Vem aí uma era de oportunidades!

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A eleição 2016 em Parauapebas terminou e o grande vencedor foi Darci Lermen, do PMDB, que assume o lugar de Valmir Mariano em 1º de janeiro para tentar cumprir as promessas, ou compromissos como dizia quando em campanha, que levarão o município a voltar a ser a “terra das oportunidades”.

Bom, passado o período eleitoral, o prefeito eleito deve formar nos próximos dias sua equipe de transição, quando terá real conhecimento da situação financeira do município de Parauapebas. Darci (foto), um político experimentado e populista, abusou do direito de prometer o que sabe não poderá cumprir. Normal em políticos profissionais, normal em campanhas eleitorais.

A denominação dada à sua coligação traduz o norte da campanha do prefeito eleito: “Parauapebas da oportunidade”.

Darci prometeu gerar emprego e renda no município, o que me parece meio complicado de cumprir, já que nos últimos anos o país perdeu milhões de pontos de emprego e mesmo com vários projetos de sua ex-companheira de partido, Dilma Rousseff, permanece estagnado nesse quesito. Não vejo como essa promessa ser cumprida nos próximos anos, já que a Vale, principal geradora de emprego no município está em fase de absoluta retração nos investimentos. O principal projeto da empresa na região, o S11-D, está em fase final e demissão após demissão é o que se vê nos últimos meses por parte da mineradora e suas terceirizadas.

Não podendo contar com a Vale para impulsionar a geração de emprego, o futuro alcaide deverá fomentar a criação de novas alternativas. Agricultura familiar, turismo, criação do Porto Seco, crescimento do polo moveleiro,  criação dos polos de gemas e joias, serralheiro e industrial de serviços, além do polo de tratamento de resíduos são algumas das alternativas apresentadas por Darci em seu Plano de Governo entregue à Justiça Eleitoral, quando do seu registro de candidatura, para incentivar a criação de empregos e renda. Mas, até onde essa promessa poderá ser cumprida, já que há uma forte queda na arrecadação e uma total desqualificação de nossa mão de obra?

A tarefa de Darci Lermen não é nada fácil. Politicamente, ele tem 15 partidos que o impulsionaram  à vitória e que aguardam, alguns impacientemente, o retorno do futuro alcaide pela ajuda que deram. Compromissos foram feitos e, alguns, jamais poderão ser cumpridos. Moleza para Darci, a quem costumo chamar de “encantador de serpentes” dada a sua grande habilidade de contornar situações difíceis que já se apresentaram quando de sua primeira gestão como prefeito. Darci sabe como poucos dizer o que seus interlocutores querem ouvir. Promete e pede a confiança do requerente mesmo sabendo ser impossível cumprir na totalidade a solicitação. Se isso eleva sua capacidade de gerir futuras crises, diminui na medida que os futuros interlocutores já o conhecem de outros carnavais. Resta saber se o futuro alcaide amadureceu politicamente e tem a consciência de que os tempos são outros.

Darci governou Parauapebas quando o município passava pelo seu melhor momento. A Vale vendia o minério de ferro por preços duas vezes e meia superiores ao que se pratica hoje e a maioria dos projetos na região do entorno de Parauapebas estava no início e a procura por mão de obra era latente. Hoje acontece o inverso, sem contar que a Lei de Responsabilidade Fiscal, que apesar de promulgada no ano 2000, agora pegou e impõe aos gestores um controle mais rígido dos gastos e uma maior transparência nas prestações de contas, fatos que outrora não preocupavam gestores como Darci Lermen.

O Congresso Nacional vem trabalhando e as falsas promessas de campanha podem estar com os dias contados. Proposta de emenda à Constituição (PEC) em tramitação na Câmara dos Deputados torna inelegíveis os políticos que prometerem “mundos e fundos” aos eleitores sem, no entanto, levar em conta o lastro com a realidade. De acordo com o texto batizado de PEC das Metas dos Governantes, o prefeito, governador ou presidente da República eleito será obrigado a apresentar, no prazo de até quatro meses após a eleição, um plano de metas que tenha informações minuciosas das ações de governo. Ainda conforme a PEC, esse detalhamento deverá estar em sintonia com o plano de governo que os candidatos já são obrigados a apresentar à Justiça Eleitoral no ato de registro da candidatura, como fez Darci (confira o plano de governo apresentado pelo peemedebista).

É evidente que os bastidores de uma campanha eleitoral vitoriosa como a de Darci em Parauapebas jamais são revelados. Seria interessante saber o que foi prometido ao futuro candidato a governador Helder Barbalho (PMDB) para que este retirasse o apoio que vinha sendo dado ao candidato Marcelo Catalão (DEM) em troca da vaga do partido dirigido pelos Barbalho no Pará, ou, o que foi acertado com 15 outras lideranças políticas locais para que ele recebesse o apoio incondicional deles, já que a atual administração está composta de 17 secretarias, 4 coordenadorias e 4 assessorias e departamentos. Pouco espaço para muitos requerentes.

Estou em Parauapebas há exatos 32 anos. Vi essa cidade nascer e crescer. A conheci com apenas dois bairros e a vejo hoje com cento e vinte e oito, se é que novos não nasceram depois da última contagem. Parauapebas é um município diferente, tem suas peculiaridades e a fama de município rico, o que hoje mais atrapalha do que ajuda. Espero que o futuro gestor tenha a capacidade de gerir os problemas que certamente aparecerão com a sapiência de um líder e a coragem de um visionário, deixando o populismo de lado e sendo coerente com o que propôs em seu plano de governo.

“O objetivo maior é a reconstrução do município, resgatando a autoestima do povo, gerando oportunidades para todos e principalmente ampliando a oferta de emprego nos mais diversos setores. Acreditamos que somente um grande esforço coletivo poderá reerguer Parauapebas aos bons tempos do pleno emprego, do direito de sonhar e construir a felicidade para nossas famílias”. (trecho do plano de governo apresentado à Justiça Eleitoral pelo então candidato Darci Lermen).

Que assim seja feito !

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