Por Olinto Campos Vieira ( * )
Olhando para trás, vejo que eu NÃO APRENDI NADA MESMO, sempre fui um aprendiz nesta vida, até mesmo quando me chamam de mestre. Nunca me senti assim pois quem acredita sê-lo na realidade não é e quem quer sê-lo vorazmente é muito menos do que imagina.
As honrarias de qualquer espécie nunca me fascinaram. Deslumbramento não faz parte de mim. As vezes até erro os mesmos erros, o que não é inteligente mas não é proibido. Sou um humano que está aprendendo a ser leal, mas ainda não sou. Sou um homem aprendendo a ser gente, mas ainda não sou. Sou uma pessoa que vive neste mundo não apenas olhando as pessoas, mas convivendo com elas. Sei que é perigoso conviver com o ser humano, mas é imprescindível para conhecê-lo e delimitar a faixa amarela da confiança.
Se alguém ultrapassar e transgredir a minha paz, tudo bem. O mundo não acabará por isso.Conviver com pessoas boas e outras nem tanto não é tão difícil assim, basta ter uma índole de paz e um bom estômago, no caso eu já nem tenho um tão grande assim, o que facilita as coisas. Mas não estou dizendo com isso que não me enraiveço, não sou imune, apesar de não me ‘orgulhar’ disso. Mas é bom saber que não cultivo raiva de ninguém, isso me faz mais tranquilo em meio a um mundo de tantas intolerâncias e falsidades.
Indignar-se, mais cedo ou mais tarde qualquer pessoa está sujeito, e as vezes é até necessário, como o que estamos vendo hoje nas ruas do Brasil. O que não quero é viver indignado, magoado e com os olhos injetados de rancor malsão, mal escondido lá no fundo do coração. “Quero a felicidade nos olhos de um pai”. Quero ser um homem bom e confiável, e mesmo com tantos exemplos excelentes ao meu redor, ainda não sou, tenho uma gama de defeitos, mas não desejo o mal de ninguém.
Devo, não nego, quem nesse mundo não é devedor? Pago, também, quem nesse mundo não é pagador? Das qualidades? Não as conto, é minha obrigação ter algumas com a experiência que a vida vem me dando. Confio e muitas vezes esta confiança é desonrada, faz parte da vida, não me acabo por isso. O que não quero é ser o que não sou nem viver o que não penso ou dizer o que não sinto. Mas mesmo assim, não estou livre disso. Porque sou humano e falho.
Reconheço-me incapaz de fazer algumas coisas mas ainda bem que tenho algumas habilidades que me fazem alegre e fazem outras pessoas sorrirem. Sei também que sou feliz por ter amigos sinceros nesta vida, ter filhos amáveis e que me tem como referência. Ainda sei o que meus filhos fizeram ontem a noite e isso para um pai presente é uma honra sem medidas.
E saber-me falível me faz compreender atitudes, gestos e palavras nocivas de alguns amigos como parte de mim mesmo em alguns momentos. Os momentos as vezes mudam de uma hora para outra. O que era sertão vira cidade. O que era idade vira uma vida. O que era uma vida no próximo segundo, pluft!
De uma coisa estou certo, somos todos navegantes e cada um precisa remar a sua parte para chegarmos no lugar calmo, tranquilo e bom. Me dê a sua mão, vamos reatar a velha amizade. Esqueça o que passou. A vida nos espera, não temos tempo a perder com maus sentimentos. Navegar é preciso, viver também pode ter precisão!
( * ) – Olinto Campos Vieira é advogado e Procurador do Município de Parauapebas há dez anos. Texto originalmente publicado no jornal Regional, em Parauapebas.