A cada nova operação, a Polícia Federal consolida sua posição como uma das instituições públicas mais respeitadas do Brasil. É a nossa briosa Polícia Federal.
Nos últimos anos, a instituição vem demonstrando extraordinária capacidade de investigação, inteligência e planejamento operacional. São ações que, em grande parte, dispensam espetacularização e procuram privilegiar aquilo que realmente interessa à sociedade: investigação, produção de provas, cumprimento das decisões judiciais e responsabilização daqueles que eventualmente tenham cometido crimes.
A PF que vemos atualmente é resultado de décadas de aperfeiçoamento institucional, investimentos em tecnologia, inteligência, treinamento e qualificação de seus servidores.
Delegados, agentes, escrivães, peritos, papiloscopistas e profissionais das diversas áreas especializadas formam uma estrutura preparada para enfrentar desde crimes financeiros altamente sofisticados até tráfico internacional de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro, crimes cibernéticos, desvios de recursos públicos, crimes ambientais e organizações criminosas transnacionais.
DO PEQUENO CRIMINOSO AOS PODEROSOS
Talvez uma das características mais importantes de uma instituição policial republicana seja exatamente esta: a lei não pode escolher endereço, profissão, patrimônio, partido político ou posição social.
A Polícia Federal deve investigar o pequeno criminoso quando o delito estiver dentro de suas atribuições, mas também precisa ter independência e capacidade técnica para chegar aos grandes empresários, banqueiros, parlamentares, servidores de alto escalão e às mais poderosas autoridades da República.
Nem mesmo uma autoridade com assento nos tribunais superiores pode estar, em tese, acima da possibilidade de investigação quando existirem fatos, indícios e os requisitos legais para uma apuração, sempre respeitados a Constituição, o devido processo legal e as competências de cada instituição.
Perante a lei, poder econômico, influência política ou cargo público não podem funcionar como salvo-conduto.
O CASO BANCO MASTER E A PRISÃO DE DANIEL VORCARO
Um dos exemplos recentes da capacidade investigativa da Polícia Federal é a Operação Compliance Zero, relacionada às investigações envolvendo o Banco Master.
A operação ganhou enorme repercussão nacional com a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, personagem até então situado em um dos ambientes mais poderosos e sofisticados do sistema financeiro brasileiro.
As investigações avançaram por diferentes frentes e fases, envolvendo suspeitas de crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outras práticas sob apuração.
O significado institucional desse episódio vai além de uma pessoa ou de uma instituição financeira. Ele transmite uma mensagem importante: o tamanho da conta bancária, a influência e as relações de poder de um investigado não podem impedir a atuação do Estado.
E as operações da PF não param por aí.
Nos últimos meses, a instituição realizou ações de grande complexidade contra corrupção e desvios de recursos públicos, fraudes envolvendo emendas parlamentares, organizações criminosas, lavagem de capitais, tráfico internacional de drogas, crimes contra o sistema financeiro e vazamento de informações sigilosas.
É uma demonstração da enorme amplitude das responsabilidades colocadas diariamente sobre os ombros dos homens e mulheres da Polícia Federal.
UMA ESTRUTURA QUE PUDE VER DE PERTO
Falo também como jornalista que teve a oportunidade de acompanhar pessoalmente grandes acontecimentos nacionais e internacionais realizados no Brasil.
Eu vi de perto o aparato da Polícia Federal.
Durante a visita do então presidente dos Estados Unidos Barack Obama ao Brasil, pude acompanhar a impressionante estrutura de segurança mobilizada para um acontecimento envolvendo uma das autoridades mais protegidas do planeta.
Também acompanhei a histórica visita do Papa Bento XVI ao Brasil.
Mais recentemente, tive a oportunidade de acompanhar grandes encontros internacionais, entre eles a Cúpula do G20, a Cúpula do BRICS e a COP30.
Em todos esses acontecimentos, pude observar algo que dificilmente é percebido integralmente por quem acompanha os eventos apenas pela televisão: a dimensão da preparação necessária para proteger chefes de Estado, autoridades, delegações estrangeiras e milhares de participantes. Vi profissionais preparados, planejamento, inteligência, sistemas de comunicação, controle de acesso, escoltas, monitoramento, equipes táticas e grupos especializados.
São operações em que praticamente nada pode dar errado.
