Parauapebas: Chefe de Gabinete, Wanterlor Bandeira fala com exclusividade ao Blog sobre a greve anunciada pelo Sinseppar

Wanterlor BandeiraO Blog falou com exclusividade com o chefe do gabinete do prefeito de Parauapebas Valmir Mariano para saber qual o posicionamento do governo sobre a deflagração de greve anunciada pelo Sinseppar para o primeiro dia do mês de junho. Confira o que disse Wanterlor Bandeira:

Zé Dudu: Wanterlor, qual a opinião do governo a respeito da deflagração de greve por parte da direção do Sinseppar  a partir do dia 1º de junho?

Wanterlor Bandeira: A única motivação dessa greve é na realidade denegrir politicamente a imagem do governo, haja vista que estamos em um ano eleitoral e o Sindicato, não conformado com a política do governo em relação aos servidores, resolveu fazer a greve com esse objetivo. Porque, razões mesmo para tal não existem.

Zé Dudu: Para o governo a greve é um ato político?

Wanterlor Bandeira: É 100% político! Eu desafio o Sinsepar à apresentar, no Estado do Pará, qual foi o município que deu o reajuste superior a 11,27% concedido pela administração.

Zé Dudu: O Sinseppar afirma em nota que o motivo da greve é o atraso por parte do governo ao pagamento do retroativo. O que o governo tem a dizer sobre isso?

Wanterlor Bandeira: Na realidade o governo está cumprindo com o que foi combinado na mesa de negociações. Nós acordamos pagar em três parcelas o retroativo referente a janeiro, fevereiro e março juntamente com o retroativo do Vale-Alimentação. E isso será feito em folha complementar até o dia 10 de junho. No acordo  coletivo feito com o Sindicato não está dizendo que o pagamento seria feito no contra-cheque e sim que iríamos pagar, e será pago a primeira parcela até o dia 10 de junho, do retroativo.

Zé Dudu: Você alega que Parauapebas foi o único município a repor totalmente a inflação acumulada ao longo do último ano. Quais foram os outros ganhos dos funcionários públicos ao longo deste governo, se é que houve?

Wanterlor Bandeira: Zé, ao longo desses três anos o governo concedeu ganho real nos salários; implantou o Vale-Alimentação que não existia no governo passado, cujo valor, de R$445,00, é o maior do Estado do Pará; recuperamos a inflação em relação ao Vale; algumas classes passaram a ter o auxílio-morte , que era uma reivindicação do Sindicato; a Guarda municipal que foi convocada nos últimos meses também está recebendo esse auxílio; os agentes comunitários de saúde passaram a receber ganho pela insalubridade da profissão que exercem, entre outras.

Zé Dudu: Ontem alguns engenheiros concursados da prefeitura fizeram uma manifestação em frente ao Palácio do Morro dos Ventos reivindicando melhorias nos salários. Eles alegam que os valores pagos a eles estão aquém dos praticados pela tabela do CREA. Qual a posição do governo em relação a essa reivindicação?

Wanterlor Bandeira: Nesse momento o governo esbarra na questão da ilegalidade. O governo reconhece que  o salário pago aos engenheiros está defasado (recebem hoje ao em torne de R$3,5 mil em média) para a função que exercem, mas, quando fizeram o concurso o salário praticado era esse. O governo é sensível ao pleito dos engenheiros e vem buscando formas de reparar esse valor, mas não pode, em virtude da legislação, dar aumento diferenciado à classe, já que teríamos que equacionar também os salários de outros profissionais liberais que trabalham para a prefeitura, e isso é impossível de ser feito do dia 5 de abril pra cá em virtude de ser conduta vedada pela Lei eleitoral. Mas, logo que passe o período eleitoral voltaremos a discutir isso com a categoria para ver uma maneira de compensar essa defasagem aos engenheiros e arquitetos.

Zé Dudu: Houve uma reunião dos engenheiros com o gabinete pra discutir esse assunto?

Wanterlor Bandeira: Houve reunião comigo, com o prefeito, com o pessoal da secretaria de administração, com a Sefaz e PGM no sentido de buscar esse entendimento. Então, estamos tentando, mas infelizmente esbarramos no período eleitoral e nas condutas vedadas que impedem de criarmos uma lei específica para tal.

