, com o escritor Felipe Cruz; e uma Aula Pública conduzida pelo historiador e comunicador Michel Pinho, reunindo literatura, história e patrimônio cultural em dois encontros voltados ao público em geral.

A programação integra as comemorações do Dia do Patrimônio Cultural, celebrado no dia 17 de agosto, por meio do projeto Academia do Peixe Frito – Poéticas de um Modernismo Amazônico, desenvolvido dentro do programa Palavra Viva, iniciativa da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás dedicada à formação de leitores, ao incentivo à leitura e à escrita e à valorização da literatura como instrumento de expressão, memória e transformação social. 

Ainda que situada no sudeste do estado, a Casa da Cultura tem buscado ampliar o alcance das ações para atender a todo o estado, por ser a filial do Instituto Cultural Vale no Pará. Por isso, dessa vez, desembarca na capital, para dialogar com artistas, historiadores e pesquisadores que refletem sobre os bens culturais da região. 

No dia 15 de agosto, o escritor e professor Felipe Cruz conduz o workshop sobre a Academia do Peixe Frito, apresentando o contexto histórico do movimento, seus principais autores e sua contribuição para a construção de uma literatura amazônica crítica, urbana e popular. Além da exposição dialogada, a atividade inclui leitura de textos representativos e exercícios de escrita criativa, incentivando os participantes a reconhecer a literatura como ferramenta de expressão social, identidade e resistência cultural.

O professor Felipe Cruz fala sobre a expectativa para o encontro. “Espero que os participantes levem consigo novos olhares para a nossa literatura e outras compreensões sobre o fazer o literário, encarando a atividade poética como algo acessível a todos”, diz. O escritor também leva a uma reflexão sobre as possibilidades que o evento proporciona: o de conhecer um movimento literário e o de enxergar a Amazônia com novos olhos por meio da escrita.

“Acho que conhecer nossa história influencia o modo com nos situamos em nosso contexto – e a Amazônia é uma região de escritas tão diversas e instigantes que o contato com essas escritas só tem a ampliar a perspectiva que temos sobre esse espaço”, conclui.

Para a diretora da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás, Gabriela Sobral, promover o acesso ao patrimônio cultural é uma forma de manter viva a memória e fortalecer os vínculos da sociedade com sua própria história. 

“Ao realizar o workshop com o escritor e professor Felipe Cruz e a aula pública conduzida pelo professor Michel Pinho sobre a Academia do Peixe Frito, a Casa da Cultura reafirma seu compromisso de aproximar a comunidade de referências fundamentais da cultura amazônica. Essas ações ampliam o acesso ao conhecimento, valorizam um dos mais importantes movimentos intelectuais da Amazônia paraense e contribuem para que esse legado continue inspirando novas gerações.”

Dentro da programação, ainda será exibido, na abertura do workshop, o documentário Geração Peixe Frito (2019), dirigido pelos professores Paulo Nunes, da Universidade da Amazônia (Unama), e Vânia Torres, da Universidade Federal do Pará (UFPA). A coprodução institucional também foi feita em parceria com a Universidade Estadual do Pará (UEPA). A exibição contará com participação on-line do professor Paulo Nunes, um dos coordenadores dos projetos Narramazônia: narrativas contemporâneas da Amazônia paraense e do projeto Academia do Peixe Frito.  

Belém como sala de aula

No dia 16 de agosto (domingo), o historiador e comunicador Michel Pinho conduz uma aula pública que transforma o centro histórico de Belém em sala de aula. O percurso parte do Palácio Lauro Sodré, atual Museu Histórico do Estado do Pará, e segue até o Complexo dos Mercedários, relacionando a trajetória da Academia do Peixe Frito às transformações urbanas da cidade. A atividade propõe uma reflexão sobre as conexões entre história, literatura e identidade cultural, destacando a contribuição de seus integrantes para a produção cultural amazônica.

“A própria discussão em torno da Academia do Peixe Frito revela um lugar específico na construção da identidade paraense. Não é só a percepção que a literatura assume nesse período, mas também os temas que passam a fazer parte dela, como a religiosidade, a latinidade e as transformações sociais e populares, muito bem retratadas pelos literatos da época.”

Segundo o historiador, a aula pública propõe um percurso pelo centro histórico da capital para conectar a cidade aos lugares que inspiraram alguns dos principais nomes do movimento.

“Vamos percorrer um trajeto que começa na casa de Bruno de Menezes, passa pelas transformações do antigo Largo da Constituição, pelo Palácio do Governo e pelas medidas adotadas pela antiga Intendência de Belém para reorganizar os espaços da cidade. O percurso termina no Ver-o-Peso, cenário fundamental para as vivências que inspiraram poemas, romances e outras obras produzidas pelos integrantes da Academia do Peixe Frito.”

SERVIÇO

Workshop de Gêneros Literários – Academia do Peixe Frito: Poéticas de um Modernismo Amazônico
Exibição Documentário Geração Peixe Frito, participação on-line Prof. Paulo Nunes.
Data:
15 de agosto de 2026
Horário: 8h às 10h30
Local: Fórum Landi – Rua Siqueira Mendes, 60, Cidade Velha – Belém (PA)
Como participar: inscrições gratuitas pelo formulário:
https://forms.cloud.microsoft/r/4f5YRaVsgP

Aula Pública – Academia do Peixe Frito
Data:
16 de agosto de 2026
Horário: 8h
Local: Saída do Palácio Lauro Sodré (Museu Histórico do Estado do Pará) | Encerramento no Complexo dos Mercedários
Entrada: Livre e gratuita
Informações: (94) 99220-3451

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