Quem liga para o velho orelhão?

Mesmo esquecidos, os aparelhos ainda oferecem bons serviços. Inclusive, gratuitamente. Em Parauapebas, Redenção e Marabá, por exemplo, 20 orelhões estão à disposição do público. Mas somente até 31 de março deste ano.
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Com a invasão dos celulares em todo o planeta, a população passou a virar o nariz para os telefones de uso público (TUPs), carinhosamente batizados de orelhões, que por quase três décadas – 70, 80 e 90 – foram indispensáveis pra todo mundo.

Afinal, os telefonemas saíram das residências e locais de trabalho para ganhar as ruas. Com os orelhões, finalmente já era possível fazer ligações das vias, das praças, dos prédios, dos botecos, das praias e de todo lugar que se possa imaginar. Algo impensável na época. Inicialmente, as ligações eram feitas por fichas. Depois, passaram a ser por cartões, que até viraram peças de colecionadores.

No século XXI, com 229,2 milhões de celulares somente no Brasil – número maior até que os 208 milhões de habitantes -, os velhos orelhões foram relegados ao abandono e um a um foram  levados à UTI.

Mas aí, em outubro de 2017, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) provocou uma reviravolta ao punir a operadora OI por não cuidar dos telefones públicos. Ao verificar que o número de orelhões em condições de funcionamento nem chegava perto da meta estabelecida pelo governo, a Anatel mandou a OI liberar ligações gratuitas à população, que podem ser feitas para outro telefone fixo, inclusive para longa distância, e celular.

Inicialmente, 15 Estados foram beneficiados, entre os quais o Pará, onde apenas 18% dos TUPs estavam em bom estado de conservação. Como em 2018 a OI novamente não atingiu os patamares exigidos pela agência reguladora, a gratuidade de ligações em orelhões foi mantida, desta vez em 11 estados. Mais uma vez, o Pará está na lista dos contemplados, com 594 aparelhos “de graça” para a população em 111 dos 144 municípios.

Do sul e sudeste do Pará, Parauapebas aparece com o maior número de aparelhos que podem ser usados à vontade: nove, que estão espalhados pelos bairros Da Paz, União, Primavera, Altamira, Guanabara, Cidade Nova e Caetanópolis. Parauapebas é seguida por Conceição do Araguaia, com oito; Marabá, com sete; Redenção, com quatro; Jacundá e Eldorado dos Carajás, com dois. Tem municípios, como Canaã dos Carajás, Goianésia do Pará, Tucuruí e São Geraldo do Araguaia onde não há a gratuidade.

Que surpresa!

O prazo para o uso gratuito de orelhões nos 11 estados vai até 31 de março deste ano, quando a Anatel fará nova avaliação das metas que devem ser cumpridas pela OI. A agência poderá, ou não, prorrogar novamente o serviço à população. Apesar de os aparelhos estarem à disposição gratuitamente em muitos municípios desde o ano passado, muita gente ainda não sabe disso. E, quando toma conhecimento, duvida da informação.

“Estes orelhões ainda funcionam? Jura? Eu posso fazer ligação de graça? Que maravilha”, surpreendeu-se a estudante Andreia Ferreira da Silva, de Redenção, onde Gilberto Gomes de Alencar não apenas teve a mesma reação como ainda deu uma de São Tomé e foi checar. “Pra comprovar se era verdade, fiz a ligação para minha esposa e deu certo. Realizar ligação de graça pode ter certeza que população vai voltar a utilizar o que estava abandonado há décadas, pois nem sempre temos crédito”, comemorou Gilberto.

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