Zé Dudu: Aproveitando a oportunidade da qual estamos tratando sobre salários, Wanterlor, como está aquela situação dos salários de alguns médicos em Parauapebas?

Wanterlor Bandeira: O novo secretário vem tentando melhorar as condições de trabalho e equacionar as questões em relação aos plantões, mas, apesar dos esforços, este estudo ainda não foi concluído. O secretário Juranduyr está discutindo com a categoria uma forma de pagar as remunerações de forma justa e adequada a todos os médicos.

Zé Dudu: Aquela história de médico ganhando mais de R$100 mil já terminou?

Wanterlor Bandeira: A folha desse mês já foi uma folha bem mais justa e adequada à realidade do município.

Zé Dudu: Qual o percentual destinado à Folha de Pagamento do total arrecadado pela prefeitura de Parauapebas?

Wanterlor Bandeira: Com a queda na arrecadação, que vem diminuindo mês a mês, e com a posse de 50 concursados da Guarda Municipal, de 1.311 novos concursados, de agentes do DMTT,  que, diga-se de passagem era uma cobrança do Sindicato (que se fizesse concurso público e este governo fez), estamos hoje dentro do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Além do mais, estaremos dando posse nos próximos dias a mais enfermeiros, agentes comunitários de saúde e guardas municipais. O governo vem cumprindo o compromisso de dar posse aos concursados, o que era demanda exigida pelo Sindicato.

Zé Dudu: O presidente do Sinsepar alegou outro dia em entrevista à uma rádio local que a prefeitura diz não ter dinheiro para pagar o retroativo acordado, mas tem milhões para gastar com festas. Qual a posição do gabinete com relação a essa declaração?

Wanterlor Bandeira: É de absoluta tranquilidade. Nunca foi dito que não vai ser pago o retroativo, são coisas distintas. O pagamento de funcionários tem limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal e esse governo vem cumprindo com o que reza a Lei e com que foi acordado com o Sindicato nas diversas mesas de negociações que ocorreram antes do fechamento do acordo. E o acordo não previa o pagamento do retroativo de uma só vez em Folha. O discurso hora apresentado pelo presidente é demagogo, hipócrita e irresponsável por parte de quem representa o Sindicato, porque essas festas realizadas por esta administração ocorrem desde que esta cidade é cidade, e, querer privar a população de ter acesso ao lazer, à diversão é nada mais que um discurso demagogo em pleno ano eleitoral por parte de pessoas que são pretensos candidatos a prefeito e a vereador. Esse discurso tem como único objetivo o de desestabilizar o governo para lograr êxito em suas intenções políticas. Uma forma muito mesquinha de agir de pessoas que deveriam eram estar prestando contas dos salários que ganham dos servidores.

Zé Dudu: Pelo que foi noticiado, cerca de 100 pessoas de um total de quatro mil sindicalizados compareceram à Assembleia que decidiu pela greve em 1º de junho. O governo tem monitorado junto aos servidores públicos esse real desejo de greve?

Wanterlor Bandeira: Não chegou ao número de 10% dos concursados efetivos da PMP nesta Assembleia. Em primeiro lugar o governo não acha justo que menos de 50 sindicalizados decidam o destino de 4.000 servidores concursados. O governo tem pedido compreensão para o servidor e acredita não haver motivo para a greve, pois tudo que foi acordado com o Sindicato vem sendo cumprido pelo governo, além de nunca ter havido, por parte do governo, a negativa de diálogo quando o assunto é do interesse do servidor. Agora, quando alguns sindicalistas querem tratar a coisa de forma diferente, buscando a ascensão política e querendo impor situações que não foram discutidas nas diversas mesas de negociações ocorridas ao longo do ano, aí fica difícil. Reclamar que se pague um retroativo acordado (e só este retroativo representa cerca de R$9 milhões) de uma só vez é querer sangrar o governo em um momento de queda de arrecadação, em momento de crise do país e de alto desemprego. O governo entende que deve pagar em 3 parcelas conforme acordado e assim fará. É necessário lembrar que o atraso da primeira parcela do mês de abril se deu em razão da demora na votação do projeto de lei na Câmara de Vereadores, e que com a aprovação, os servidores já irão receber o salário de maio, que deve ser depositado até a próxima sexta-feira, com o reajuste. E a primeira parcela do retroativo será paga até o dia 10 de junho em folha complementar.

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