Produtores de Santana do Araguaia lutam há duas semanas contra fogo criminoso

Polícia aponta grupo de sem-terra como autor da ação, para evitar reintegração de posse de duas fazendas. Houve prisões e produtores ainda calculam prejuízos.
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Não está sendo nada fácil debelar o fogo que vem destruindo uma extensa área produtiva no município de Santana do Araguaia e que começa a alcançar uma quinta ou talvez sexta fazenda na região, ainda não se sabe ao certo. “Como é fogo criminoso, você consegue combater aqui. Daqui a pouco aparece outro foco, que está sendo colocado. Tem sido quase 15 dias de luta constante”, diz, em tom de preocupação, a diretora-executiva da Associação dos Produtores dos Campos do Araguaia (Aprocampo), Genny Silva, em entrevista ao Blog do Zé Dudu.

O Corpo de Bombeiros e os trabalhadores das fazendas estão, numa ação conjunta, trabalhando para vencer as labaredas, que encontram no vento e no tempo seco grandes aliados. “Parecendo um inferno aqui. Animais mortos, destruição da cerca, dos pastos. A gente observa aqui o fogo está ardendo. A floresta está ardendo em fogo. É lamentável, mas é a ação do homem destruindo o que é de mais precioso da humanidade, a natureza. E aqui é fogo por tudo que é lugar”, relata o sargento Jânio, da Polícia Militar de Santana do Araguaia, num vídeo enviado ao blog.

Num momento em que ruralistas são acusados de provocar incêndios por toda a Amazônia, a Polícia Civil aponta um grupo de sem-terra como o autor do incêndio em Santana do Araguaia. Tudo para tentar impedir a reintegração de posse das duas fazendas expedida pela sexta vez pela Justiça Agrária.

No relatório circunstanciado da investigação iniciada pela Delegacia Especializada em Conflitos Agrários (Deca) de Redenção, o delegado Antônio Mororó Júnior relata que a primeira denúncia que recebeu foi de que nas fazendas Ouro Verde e Vitória Régia teria havido crimes de ameaça, disparos de arma de fogo e homicídio em que a vítima fora Juarez Almeida Lima.

Ao chegar no local, dia 2 deste mês, o delegado conta que verificou não apenas a “improcedência das informações”, como também “um nefasto” cenário de queimadas e crimes ambientais na região. “De uma análise preliminar, os indícios levam a crer que as queimadas foram provocadas pelos integrantes do acampamento sem-terra”, aponta Antônio Mororó, no relatório circunstanciado.

Fuga e prisões

No local do incêndio, os policiais encontraram um barraco do sem-terra Divino Ferreira da Silva, que ao perceber a presença da polícia fugiu, mas esqueceu seu documento de identidade, que foi anexado ao inquérito policial juntamente com fotografias e vídeos da ação policial.

“Importante dizer que, dentre os ocupantes do acampamento sem-terra localizado dentro das Fazendas Ouro Verde e Vitória Régia, diversos dos integrantes foram presos pela autoridade policial subscritora, ora em flagrante, ora preventivamente, pela prática de crimes bárbaros, como cárcere privado, porte ilegal de arma de fogo, posse irregular de arma de fogo e até mesmo tentativa de homicídio de policiais militares que estavam na oportunidade de serviço”, relata o delegado.

Entre os presos em flagrante, Francisco de Assis Marcolino da Silva, encontrado nas fazendas com uma espingarda de calibre 32. A polícia acredita que Juarez Almeida Lima tenha sido vítima do próprio grupo. Num vídeo anexado ao inquérito, Edson Pereira da Silva conta à Polícia que, há dois meses, cerca de 50 famílias foram arregimentadas por uma associação presidida por um homem de prenome Lázaro, para “frustrar a ordem judicial de reintegração de posse”.

Para cada invasor, foi prometida uma taxa diária de R$ 20 para ficar dentro das fazendas. À polícia, Edson diz que todos sabiam da reintegração de posse. Ao final do seu relatório, o delegado Antônio Mororó ressalta que em relação às queimadas e crimes ambientais o inquérito policial “será tombado, tudo com o nítido intuito de dar-se a resposta mais adequada a essa lamentável e repugnante prática que ainda assola a região do Estado”.

Prejuízos

Com o fogo ainda se alastrando pela região, os produtores ainda não conseguiram calcular os prejuízos, o que ainda vêm sendo feito. “O setor produtivo, o produtor precisa de paz para trabalhar, para produzir”, apela Genny Silva, da Aprocampo, que não aceita a pecha de que o produtor rural é responsável por muitos males na Amazônia.

“O produtor rural é contra toda e qualquer ação ilegal, desmatamento, fogo. Nós não trabalhamos com o ilegal até porque não conseguimos vender a nossa produção se trabalharmos de forma ilegal”, enfatiza Genny Silva, para observar que a produção rural é fiscalizada por órgãos federais e estaduais.

Por Hanny Amoras

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