Governadores pedem distribuição mais equilibrada de tributos recolhidos no país

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Governadores de todo o país se reuniram nesta quarta-feira (20), no Senado, na busca de um pacto que propicie uma distribuição mais equilibrada dos tributos recolhidos no país. Recebidos no Salão Negro do Congresso Nacional, eles reclamaram da escassez de recursos para governar, pediram uma repactuação das obrigações orçamentárias, criticaram a União por reter a maior parte dos impostos e pleitearam maior diálogo com o Parlamento.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, abriu o encontro conclamando os convidados à construção de uma agenda positiva para garantir o equilíbrio da federação e superar a crise econômica. Ele fez um balanço das iniciativas aprovadas pelo Parlamento nos últimos anos e manifestou sua disposição de ouvir os governadores para definir os próximos passos.

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Ao final do encontro, Renan Calheiros designou uma comissão para, ainda nesta quarta-feira (20), sistematizar todas as sugestões ali oferecidas. Nesta quinta-feira (21), ele irá ao gabinete do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, conversar sobre os próximos passos dessa agenda federativa.

Segundo orador dessa reunião, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, disse que o grande problema da federação no Brasil é a criação de obrigações para os estados e municípios sem a previsão de recursos. Cunha disse que, em razão dessa prática, essas unidades da federação estão perdendo a capacidade de sustentar-se. Ele prometeu uma atuação conjunta das duas Casas do Congresso na aprovação de propostas que aperfeiçoem a federação.

Os primeiros governadores a usar o microfone representaram as regiões Norte, Tião Viana, do Acre; Nordeste, Ricardo Coutinho, da Paraíba; Centro-Oeste, Rodrigo Rollemberg, do Distrito Federal; Sudeste, Geraldo Alkmin, de São Paulo; e Sul, José Ivo Sartori, do rio Grande do Sul.

Tião Viana lastimou as perdas dos estados e os desafios que eles enfrentam achar saídas compensatórias. O governador disse que negocia com a equipe econômica do governo a criação de um fundo de desenvolvimento voltado aos estados, como uma saída para a queda nos investimentos. E pediu que o Legislativo converse com a União em busca de uma alternativa, pois os estados se encontram sem nenhuma perspectiva.

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, observou que o Brasil tem uma federação de direito, mas não uma federação de fato. Ele propôs que o Congresso trabalhe numa iniciativa que faça estados e municípios compartilharem a receita proveniente das contribuições, cujo uso hoje é restrito à União. Ricardo Coutinho se disse consciente de que isso não pode mudar com uma única canetada, mas mostrou confiança em que o Congresso e o Executivo façam essa adequação.

Em sua exposição, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, defendeu a aprovação de projetos que ele considera de “crucial importância” para os estados. Entre eles, textos destinados a convalidar os benefícios fiscais concedidos por estados a empresas e a impedir o aumento de despesas dos estados por obrigações repassadas pela União, sem que esta indique a necessária fonte de receitas.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apresentou sugestões para melhoria da situação de estados e municípios e para maior equilíbrio entre os entes federados. Ele afirmou que não gerará despesa alguma para a União a permissão para que estados legislem sobre matérias pré-processuais, o que agilizaria, por exemplo, o andamento dos inquéritos policiais.

Falando em nome da região Sul, o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, disse que os governadores conhecem as dificuldades da economia do país e também estão fazendo ajustes em seus orçamentos, mas ressalvou que os estados precisam da ajuda da União para retomar os investimentos.

Sartori fez um apelo pela redução do percentual de endividamento dos estados e criticou mudanças em curso no Simples Nacional, as quais, disse, também retiram a capacidade de investimento dos estados.

O governador Simão Jatene, do Pará, disse que, desde o início da vigência da Lei Kandir, em 1996, a União deixou de repassar aos estados R$ 345 bilhões, que deveriam ter entrado nos cofres dessas unidades federativas a título de compensação por perdas decorrente da desoneração dos produtos para exportação. Ele acrescentou que a compensação, que no início cobria 90% das perdas dos estados, está reduzida hoje a menos de 5%.

“Precisamos de uma agenda produtiva e uma agenda produtiva é votar esses projetos”, afirmou o governador Pedro Taques, de Mato Grosso, numa referência aos projetos que se encontram no Legislativo para sanar esse descompasso na arrecadação tributária. Pedro Taques solicitou aos presidentes Renan Calheiros e Eduardo Cunha que definam uma agenda para que o Congresso aprecie durante todo um mês uma pauta totalmente dedicada a ajustes no pacto federativo.

O governador Marconi Perillo, de Goiás, insistiu numa preocupação de todos os governadores – a necessidade de aprovar uma norma legal que proíba a criação de obrigações para os entes federados sem a previsão da fonte dos recursos necessários ao seu custeio.

— É fácil determinar que alguém tem de pagar a conta sem indicar os recursos para pagar essa conta,  observou Perillo, mencionando como exemplo o piso nacional dos professores.

O governador Wellington Dias, do Piauí, defendeu a participação dos chefes dos Executivos estaduais na definição da pauta prioritária de projetos do Legislativo para o primeiro semestre do ano. Dias listou uma série de propostas que em sua avaliação ajudarão a melhorar as finanças dos estados e estimular o crescimento do país. Ele também exigiu a criação de um fundo constitucional como contrapartida para os estados aderirem à proposta que põe fim à “guerra fiscal”.

O governador Reinaldo Azambuja, de Mato Grosso do Sul, disse que os estados brasileiros têm sido vítimas de “uma agiotagem oficial”, visto que, por mais que paguem, não conseguem saldar seus compromissos financeiros. Ele lembrou que o Mato Grosso do Sul devia, em 1998, R$ 2,25 bilhões. Dezesseis anos depois, a dívida saltou para R$ 7,8 bilhões, mesmo tendo pago durante o período R$ 6,7 bi.

O governador Rui Costa, da Bahia, pediu aos presidentes da Câmara e do Senado que, antes da votação de projetos de lei, dialoguem com governadores e prefeitos sobre os impactos de suas proposições na arrecadação e nas despesas de estados e municípios. O governador baiano sublinhou duas preocupações prioritárias da federação: saúde e segurança pública.

Representando o Amapá, o vice-governador Papaléo Paes afirmou que o governo federal se esquece de dar atenção aos estados do Norte, principalmente aos mais recentes, ex-territórios criados a partir da Constituição de 1988. Ele disse que aquela região necessita de atenção especial, principalmente por parte da União.

Ao final do encontro, o vice-líder do PMDB na Câmara, o deputado federal Danilo Forte (CE) parabenizou os presidentes Renan Calheiros e Eduardo Cunha, defendendo que iniciativas como essa comprovam que o parlamento está atento ao que a população “cobra nas ruas”.

Como ele, o senador Donizeti Nogueira (PT-TO) elogiou esse esforço do Congresso em favor de uma agenda positiva para garantir o equilíbrio da federação. Mas ressalvou que a maior parte das medidas apresentadas são paliativas e não reestruturam a federação. (Agência Senado)

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