Mude a regra do jogo político na sua cidade. Trate quem clama por seu voto como um empregado. Você é o patrão do seu vereador e prefeito.
“Você, eleitor, deve ter a consciência de que esse sujeitinho que vai aparecer na sua casa para pedir-lhe o voto, na verdade está lhe pedindo um emprego”
Não me lembro nesse momento o ano em que o fato se deu, todavia, me recordo que estava sentando em meu armazém, em Parauapebas, numa monótona tarde de quinta-feira quando um jovem, recém iniciado na política, adentrou ao escritório pedindo dois minutos do meu tempo. Perguntando-lhe qual o assunto, o neófito político apressou-se em afirmar que estava ali para se apresentar como candidato a uma vaga no Legislativo paraense. Pedi que sentasse e me pus a ouvi-lo.
O jovem, muito eloquente e de colocações pontuais, me informava de modo ágil e eficaz, a atual situação do nosso estado, o Pará, pontuando que nossa região não tinha representantes verdadeiramente comprometidos com ela. Usava as pontes de madeira, os buracos nas estradas, a falta de creches, escolas e o alto índice de homicídios como argumento para convencer-me a dar-lhe o voto e apoio. Cinco minutos depois o rapaz se levantou e disse que já havia “vendido o seu peixe”, e esperava contar com meu voto quando as urnas fossem abertas, cerca de 45 dias depois da inesperada visita.
Infelizmente não votei no rapaz, apesar de ter considerado todo o seu estoque de argumento quando escolhi meu candidato. Não votei nele porque, apesar do discurso eloquente, não me apresentou soluções além daquelas que costumam vir das bocas das velhas raposas políticas.
De vez em quando, fatos como o mencionado acima voltam a acontecer em nosso município. Em época eleitoral nossas casas são alvo de visitas de políticos ilustres que insistem em nos informar de coisas que estamos cansados de saber. Entram, geralmente acompanhado de algum amigo ou conhecido em comum que se intitula “liderança do bairro” e tentam, a todo custo, nos convencer que o mundo está prestes a acabar. E pior, isso só não vai acontecer se nele votarmos.
Gente, todos conhecemos as dificuldades dos nossos atuais governantes, suas falhas e acertos. Não é preciso ninguém de fora para nos apontar isso. Sugiro aos nossos futuros candidatos que busquem, sim, os votos junto aos eleitores. Porém, sejam mais criativos. Se preparem para responder as questões que possivelmente alguns dos visitados farão.
Você, candidato a vereador, já conhece o funcionamento da Câmara Municipal? Sabe o que faz um vereador? Sabe quais são as prerrogativas de um vereador dentro do contexto político municipal? Já passou os olhos no orçamento para saber quais serão suas prioridades se eleito for. De onde remanejará os recursos para consolidar seus projetos?
Você, candidato a prefeito, sabe quantos bairros tem atualmente o município que deseja governar? Sabe quantas escolas, creches, hospitais, postos de saúde e funcionários públicos existem no município? Já pesquisou para saber qual a demanda desses itens em seu município?
Claro, saber quanto recurso entrou é fácil. Dizer em campanha que vai fazer isso ou aquilo é fácil. Apontar os erros dos pretensos adversários é fácil.
Por isso, você, eleitor, deve ter a consciência de que esse sujeitinho que vai aparecer na sua casa para pedir-lhe o voto, na verdade está lhe pedindo um emprego. Sim! Quantas vezes você passou por entrevistas com a finalidade de arrumar um emprego? Lembre-se que seu sabatinador o interrogou sobre diversos assuntos a fim de chegar à conclusão de que você estava apto ou não para a vaga. Perguntou-lhe sobre sua vida pessoal, social, financeira e profissional.
Faça o mesmo quando um candidato vier pedir seu aval para ser seu vereador ou prefeito! Questione-o sobre sua vida. Procure saber o que ele já fez pela sociedade que quer representar. Veja se ele está capacitado para ser seu representante ou governante ou se não é mais um daqueles que só querem entrar na política para se dar bem.
Lembre-se: você, com seu voto, tem a oportunidade de tornar seu município, estado e país melhor. E isso só irá acontecer se você agir como o patrão que contrata um funcionário para sua empresa. Investigue, pergunte, analise cada candidato antes de decidir quem você quer contratar para, no futuro, decidir sua vida. Boa escolha !