Vale, Caterpillar e Sotreq treinam 2 mil empregados para ampliar uso de caminhões autônomos em Carajás

Capacitação prepara profissionais nas unidades Serra Norte e Serra Sul para a expansão da frota autônoma, que deve chegar a 90 caminhões no Sistema Norte nos próximos anos

Vale, Caterpillar e Sotreq realizam, em Carajás, no Pará, uma nova etapa de capacitação para ampliar o uso de caminhões autônomos nas operações de minério de ferro. A iniciativa deve preparar, até o fim do ano, cerca de 2 mil empregados que já atuam nas unidades Carajás Serra Norte, em Parauapebas e Serra Sul, localizada em Canaã dos Carajás, em áreas como operação, manutenção, planejamento, liderança e controle da autonomia.

Entre os treinandos está Lilia Costa de Sousa, 42 anos. Lilia trabalhou como manicure, em serviços gerais e como auxiliar de cozinha. Agora é operadora de motoniveladora. Incentivada pela irmã, entrou na mineração e se prepara para atuar na operação autônoma. “Estou muito orgulhosa de mim. Por um período achei que não era capaz, e hoje sei que sou capaz. Minha expectativa é continuar estudando, me capacitando e, daqui a uns dias, mudar de equipamento. Quero operar todos os equipamentos que têm na mina”, afirma.

Os treinamentos combinam aulas teóricas e atividades práticas. Também incluem capacitações para acesso e atuação em Áreas de Zona Autônoma, onde os empregados aprendem protocolos de circulação, comunicação entre máquinas, interação com os caminhões autônomos e procedimentos de segurança.

Há ainda formações voltadas às equipes de apoio e lideranças e para novas profissões, os chamados “mineradores modernos”, como controller, builders e pit techs. Controllers e builders atuam no centro de controle, acompanhando as rotas dos caminhões, virtualizando os acessos e acompanhando a interação em campo. Já os pit tech acompanham o processo em campo, verificando as interferências e garantindo a performance esperada do modelo autônomo.

A preparação acompanha a expansão da frota autônoma no Sistema Norte. A operação, que iniciou em 2021 em Carajás Serra Norte, conta hoje com cerca de 20 caminhões autônomos com tecnologia Komatsu. Neste mês de setembro, em Parauapebas, foi dado início a entrada dos primeiros caminhões com tecnologia Cat®, como parte do acordo anunciado em fevereiro de 2025 entre Vale, Caterpillar e Sotreq. A expansão gradual continua ao longo do segundo semestre.

“A chegada dos caminhões autônomos representa uma mudança importante na forma de operar e também na trajetória dos empregados. Ao serem capacitados para trabalhar com novas tecnologias, esses profissionais desenvolvem competências ligadas à mineração do futuro, ampliam suas possibilidades de carreira e assumem papéis cada vez mais estratégicos dentro da operação. A tecnologia não substitui o conhecimento das pessoas; ela cria novas oportunidades para que esse conhecimento evolua com mais segurança, eficiência e sustentabilidade”, afirma Gildiney Sales.

Para os empregados em capacitação, a mudança também representa oportunidade de crescimento profissional. João Batista da Rocha Júnior, que começou na Vale como auxiliar de produção e hoje atua como orientador, vê a tecnologia como um caminho para a evolução das pessoas e da segurança.

“A tecnologia contribui para a evolução das pessoas, contribui com a segurança e vai melhorar nosso sistema de produção”, afirma João. Welson Rocha dos Santos, operador de trator de pneu, destaca a expectativa de avanço com a mina autônoma. “É algo novo que estou vivendo e que agrega para a minha carreira profissional”, diz.

A meta da companhia é chegar a 90 caminhões autônomos em operação no Norte, sendo 60 em Serra Norte, onde também irão permanecer caminhões tripulados, e 30 em Serra Sul. A ampliação inclui a instalação de kits de autonomia em equipamentos já existentes e a aquisição de novos caminhões fora de estrada. 

Entre os ganhos com a tecnologia autônoma estão a redução da exposição de empregados a áreas de maior risco, diminuição da interação direta com equipamentos de grande porte e fortalecimento da disciplina e da segurança operacional. Os autônomos também ajudam a melhorar o rendimento dos caminhões e ampliar a vida útil de componentes, pneus e materiais usados na operação, além de reduzir o consumo de combustível e as emissões de carbono na atmosfera.

(Ascom Vale)

Deixe seu comentário

Posts relacionados