Governo muda regras do FNMA para acelerar repasses contra incêndios florestais

Novo decreto simplifica o acesso ao Fundo Nacional do Meio Ambiente e promete acelerar recursos para prevenção e combate a incêndios florestais
Ministro João Paulo Capobianco na cerimônia em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente no Palácio do Planalto. Decreto foi assinado no evento (Foto: Rogério Cassimiro/MMA)

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O governo federal alterou as regras de funcionamento do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) para permitir repasses mais rápidos de recursos para estados e municípios no combate a incêndios florestais. A medida foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia realizada ontem (10) no Palácio do Planalto em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente e faz parte da estratégia federal para ampliar a capacidade de prevenção e resposta aos incêndios em 2026. O decreto saiu na edição desta quinta-feira no Diário Oficial da União.  

Criado ainda na década de 1980, o FNMA era frequentemente criticado pela burocracia envolvida na liberação de recursos. Pelo modelo anterior, municípios e governos estaduais precisavam firmar convênios para acessar o dinheiro federal, um processo considerado lento e complexo, especialmente para cidades pequenas com pouca estrutura administrativa. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o novo decreto substitui parte dessas exigências por mecanismos simplificados de transferência e prestação de contas baseada em resultados.  

“O fundo possuía um sistema burocrático que acabava afastando a adesão de municípios pequenos”, afirmou o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, ao apresentar a medida. Segundo ele, a mudança permitirá uma descentralização mais rápida dos recursos públicos destinados à prevenção e ao combate ao fogo.  

A alteração ocorre em um contexto de crescente preocupação com a temporada de incêndios. Em março, o governo federal anunciou a mobilização de mais de 4,6 mil brigadistas e reforçou o planejamento nacional de combate ao fogo, diante das previsões de condições climáticas favoráveis à propagação de incêndios em diferentes regiões do país.  

Pelo novo modelo, estados e municípios interessados em receber recursos deverão elaborar planos de combate a incêndios em até 18 meses. A exigência busca alinhar os repasses a estratégias permanentes de prevenção, evitando que os recursos sejam acionados apenas em momentos de crise.  

Embora o decreto seja apresentado como uma medida administrativa, ele também representa uma tentativa de responder a um problema recorrente na política ambiental brasileira: a dificuldade de transformar recursos disponíveis em ações rápidas no território. Nos últimos anos, órgãos ambientais e governos estaduais relataram entraves burocráticos para contratação de brigadas, aquisição de equipamentos e execução de ações emergenciais durante grandes temporadas de queimadas.

A mudança no FNMA se soma a outros instrumentos de financiamento que vêm sendo mobilizados para enfrentar o avanço do fogo nos biomas brasileiros. Em maio, o Fundo Amazônia destinou R$ 150 milhões para fortalecer brigadas florestais, corpos de bombeiros e ações de manejo integrado do fogo no Cerrado e no Pantanal. Desde a retomada do fundo, mais de R$ 521 milhões foram aprovados para iniciativas de prevenção e combate a incêndios em diferentes regiões do país.  

Além do combate aos incêndios, o decreto amplia as possibilidades de atuação do FNMA ao incluir o financiamento de ações voltadas ao manejo populacional ético e à proteção de animais domésticos. Para acessar esses recursos, estados e municípios deverão aderir ao Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos (SinPatinhas).  

A efetividade da nova regulamentação, contudo, dependerá da capacidade dos governos locais de elaborar planos, estruturar equipes e executar os recursos disponíveis. Em um cenário marcado pelo aumento da frequência de eventos climáticos extremos e pela persistência dos incêndios em biomas como Amazônia, Pantanal e Cerrado, especialistas apontam que rapidez na transferência de recursos pode ser tão importante quanto o volume de dinheiro disponível.

((o) eco)

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