Marabá: Projeto da Emater estimula produção de mel medicinal

Produto valorizado no mercado, o projeto-piloto projeta lucro de mais de 1.000% em 2022 para os apicultores de assentamentos do município
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Valorizado o mercado, o mel de tiúba deve render lucro de mais de 100% para os apicultores

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Um projeto-piloto de mel medicinal desenvolvido pelo Escritório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), em Marabá, no sudeste do Pará, começa a gerar bons frutos e renda aos apicultores que participam do experimento. O projeto está dando tão certo, que a Emater projeta, para 2022, lucro de mais de 1.000% para os apicultores.

O projeto-piloto de meliponicultura começou em 2020, com o objetivo de garantir segurança alimentar, alternativa de renda para a agricultura familiar e fortalecimento da exploração sustentável dos recursos da floresta. Segundo a Emater, mesmo com a pandemia, o projeto avançou e vem apresentando resultados satisfatórios acima do projetado.

Em 2021, foram 200 atendimentos relacionados a essa cultura. A Emater estima que pelo menos 600 famílias do município possam ser mobilizadas e capacitadas com o projeto.

De acordo com o órgão, ao longo dos meses foram instalados sete meliponários em lotes de assentamentos vizinhos: quatro no 26 de Março, um no Boa Esperança do Burgo, um no Grande Vitória e um no Liberdade. Meliponários são os abrigos de abelhas nativas, construídos com madeira e telha recicladas, com intenção de facilitar o manejo e proteger as colmeias de intempéries, como chuva e excesso de sol.

“Nossa fase é de organização da produção. É prospectar o interesse dos agricultores e o potencial das propriedades, além de, sobretudo, oferecer treinamento contínuo, intensificando parcerias institucionais”, explica o engenheiro agrônomo Glauco Brito, responsável pela iniciativa. 

Ele observa que o preço do litro de mel de abelha da espécie tiúba no mercado brasileiro gira em torno de R$ 150. Com isso, a estimativa é de que o lucro das famílias seja de mais de 1.000%. A coleta está prevista para começar em junho de 2022.

Entre os agricultores atendidos pelo projeto está o casal Antônio José e Raimunda Nonata Xavier, que mora na Chácara Vista Linda, no Assentamento Boa Esperança do Burgo, em Marabá. Com 22 caixas de meliponicultura, o casal espera aumentar a renda familiar e ter uma vida mais confortável.

“Eu vim do Maranhão jovenzinho [do município de Brejo Paraibano] tentar emprego. Há muito tinha no peito esta vontade de fazer mel porque é uma raiz lá do meu povo. Eu insistia e não ia muito pra frente, porque não tinha a técnica adequada, coisa que agora temos com o apoio da Emater”, ressalta Antônio José, que também cultiva mandioca, milho e tem uma criação de galinhas caipiras e um pequeno rebanho leiteiro, com 20 vacas.

O agricultor destaca as propriedades medicinais do mel de tiúba e diz que seu objetivo é expandir a sua produção, para 100 caixas, assim como ajudar a divulgar a biofarmacologia da Amazônia. “É a era de sonhar, de interagir com a natureza, de pensar grande e bonito. Isso é acreditar”, frisa o agricultor.

Ele faz planos de que as 22 caixas de criação de abelhas sem ferrão (“mansas”, nas palavras dele) resultem em cerca de 40 litros do mel medicinal tiúba-uruçu. O mel de tiúba possui propriedades terapêuticas, conhecidas há muito tempo pelos povos da floresta. “Serve pra tudo: de mal de unha encravada a dor de coração partido”, brinca Antônio José.

Tina DeBord- com informações da Emater