Peng Liyuan: a elegância e a simplicidade da primeira-dama que se tornou o rosto suave da China no mundo

Ex-cantora de enorme popularidade em seu país, esposa do presidente Xi Jinping combina discrição, cultura e diplomacia e volta a chamar atenção durante visita oficial aos Estados Unidos

Em meio ao enorme peso político, econômico e estratégico que acompanha praticamente todas as viagens internacionais do presidente chinês Xi Jinping, uma presença costuma despertar atenção de maneira muito diferente: a de sua esposa, Peng Liyuan.

Sem discursos inflamados e sem procurar ocupar o centro das atenções, Peng construiu, ao longo dos anos, uma imagem marcada pela elegância, discrição e simplicidade. Ao acompanhar Xi Jinping em compromissos internacionais, ela representa uma face cultural e mais próxima da China — aquilo que especialistas em relações internacionais costumam definir como soft power.

Essa característica ficou novamente evidente durante a recente visita do presidente chinês aos Estados Unidos.

Em Washington, Peng Liyuan cumpriu uma agenda própria e apareceu ao lado da primeira-dama estadunidense, Melania Trump. Segundo a agência Reuters, ela conversou com Melania em inglês, sem a ajuda de um intérprete, e participou de uma visita ao Museu Nacional de Arte Asiática do Smithsonian. Durante uma apresentação de jovens estudantes, chegou a acompanhar discretamente uma canção interpretada pelo coral.

A cena, simples e espontânea, sintetizou muito do papel que Peng passou a exercer no exterior: aproximar culturas e oferecer uma dimensão humana às relações diplomáticas da segunda maior economia do planeta.

Durante o encontro, jovens cantaram a tradicional canção chinesa “Flor de Jasmim”. Peng incentivou os estudantes norte-americanos a continuarem conhecendo a língua e a cultura chinesas e a contribuírem para a amizade entre os povos dos dois países, segundo relato divulgado pelo embaixador chinês nos Estados Unidos e reproduzido pela Reuters.

MUITO ANTES DE SER PRIMEIRA-DAMA

A história de Peng Liyuan, porém, começou muito antes de Xi Jinping chegar ao posto mais importante da China. Ela já era uma personalidade conhecida nacionalmente graças à música. Dona de uma carreira de destaque como soprano e intérprete de música folclórica chinesa, a então futura primeira-dama alcançou enorme popularidade em seu país.

Foi durante os anos 1980 que sua carreira artística ganhou projeção nacional. Quando Xi Jinping ainda construía sua trajetória política, Peng já desfrutava de reconhecimento entre milhões de chineses.

Os dois se casaram em 1987. Do casamento nasceu uma filha, Xi Mingze, em 1992. Ela é a única filha do casal e estudou na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. A família procura preservar sua vida pessoal, e Xi Mingze mantém um perfil extremamente discreto.

Peng também passou a dedicar sua projeção pública a causas sociais. Entre elas estão iniciativas relacionadas à educação de meninas e mulheres e ações de conscientização sobre HIV/AIDS. Ela atua como enviada especial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o avanço da educação de meninas e mulheres.

A COMPANHEIRA DE XI JINPING

Nas grandes viagens internacionais de Xi Jinping, Peng Liyuan tornou-se uma presença conhecida em cerimônias, recepções e atividades culturais. Sua participação não se confunde com as atribuições políticas formais do presidente. Seu papel está principalmente relacionado à representação institucional, à cultura e às iniciativas sociais e humanitárias.

E é justamente aí que reside a força de sua imagem.

Enquanto Xi Jinping representa o poder político de uma China que ocupa posição central na economia e na geopolítica mundial, Peng frequentemente aparece associada à música, à educação, à cultura e ao diálogo entre os povos.

É o chamado soft power: a capacidade de um país de projetar influência não pela força militar ou pela pressão econômica, mas por sua cultura, seus valores, sua imagem e suas relações com outras sociedades.

O analista Joe Mazur, da consultoria Trivium China, disse à Reuters que Peng contribui para conferir um tom mais humano a uma diplomacia que, de outra forma, poderia parecer rígida, criando momentos positivos nas relações internacionais da China.

ELEGÂNCIA SEM EXCESSOS

Também chama atenção o estilo da primeira-dama chinesa. Peng costuma aparecer em eventos internacionais utilizando roupas de linhas clássicas, muitas vezes inspiradas na tradição estética chinesa, porém adaptadas a uma linguagem contemporânea.

Em Washington, novamente chamou atenção por essa combinação.

Mas sua imagem pública não depende apenas do vestuário. A maneira discreta de caminhar ao lado de Xi Jinping, a postura serena nas cerimônias e a facilidade com que transita por atividades culturais ajudaram a construir uma personagem singular na diplomacia chinesa contemporânea.

Peng Liyuan demonstra que uma primeira-dama não precisa disputar os holofotes para ser percebida. Às vezes, um sorriso, algumas palavras pronunciadas em outro idioma, uma conversa com jovens ou simplesmente acompanhar baixinho uma canção podem comunicar tanto quanto longos pronunciamentos diplomáticos.

Ao lado de Xi Jinping, ela representa uma China que procura mostrar ao mundo não apenas seu gigantesco poder econômico e político, mas também a riqueza de sua cultura milenar.

Carlos Magno, com informações da agência Reuters
Jornalista DRT/PA 2627
Filiado ao Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará (Sinjor-PA), à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e à Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ)

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