A morte do Poeta

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Abaixo, uma brilhante contribuição do médico do trabalho e infectologista Zé Hilton para o Blog relatando o que foi Gabriel Garcia Marquez para sua vida literária:

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A primeira vez que me deparei com a obra de Gabriel foi nos anos 90.

Muito tinha ouvido falar e nada eu mesmo havia procurado.

Para um rapaz de 20 anos ler “Cem Anos de Solidão” sem que ninguém o tenha alertado antes, é algo como você abrir os olhos depois de muito tempo na escuridão.

Foi assim que o poeta se me apresentou. Depois daquele dia muitos outros dias nos encontramos.

Em “Amor nos Tempos do Cólera”, Memórias de Minhas Putas Tristes”…e cada vez que me debrucei em sua obra tive a sensação de sair melhor que antes, talvez nem estivesse, mas assim me sinto a cada vez que o leio.

Um homem que conseguiu colocar em letras tudo o que ele realmente era: Gente! Acreditem, não é fácil sê-lo! E exatamente por isso o mundo está povoado de tantos recortes de frases de amor dos apaixonados, dos amigos, dos filhos, dos pais…como não lembrar?: “Amo-te não pelo que és, mas pelo que sou quando estou contigo” e ” A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la” ou ainda “Recordar é fácil para quem tem memória, esquecer é difícil para quem tem coração”.

Uma pessoa destas não pode ser comum!

Eu sempre achei que os gênios são pessoas que sentem tudo que eu sinto, mas que sabem dizê-lo, sabem transmitir, sabem envolver. Me parece que este cavalheiro se encaixa perfeitamente nesta descrição com mais um adendo: ele o faz no limite da humanidade que possui. Talvez isto seja um segredo dos grandes!

Momento ruim para perder alguém de sua estirpe. A arte está cada vez mais refém de umas criaturas que, nem de longe, conhecem o legado que Marquez deixa nesta terra tão árida de poesia. Um homem para além do seu tempo que ousou melhorar o cotidiano de seus semelhantes, provocou nosso eu! Fez até a gente pensar que se pode ser feliz apesar de tudo. Pouquíssimos estão neste grupo de artistas, pouquíssimos.

Nos resta pois, seus textos, seus apontamentos para que,quem gosta de literatura, revisitá-lo e ter a sensação de ainda gozarmos de sua presença no meio de tanta acidez.

Sabe,Gabriel Garcia Marquez, não fiquei triste com a tua morte, eu tive foi pena! Desce finalmente o rio naquela chalana com teu grande amor!

José Hilton

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