O mercado de trabalho no Pará atingiu 3,79 milhões de pessoas ocupadas no final de 2025 e registrou queda na taxa de desemprego à taxa de 5,8%, além de um aumento de 14,6% no rendimento médio mensal do trabalhador. Os dados fazem parte do “Boletim do Trabalho e Renda 2026”, divulgado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), que aponta a recuperação do emprego formal e o avanço no número de trabalhadores com ensino médio e superior completos, destacando também o desafio de converter esse avanço em inclusão produtiva.
A Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural (Diepsac), da Fapespa, reuniu dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que apontam que a população ocupada no Estado passou de 3,282 milhões no 4º trimestre de 2012 para 3,790 milhões no 4º trimestre de 2025, o que representa crescimento de 15,5%.
No mesmo período, último trimestre de 2025, a taxa de desemprego no Pará caiu para 5,8% após ter atingido 13,9% no 1º trimestre de 2017 e 13,8% no 1º trimestre de 2021. Além disso, o rendimento médio mensal no trabalho principal aumentou de R$ 2.171 para R$ 2.487, variação positiva de 14,6%. Nesse cenário, os números do levantamento da Fapespa indicam melhora recente das condições do mercado de trabalho, com recomposição do nível de ocupação e fortalecimento da renda média.
Comércio e serviços e trabalho autônomo em destaque
No ano de 2025, o setor do comércio respondeu por 793 mil ocupados, ou seja, 20,9% do total de ocupações, enquanto administração pública, educação, saúde e serviços sociais somaram 673 mil (17,7%), e a agropecuária 558 mil (14,7%).
No setor privado, entre 2012 e 2025, houve ampliação dos empregados de 37,9% para 42,3% entre 2012 e 2025, mas o trabalho por conta própria permaneceu elevado, em 30,3% do total.
Educação e formalização
Em relação ao campo educacional, os dados apontam um avanço na qualificação, uma vez que houve melhora expressiva de pessoas com Ensino Médio completo, que passou de 862 mil para 1,368 milhão, e ocupados com ensino superior completo saltaram de 240 mil para 547 mil. No entanto, a persistência de ocupações elementares e de baixa remuneração mostra que parte importante do mercado segue assentada em vínculos de menor qualidade.
A Relação Anual de Informações Sociais (Rais) mostra que o número de vínculos de emprego formal no Pará chegou a 1.000.816 em 2025, apresentando alta de 3,1%, em relação ao ano de 2024. O setor de serviços concentrou 404.249 (40,4%) e o comércio com 272.239 (27,2%) de vínculos formais, reafirmando a centralidade do terciário. Destaque, também, para os vínculos celetistas, que somaram 989.464 postos, equivalentes a 97,7% do total.

Desafio: Trabalho e assistência social
Os dados oficiais revelam que, em relação ao mercado de trabalho e assistencialismo, o principal desafio do Estado encontra-se no alto índice de beneficiários de programas sociais: em 2014, o Pará tinha 0,8 milhão de ocupados formais e 0,9 milhão de beneficiários do Bolsa Família em idade de trabalho. Já em 2025, esses contingentes subiram para 1,8 milhão e 2,1 milhões, respectivamente. O boletim aponta, em termos proporcionais, que os beneficiários representavam 25,8% da população estadual, contra apenas 9,9% de empregos formais.
Entre os municípios paraenses, Redenção teve destaque com 37,1% de empregos formais ante 18,3% de beneficiários, seguido dos municípios de Santarém e Canaã dos Carajás, que apresentaram 23,4% e 19,8%, respectivamente, de pessoas ocupadas com empregos formais, enquanto 12,2% e 17,3% são de beneficiários. Já a capital paraense, Belém, mostrou equilíbrio entre ambos os indicadores, com 16,4% de vínculos formais e 16,3% de beneficiários do programa social.
Com esse cenário, apesar de apresentar sinais claros de recuperação e expansão do emprego, os dados demonstram um desafio a ser alcançado: o Pará, ainda, precisa transformar crescimento ocupacional em inclusão produtiva mais ampla, capaz de reduzir a dependência social e sustentar um desenvolvimento mais equilibrado, aponta a conclusão elaborada pelos estudos da Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural, da Fapespa, com base nos números oficiais do Rais, IBGE e CadÚnico, em 2025.
“O Boletim nos mostra que o mercado de trabalho no Pará vive um momento de forte recuperação. O dado mais expressivo é a queda da taxa de desemprego para 5,8% no fim de 2025, o menor patamar em anos. Também alcançamos a marca histórica de 3,79 milhões de pessoas ocupadas e um aumento real de 14,6% no rendimento médio do trabalhador. Porém, o relatório nos traz um alerta estrutural importante: o número de beneficiários do Bolsa Família em idade ativa ainda supera o total de empregos formais. Nosso grande desafio agora é converter esse crescimento econômico em uma inclusão produtiva mais ampla e de maior qualidade” explica Victor Oliveira, Economista-Técnico, Coordenadoria de Estudos Econômicos e Análise Conjuntural – DIEPSAC/FAPESPA.
“A economia do Pará tem se mostrado estável e no ritmo crescente nos últimos oito anos. Isso se deve, lógico, a uma série de políticas públicas lideradas pelo governo do Estado do Pará, que trazem essa estabilidade, reconhecendo os potenciais do Estado e as suas oportunidades de crescimento. É isso que têm colocado o Pará à frente do Brasil no crescimento econômico nesses últimos sete anos”, destacou Marcel Botelho, presidente da Fapespa.
(Ascom Fapespa)





