População demais, recursos de menos

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Em Parauapebas, segundo os números do Censo 2010, a população passou de 71.568 habitantes em 2000 para 149.411 habitantes em 2010. Número muito aquém do previsto por todos ( + ou – 200 mil ) e da estimativa do próprio IBGE anunciado em 2007, que era de 152.777 habitantes.

Os dados do Censo são usados para apurar indicadores socioeconômicos importantes, para situar uma cidade em faixas de importância e prioridades de investimentos dos governos estadual e federal, além de serem base para cálculos de impostos que devem retornar ao município.

Assim sendo, é justo que o prefeito Darci use do direito de recorrer dos números apresentados. Para tanto, e acredito que a PMP deva ter esses dados, é preciso apresentar alguns dados internos, tais como o número de domicílios existentes, o número de domicílios cadastrados junto a CELPA, o número de eleitores no TRE, o de alunos matriculados, enfim, dados que possam comprovar o equívoco do IBGE.

Mas por que contestar esses números?

Politicamente falando, quanto maior o número de habitantes, maior as cadeiras disponíveis nas Câmaras Municipais, consequentemente maior a efetivação do desejo popular na representação política. Com a aprovação da Lei que aumentou o número de vereadores, Parauapebas, pelos números do Censo 2010 (149.411 hab.), passaria a ofertar 19 vagas em 2012. Se os números apresentados pelo Censo 2010 fossem acima de 160 mil habitantes, seriam 21 as vagas ofertadas.

Economicamente falando, o município perde muito. Praticamente todos os repasses estaduais ou federais aos municípios são baseados no número de habitantes. Se o número populacional apresentado pelo Senso 2010 é menor que o de fato existe, o município terá sérios problemas administrativos. Para facilitar o entendimento, vamos colocar o município como uma mulher separada que recebe pensão do ex para criar seus dois filhos, mas cria quatro. Ela deve se desdobrar para oferecer educação, saúde, segurança, moradia, transporte, etc, para os os quatro filhos, enquanto só recebe recursos para dois. Ela só conseguirá êxito nessa empreitada se houver um arrocho nas despesas.

Assim, como em Parauapebas cortar despesas parece não ser o forte da administração, você leitor pode imaginar como ficará o município. Apesar da receita municipal ainda ser, percapitamente, uma das maiores do Brasil, o prefeito disse à um repórter global que falta dinheiro para investimentos. Com a eventual queda da população ( estimativa x realidade) os repasses serão ainda menores, o que pode levar o município à uma quebradeira geral.

O prefeito Darci Lermen (PT), através de sua eficiente assessoria, ainda não se pronunciou se vai ou não apresentar suas avaliações sobre os dados divulgados no Censo 2010, contestando os números. De acordo com o IBGE, as prefeituras têm até o dia 24 de novembro para fazê-lo.

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