Em eventos dessa magnitude, o Brasil recebe presidentes, primeiros-ministros, diplomatas e autoridades de algumas das maiores potências do planeta. A responsabilidade pela segurança exige integração entre diferentes órgãos, planejamento antecipado e capacidade de resposta imediata.
A Polícia Federal dispõe de equipes especializadas para missões de grande complexidade, incluindo inteligência, proteção de autoridades, segurança aeroportuária, perícia, operações táticas, combate a bombas e explosivos e enfrentamento aos crimes cibernéticos.
Na preparação dos grandes eventos internacionais realizados no Brasil, foram empregados ainda recursos tecnológicos e procedimentos destinados ao monitoramento, à proteção das delegações e à prevenção de ameaças.
Eu tive o privilégio profissional, como jornalista, de testemunhar parte dessa estrutura funcionando. E posso afirmar: impressiona.
SEM PIROTECNIA, COM INTELIGÊNCIA
Outro aspecto que merece reconhecimento é a evolução dos métodos investigativos.
As grandes investigações contemporâneas não dependem apenas da presença ostensiva de policiais nas ruas. Hoje, o combate às organizações criminosas passa pela inteligência financeira, perícia digital, análise de enormes volumes de dados, rastreamento patrimonial, cooperação internacional, interceptações autorizadas judicialmente e cruzamento de informações.
Muitas vezes, quando uma equipe da Polícia Federal chega para cumprir uma ordem judicial, meses — ou até anos — de investigação já foram realizados silenciosamente.
É o trabalho técnico prevalecendo sobre o espetáculo.
A POLÍCIA FEDERAL NÃO É UMA POLÍCIA POLÍTICA
E aqui está, para mim, um dos pontos fundamentais.
A POLÍCIA FEDERAL NÃO PODE SER UMA POLÍCIA POLÍTICA.
Não pertence à esquerda. Não pertence à direita.
Não pertence ao presidente da República. Não pertence a governador. Não pertence ao Congresso Nacional. Não pertence ao Supremo Tribunal Federal.
E muito menos pode servir aos interesses circunstanciais de qualquer partido ou grupo político.
A POLÍCIA FEDERAL É UMA POLÍCIA DE ESTADO.
Governos passam.
Presidentes passam.
Ministros passam.
Diretores-gerais passam.
Partidos chegam e saem do poder.
A Polícia Federal permanece.
É exatamente essa característica que precisa ser permanentemente preservada.
A autonomia técnica de seus investigadores, o respeito às decisões judiciais, ao Ministério Público, às garantias constitucionais e ao devido processo legal são indispensáveis para que a instituição continue merecendo a confiança da sociedade.
Uma Polícia Federal forte não é aquela que investiga os adversários de determinado governo.
Uma Polícia Federal verdadeiramente forte é aquela que investiga quem precisa ser investigado, dentro da lei e das suas atribuições, independentemente do nome, patrimônio, partido, cargo ou poder do investigado.
Do cidadão comum ao grande empresário. Do pequeno criminoso ao banqueiro. Do servidor público às autoridades instaladas nos mais elevados postos da República.
A lei precisa valer para todos.
ORGULHO DOS BRASILEIROS
A Polícia Federal tornou-se uma instituição indispensável para a defesa do Estado Democrático de Direito e para o enfrentamento das formas modernas e sofisticadas de criminalidade.
Há muito a aperfeiçoar, como ocorre em qualquer grande instituição pública. E seus eventuais erros também precisam estar sujeitos aos mecanismos de controle previstos pela democracia.
Mas reconhecer aquilo que funciona é igualmente necessário. E a capacidade técnica demonstrada pela PF em suas grandes investigações e operações merece reconhecimento.
Como brasileiro e como jornalista que teve a oportunidade de acompanhar de perto parte de sua estrutura em alguns dos maiores eventos internacionais realizados em nosso país, registro minha admiração pelos profissionais que integram essa instituição.
Que a Polícia Federal continue investigando sem olhar sobrenomes, contas bancárias, partidos, cargos ou relações de poder.
Porque essa é a Polícia Federal que o Brasil precisa.
Uma polícia profissional.
Uma polícia técnica.
Uma polícia republicana.
Uma polícia que não seja instrumento de governos.
Uma Polícia de Estado.
E é justamente por isso que, atualmente, a nossa briosa Polícia Federal é motivo de orgulho para milhões de brasileiros.
Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA nº 2627
Filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Pará (SINJOR-PA), à Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), à Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) e à Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos do Estado do Pará (ACLEP).